quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Ao som dos bandolins


Como fosse um par que nessa valsa triste se desenvolvesse ao som dos bandolins...

E como não? E por que não dizer que o mundo respirava mais se ela apertava assim seu colo como se não fosse um tempo em que já fosse impróprio se dançar assim.

Ela teimou e enfrentou o mundo se rodopiando ao som dos bandolins...

Como fosse um lar, seu corpo a valsa triste iluminava e a noite caminhava assim. E como um par, o vento e a madrugada iluminavam a fada do meu botequim.


Valsando como valsa uma criança que entra na roda, a noite tá no fim. Ela valsando só na madrugada, se julgando amada ao som dos bandolins...

Bandolins, de Oswaldo Montenegro.

 
Sei que sempre conto aqui que quando vejo aquilo que não posso ter me entristeço - como a dança. Sei que toda e toda vez meus olhos enchem d'água e ainda me perguntam o que mesmo eu vou fazer lá. Vou pra sentir a saudade, conversar com ela e olhá-la bem nos olhos. Vou lá olhar pra não esquecer da sensação impagável de ler a música com os pés e as mãos.

É num desses momentos que paro e penso o que estou fazendo que não estou lá com elas. Ou sozinha. Ou em outro lugar. Mas dançando. Parece que as vezes o destino ri da gente. Tira uma com a nossa cara, mesmo.

Mesmo assim, gosto de estar lá. Me sinto meio que fazendo parte - mesmo que isso seja uma mentirinha contada ao meu ego, ao meu eu lírico, só pra ele se aquietar.

Não dá nem pra dizer que em 2011 vou retomar minhas aulas de ballet, que por seis meses fizeram minha vidinha brilhar um bocado a mais, porque não sei nem mesmo onde estarei amanhã, quem dirá ano que vem.

O que sei é que, às vezes, do nada, ouvindo ou não alguma música, de repente me vejo em meia ponta, com as mãos em quinta ou terceira posição, rodopiando, saltitando, tom bê pa de bu rê glissade tam la vê. E há um ano é só isso. Alguns passos aleatórios e solitários. E nã preciso ir ao Shiva pra pensar ou sentir tudo isso, lá só é mais real.

Sinto falta. Agora, meus joelhos doem sem sequer eu dançar. Fiz meia aula, na terça. Meu alongamento continua bom, meu ritmo ainda está aqui. Os passos, voltam, os novos a gente aprende. E não tenho vergonha alguma de admitir minha inveja das sapatilhas de ponta que elas usarão daqui poucos meses. Bate aquele sentimento 'eu-podia-estar-lá-também'. E elas estão tão lindas, dançando... Voltar lá depois de meses e ver a melhora de cada uma é gratificante, me dá orgulho. E sei que a apresentação domingo será perfeita. Um sonho.

Ah esse saudosismo bobo. É, eu sou assim. Quando amo, amo e pronto, não importa ter ou não, poder ou não, dever ou não. Não importam as recomendações médicas, psicológicas, maternas. Não importam os conselhos, as tentativas de substituição. Não importa a Amnésia e não importa fingir. Não importa tentar não gostar e não importa que ninguém mais se importe. Não importa nada, além de gostar. Quando a gente ama algo ou alguém não há o que nos faça esquecer. Não há frase, livro, pessoa, música, cor, que não nos lembre o objeto da nossa paixão. Não importam, sequer, as outras paixões. 

Porque não há salto alto que anule as sapatilhas furadas, nem batuques que apaguem a delicadeza dos violinos. 

"E que minha loucura seja perdoada. Porque metade de mim é amor e a outra metade... também!"

Beeijos, Jaqueline.

Um comentário:

Audrey Ludmilla disse...

A gnt sente sua falta, e inveja seu alongamento. ;)