terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Que 2015 não seja 2014

Num mundo onde impera a descrença, fica cada vez mais difícil acreditar em 'resoluções de ano novo' ou em esperanças e paz que se instaurem, assim, de repente. Mas eu lembro bem do que Sartre disse. Somos os únicos responsáveis: pela alegria e pela tristeza. Não tem absolutamente nenhum fator externo nem nenhuma outra pessoa no mundo que possa resolver nossa vida pra nós - ou destruí-la. Essas coisas só acontecem a partir do momento em que permitimos que aconteça e, assim, continuamos sendo os únicos responsáveis. 

Então, como não ansiar por um ano novo, com novas oportunidades, novas histórias, se sabemos que temos o poder de fazer isso acontecer?

Ok, de fato, todo ano é igual. São segundas sonolentas e terças monótonas, quartas e quintas ansiosas, sextas cansadas, sábados corridos e domingos entediantes. Tudo bem que ano que vem vai ter aniversário, páscoa, feriados prolongados, muita Netflix e outro Natal. Mas quem disse que você precisa tomar o mesmo café na mesma xícara sentado do mesmo lado da mesa todos os dias? Hum? Quem disse que você precisa trabalhar no mesmo lugar, falar com as mesmas pessoas, comer as mesmas coisas toda vez que vai no shopping e fica em dúvida perante aquela enorme gama de opções?

Ninguém.

Uhum, pois é.

São viagens diferentes, cursos diferentes, músicas diferentes. São sons, sites, signos. Filmes, livros, cores, piadas. São novas cervejas. Novos capuccinos. Novos sabores de sorvete. Novas exposições. Museus. Coreografias. Há tanto pra conhecer, tanto pra ver, tantos lugares pra ir... que seria um gigantesco desperdício fazer um ano igual ao outro.

Não podemos nos contentar em ver as mesmas coisas sempre. Em estar todas as vezes nos mesmos lugares. Em ler sempre os mesmos autores.

Quero que 2015 seja diferente. Sempre queremos anos melhores, mais completos. Eu só quero aprender coisas novas - pela dor ou pelo amor, que a gente sabe que vem as duas, sempre. Quero a novidade, a mudança, a transformação. Quero o progresso, quero o esforço, quero a conquista. Quero a leveza de dias e horas calmas e felizes. Quero tocar alaúde com os quadris. Quero alçar voo pra mais um pedacinho do mundo, do Brasil.  Quero mergulhar de cabeça no que traz alegria e serenidade. Abraçar com força oportunidades que deixei passar em 2014...

Quero que 2015 seja outro. Que não seja 2014. Que seja mais suave. Com noites de sono mais tranquilas e manhãs mais calmas. Que os objetos parem de criar asas e que as pessoas poupem suas cordas vocais umas com as outras (a menos que a gritaria seja de tanto rir, bebendo com as amigas - a gente sempre grita).

Que possamos nos proteger da aspereza da alma alheia e inventar motivos pra sorrir.

Enquanto isso, vamos aguardar o Natal.



sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Psicopatologia

Significado de Ansiedade

s.f. Desconforto físico e psíquico; excesso de agonia; aflição.Figurado. Desejo intenso e impetuoso: com ansiedade esperava por seu médico.Figurado. Ausência de tranquilidade; que demonstra ou possui medo e/ou receio: demonstrava ansiedade e precisava sair imediatamente dali.Psicopatologia. Condição emocional de sofrimento, definido pela expectativa de um acontecimento inesperado e perigoso, à frente da qual o indivíduo se acha indefeso.(Etm. do latim: anxietas.atis)



Depois de duas noites sem dormir, preciso dizer. Pra quem acha que minha psicopatologia não é justificada, lá vai. Quando se é jornalista, fotógrafa, bailarina, aluna, filha, babá, namorada, promotora de eventos e viagens, motorista e tal fica meio impossível não surtar. São muitos detalhes.

Hoje tem sarau. Então ontem foi mais ou menos assim: tenso.

Você tem que pensar na música que vai dançar. Na roupa que vai usar. No alfinete que sumiu e que você precisa pra saia não cair. Do grampo que você precisa pra prender a franja. Da pulseira brilhante. Da roupá da outra coreografia. Onde tá mesmo aquela sacola cor de rosa bonita, pra eu por as coisas? Porque eu não vou levar meus trajes divônicos em sacolinha de supermercado né. Ah meu Deus, a maquiagem. Eu passo protetor solar antes da maquiagem? Faço a maquiagem no almoço e deixo ela derreter durante a tarde e a noite só retoco ou deixo pra fazer a noite quando chegar no evento? Ah meu Deus, preciso lavar o cabelo. Agora tem que secar. Parece que não ta bom. Meu cabelo parece oleoso? Acho que tá esquisito. Vou passar chapinha. Ah Jesus. Não fiz os patês. E esse liquidificador que não funciona? Ah, tanto faz. Hum ficou gostoso. Gente, vocês gostam de patê de azeitona? Ficou bom hein. Olha o Whats, olha o patê, mexe o patê, mexe no celular. Põe música. Acho que vou mudar minha música. Devia ensaiar mais meu solo. Como chama minha música mesmo? Ela sumiu do celular.. Ahn... Ensaio o solo ou faço o patê? Faço o patê. Amanhã tenho que comprar alfinete. Será que passo esmalte? Hum. Melhor levar a sapatilha, vai que o chão tá muito gelado. Levo só a saia roxa ou levo a amarela também? Então amanhã não posso esquecer de pegar as sacolar, por no porta mala e lembrar de falar pra Thaís não esquecer de por no porta mala da Ju. AH JESUS, NÃO GRAVEI OS CDS. Re, onde você mora? Me passa o endereço pra eu programar o GPS. Isso. Gravei os cds. Merda, esqueci da música do pandeiro. Gravo outro cd. De boa. Será que vai chover? Se chover, ferrou, não tenho guarda chuva. E pior; vou ter que refazer a maquiagem. 

Aí domingo tem show de bailarinas sensacionais na Khan el Khalili, em São Paulo.

Bom, convites: ok. Será que é bom imprimir o comprovante? É, melhor. VAI QUE a moça não separou meus convites... (imagina a cena toda pro caso da moça não ter separado os convites). Melhor imprimir. Preciso pegar o endereço e programar o GPS. Aí já vejo com a Ju quanto dá de gasolina pra cada uma. Comprei saia nova, mandei ajustar e ficou apertadíssima, mas vou com ela mesmo assim. Não, acho que vou de calça. Mas se tiver calor vou me ferrar. Bom. Preciso ver com a moça quem vai levar a roupa de dança que comprei. Preciso sacar o dinheiro pra pagar a moça e o pedágio. Preciso começar a me arrumar às 16h. Não, às 15h é melhor. Será que a Nur vai me reconhecer? Claro que não, ela tem mil fãs e eu sou só a doida do Facebook que sonha coisas bobas. E a Ju? Ai, será que ela vai lembrar da gente? Fomos no work, no Núcleo... Ainn... será que ela vai dançar derbake ou clássica? Será que conseguimos tirar fotos com elas depois? Humm... 

Aí quarta/quinta é Natal.

Será que meus pais vão estar de boa? Será que vai ter chilique? Podíamos comer pizza... Mas se eu falar isso já viu: maior falatório. Blá blá blá, mimimi... Bom. Vou pra casa do Celso então. Ele disse que não vai ter ceia. Isso quer dizer que preciso abrotar missão saia nova. Mas tudo bem, uso na KK, se conseguir respirar. Bom, combinamos de não dar presentes, então nem tenho com o que me preocupar. Mas não custa fazer um doce né. Hum: Charlotte de Frutas Vermelhas. Jesus. Como vou saber quando o creme está a 52º C? Vira fazer mousse de maracujá mesmo? Argh. Quem come mousse no Natal? Aff. Já sei. Vou dizer que no dia seguinte vou madrugar pra pegar avião e que to checando as malas e por isso não fiz a Charlotte. Tão facinha...

Aí depois do Natal, tem a viagem.

Malas. Roupas. Malas que não precisem despachar. Travesseiros de pescoço. Unhas postiças. Manicure. Pedicure. Testa cabelo pro casamento. Testa maquiagem. Três opções de brincos. Pulseiras novas, pro caso de escolher o brinco três. JESUS, MEUS GRAMPOS DE CABELO ESTÃO TODOS ABERTOS! Preciso comprar amanhã. Compra esmalte. Vou levar dois, caso um não cubra bem as unhas postiças. Compra lápis de sobrancelha. Compra sombra dourada e nude pra Mariana. Hum. Qual papel eu imprimo das passagens? Argh. Não pode esquecer o carregador. Nem o fone de ouvido. Nem a máquina fotográfica. Nem os documentos. Nem o dinheiro. Nem o endereço do Hotel. O convite do casamento. Preciso por crédito no celular. Vou ver mais um tutorial da Julia Petit. Manda email pro hotel perguntando da lavanderia.  Manda email perguntando de taxi. Manda email perguntando da voltagem da tomada. 

Então. Fora isso, tem dois (até ontem eram três) aniversários pra editar fotos e encomendar livros. Tem a aliança que não chega.

E depois da viagem... Tem o ano que vem todinho pra planejar.

Agora imaginem euzinha deitada, tentando dormir, com todos esses pensamentos misturados na cabeça. Literalmente. Um a um. Pensados na noite anterior e repensados nessa. E pensem - e me digam se descobrirem - se há maracujina no mundo que possa resolver. 

Abraços, 
Jaqueline Rosa.


Interminável dezembro, de Ruth Manus

Estou, oficialmente, pedindo arrego.


Tô precisando ver no relógio o fim do expediente.
E ficar alheio, indisponível, ausente.
Tô precisando do barulho do zíper fechando a mala.
E de sala de embarque, conexão, escala.
Tô precisando do peso da pálpebra fechando o olho.
E ficar de boa, de cama, de molho.
Tô precisando de cheiro de filtro solar.
E ir pro sol, pro frio, pro bar.
Tô precisando do som das tardes vazias.
E olhar pro céu, pras noites, pros dias.
Tô precisando ouvir música ruim.
E de brigadeiro, tapioca, quindim.
Tô precisando baixar a frequência.
E me permitir deslizes, indisciplinas, imprudências.
Tô precisando abraçar gente amada.
E de exagero no churrasco, na cerveja, na feijoada.
Tô precisando de outros cenários.
E mudar de roupa, de eixo, de itinerário.
Tô precisando de alguma calma.
E lavar o carro, o rosto, a alma.
Tô precisando (logo) do fim do mês.
E me desligar de tudo, de novo, de vez.
Tô precisando da noite de 24.
E encher a taça, o saco do primo, o centro do prato.
Tô precisando da noite de 31.
E atentar para meu melhor compromisso: nenhum.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Sobre como eu me sinto amada

Nos ensinam desde pequenos que nada é perfeito. Não existem coisas perfeitas, trabalhos perfeitos, vidas perfeitas, amores perfeitos. Mas de repente, lá está ele, me acordando gentilmente com um beijinho carinhoso, um carinho na cabeça e um bom dia sussurrado - ele sabe que eu não gosto de muito alarde de manhã. Quando abro os olhos, a primeira coisa que vejo é seu sorriso, como se meu acordar lhe trouxesse alguma felicidade surreal. Ele mostra, orgulhoso, a bandeja de café da manhã que preparou pra mim. Eu me sento e ele abre um pouquinho da cortina. Pergunta se quero ouvir alguma música, mas eu digo que não. O silêncio do domingo de manhã enche o quarto, disputando espaço com todo aquele amor. Ele me traz a bandeja, conta o que tem ali e eu começo a comer. Não apenas o pão com manteiga, queijo e peito de peru, mas começo a me alimentar de todo aquele carinho e dedicação. Bebo, não apenas o café doce, quente e forte do jeito que eu gosto, mas cada gota de cuidado, gentileza e romance. Eu beijo suas bochechas e, ainda tomada de sono, balbucio palavras sem sentido e frases sem pé nem cabeça. E ficamos os dois, ele me abraçando e eu comendo, olhando para o céu azul atrás da janela. O silêncio nos aproxima. Como é bom poder ficar em silêncio com alguém e não se sentir desconfortável. Tudo está dito. Tudo claro.

Ele faz tudo por mim. Eu reconheço isso. E o melhor é que em cada ato, cada gesto, está todo o amor que há nessa vida. Ele me ama em cada gesto, em cada toque. Ele me faz tão bem... É difícil explicar. Não é o café da manhã na cama, sabe? Não é pelo lanche de peito de peru ou pelo ato de servir, de mimar. É o carinho implícito. É o sorriso dele. É o jeito que ele me abraça e me conta histórias enquanto eu como. São seus olhinhos pequenos e o jeito que eles me olham. E não é a toa que nas alianças, ao invés de nossos nomes e datas - completamente inesquecíveis - mandei colocar o trecho de 'Tão Bem', do Lulu Santos. Nossa música. Ela me faz tão bem. Ele me faz tão bem! Que eu também quero fazer isso por ele/ela. 

Eu vejo que ele me ama pelo jeito que ele me abraça no cinema enquanto eu choro vendo um filme meloso e triste. Sei que ele me ama porque vê comigo filmes melosos e tristes, mesmo detestando. Sei que ele me ama quando ele deita no meu colo e depois me convida pra dividir o sofá com ele. É amor quando ele dá os melhores travesseiros. E quando se esforça dia a dia pra ser aquele amor perfeito.

Ele me faz cócegas e me faz a mais feliz das garotas. Me faz sentir uma rainha. A mais bonita das mulheres. Com ele eu posso reclamar de sono, fome e frio. Posso pedir aquela mordida do Bis e um golinho do Yakult, posso dormir no filme que ele escolheu, posso ir ve-lo de camiseta e all star.

Ele aprendeu a fazer as mais maravilhosas caipirinhas de morango e vinho do mundo só porque era a minha preferida. Mas ele me carrega no colo porque sabe que eu tenho medo, acho que pra me obrigar a abraçar ele bem forte e esconder o meu rosto na curva do pescoço dele. 

Ele me apoia. Ele me respeita. Ele me ouve quando nem eu mesma quero me ouvir. Ele me olha e me vê. São olhares que invadem tudo o que eu sou. Ele me conhece. Sabe dos meus defeitos. Das minhas loucuras. Da minha psicopatia. Minha TPM. Sabe do meu medo de altura, da aflição que eu tenho com montanhas russas de ponta cabeça. Ele ainda tenta me fazer rir com vídeos idiotas. Ele ainda tenta me convencer a ver Senhor dos Anéis. 

Ele ainda faz com que eu trema de vê-lo chegar e anseie o dia todo por esse momento. Porque ele me pede pra ficar com ele pra sempre, sabe. Ele me marca em fotos de casas e diz que está pensando em algo assim pra nossa casa. Ele dá nome pros nossos filhos, apesar de serem nomes malucos de motos, e sempre me coloca nos seus planos e sonhos.

Ele me manda fotos de bebês. Me manda fotografias inspiradoras. Pede pra eu dançar e sei que ele é sincero (apesar de doido) quando diz que sou a melhor bailarina do mundo. Ele me faz tão bem...

Mesmo mau humorado, chateado, desiludido: não importa o dia, a aura, ele vem e me ama um pouco mais. Quando ele não vem, ele se faz presente. Aprendeu a escrever coisas lindas, apenas pra me amar ainda mais. 

Já são quatro anos e meio, mas em breve serão quarenta e seis. E eu podia ficar todos esses anos aqui, escrevendo sobre como ele é o meu amor mais perfeito. Mas fico aqui, pensando em mil e um jeitos de retribuir todo esse amor. Pensando se sou pra ele tudo o que ele é pra mim. 

Então, só pra vocês saberem. Perfeição existe sim. Só não é do jeito que achávamos. É uma perfeição imperfeita. Com as lições que precisamos aprender. Com as dificuldades que precisamos enfrentar, com o conforto que merecemos, com o amparo que precisamos, com o afeto que nos constrói, com o amor que nos fortalece.

Só posso ser grata à vida por ter me dado alguém que me dispense todo esse amor.

Qualquer dia escrevo (mais) um sobre o quanto eu o amo. Hoje o texto foi mais simples. Foi sobre como eu me sinto amada. 

Meu amor, obrigada por me amar tanto!

E, por favor, não se esqueça nunca que eu também te amo muito!

Jaqueline Rosa.



segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Fale sobre o que você ama [2]

Se as pessoas dançarem um pouco mais, cantarem um pouco mais, tornarem-se um pouco mais loucas, as energias delas fluirão mais, e seus problemas desaparecerão pouco a pouco. Desse modo, eu insisto na dança. (Osho)

Esse texto-desabafo-rascunho é na verdade um complemento do texto 'Fale sobre o que você ama'. Há tanto amor pra dar. E ficamos economizando. Ficamos nos economizando, evitando desperdiçar coisas boas: talentos, sonhos, sentimentos... Tudo fica escanteado e guardado pra ser usado no momento certo. No entanto, é falando do que se ama e fazendo o que se ama e estando com quem se ama e cultivando o que se ama... que trazemos o que a gente ama pras nossas vidas. 

É o que dizem: seja a mudança que você quer ver no mundo. Uns amariam ter uma semana mais tranquila, com mais paz, então são esses que devem começar agora mesmo a carregar mais paz nos seus corações e a levar a vida mais de boa. E é aquela coisa: se você ama estar à beira da piscina, enfrente o fato de que de vez em quando você terá que limpá-la. 

Eu penso que sou uma pessoa simples, que ama muitas coisas, mas que fica feliz mesmo com pouco dessas coisas. Mas estou aqui, no primeiro texto de dezembro pra falar de algo que eu amo, que sempre amei e que acho que sempre vou amar: a dança. 

Dancei jazz quando criança e fui fazer ballet depois de velha, quando já tinha as pernas tortas e corpo não mais tão esguio. Subi na ponta e desci rapidinho. Dancei hip hop pop e black music no colegial. Dancei axé no carnaval. Dancei tecno no clube. Dancei na roda de capoeira. Dancei em tecidos pendurados no teto. Fiz dança de salão com o amor da minha vida, sem nem saber que ele o era. Mas a dança que tem me conquistado dia após dia é a dança do ventre, que danço aos sábados nas aulas, danço ao lavar louça, ao escolher minha roupa pela manhã, ao me arrumar pra sair, no trabalho e no sono. Danço o tempo todo.

Há dois anos e cada dia mais, tudo o que eu quero, tudo o que eu penso, tudo o que eu faço é dançar. Muitas vezes, danço com os dedos, batucando na mesa durante uma reunião. Noutras, danço com a cabeça, apenas. Noutras ainda, com o corpo todo. Algumas vezes danço em sonho, flutuando leve. 

Deixe toda a energia tornar-se dança e, de repente... Chega um momento em que seu corpo não mais é algo rígido, ele se torna flexível, fluente. (Osho)

Ontem, ao lado de meninas incríveis - Juliana e Thaís - e na presença de Ju Marconato, uma grande inspiração pra quem tem a dança não só como exercício físico, mas como essência (como cura, como dom, como força, como algo que vai além do mundo físico. Algo que faz mente, alma e coração se alinharem), eu relembrei o poder que a dança tem sobre mim. O poder de acalmar. O poder de relaxar. O poder de enobrecer. O poder de transformar. Eu saí daquela escola, daquele workshop me sentindo melhor do que eu entrei. É esse o papel da dança na minha vida. É esse o papel que eu quero que a dança tenha na minha vida. Eu escolhi isso. 

Quando você dança, chega um momento em que suas fronteiras não estão mais tão claras: você se  dissolve e se funde com o cosmo, as fronteiras se misturam. (Osho)

Dois mil e quatorze foi, sem dúvida, um ano muito produtivo na dança. Alçamos para uma escola maior. Fomos à Khan el Khalili, ao Mercado Persa, ao Festival Shimmie, ao Talismã, ao Deusas que Dançam (foi esse ano ou ano passado?), fomos ao Festival Shimmie, ao SIX, ao FALA ESME Ao Vivo, ao workshop da Esme no Núcleo Ju Marconato, dançamos em julho, dançamos em novembro no Polytheama, fomos ao workshop da Ju Marconato em Campinas, onde vivemos quatro horas de grande aprendizado, enfrentamos nosso medo de solar prazamigas, vamos fazer um sarau e vamos encerrar o ano na Khan el Khalili, dia 21. Munira, Aziza, Hakina, Mahaila, Suheil, Tarik, Ju Marconato, Esmeralda, Nur, Soraia, Tony, Lulu, Nagla: esses são nomes potenciais, importantes na nossa dança. Nomes que estiveram presentes no nosso ano. Mas se existem pessoas que devem ser lembradas e agradecidas são essas aqui:

Thaís, minha irmã de verdade. 
Juliana, minha irmã adotiva. 
Priscilla, nossa tímida/decidida ciclista/vegetariana/designer
Soraia, que torcemos para que volte pra dança em 2015.
Renata, que nos adotou com tanto carinho e nos acolheu como grupo. 
E Flávia, nossa professora querida, a responsável por muito disso tudo. 

São essas mulheres que fizeram 2014 ser o ano MAIS DANÇANTE DA MINHA VIDA - até agora. 

Agradeço também, porque não posso deixar isso passar - ao Celso. Meu querido amigo e meu grande amor. Que me incentiva mesmo sem entender direito essa coisa doida que eu sinto pela dança. Que entende quando eu abro mão da sua tão estimada companhia para dançar e aprender. Que me prestigia e me anima quando nem eu o faria. 

Espero que os anjos da dança nos acompanhem em 2015 e que o ano possa ser tão repleto de bons momentos como foi o de 2014 - sim, dezembro mal começou e já estou falando de 2014 no passado. Espero poder dançar com vocês e celebrar com vocês a cada música, a cada conquista, a cada aprendizado. 

Sei que ainda temos muito o que viver nesse dezembro. E sei que oportunidades não faltarão para comemorações e planos. Mas é isso: obrigada.

E lembrem-se sempre:

Vamos acreditar em nós.
Nós somos lindas e poderosas.
Nós somos deusas da dança.
Então... Vamos dançar!!!!


Pode vir, 2015. Tô pronta!