sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Bora!

2016 foi, definitivamente, um ano de muito trabalho. Pelo menos 40h semanais na Prefeitura, mas normalmente muito mais. Escrevi sobre saúde, educação, obras, finanças, agricultura, cultura, turismo, trânsito, projetos. Acompanhei de perto mudanças que estão fazendo Cabreúva andar pra frente e projetos inspiradores.

Nos fins de semana, ao invés de descansar, me dediquei ao Registre Felicidade, meu trabalho com fotografia. Pra quem "nem era fotógrafa", o ano rendeu. Foram 52 trabalhos, praticamente um por semana (o ano teve 53 sábados). Fotografei bebês, crianças, famílias, gestações, sorrisos. Em casas, parques, praças, varandas, buffets.
No segundo semestre, embarquei em projetos de assessoria e fiz parceiros incríveis, como o Arq & Design e o Studio Belchior. Aprendi com eles e eles comigo.
Isso sem falar na dedicação a um emprego concorridíssimo - vaga de assessora de imprensa sênior do Sebrae SP - no qual fiquei em 5º lugar (não consegui o o emprego, mas ficar entre os 5 habilitados para o cargo, dentre centenas... foi uma vitória profissional e tanto!).
Fico muito feliz por olhar pra trás e ver o caminho percorrido. Ver as metas alcançadas. Fico orgulhosa de mim e isso me faz querer fazer mais, ir além. Ser uma profissional melhor, mais competente, mais dedicada, estudar mais, ajudar mais, fazer mais pessoas felizes.
Que venha 2017. Já vou começar a trabalhar no dia 1º, registrando a vitória e a felicidade. Foco no que precisa ser feito, fé no que quero conquistar. Bora!

Assim não dá




A vida não muda se você não mudar primeiro. É chato, mas é assim que a coisa funciona. Ou você toma outras atitudes ou vai continuar enfrentando as mesmas consequências. Ou você escolhe outros caminhos ou vai continuar andando em círculos ou chegando sempre no mesmo lugar. Ou pior: nem saindo do lugar. Tomar as rédeas da própria vida da trabalho. É preciso assumir a responsabilidade. Quando vc faz isso, imediatamente a vida dos outros não importam mais. Imediatamente, você vê que seu tempo é precioso demais pra ser gasto com coisas e pessoas que não se encaixam no que você acha certo (produtivo, inspirador...) pra sua vida. Quando você olha pra si e cuida da sua própria vida, você não tem tempo de falar mal das pessoas ou de julgar as atitudes delas. Quando vc olha pra si, vc ve Onde moram seus verdadeiros problemas e suas verdadeiras soluções. Descobre seus sonhos e seu lugar no mundo. Quando vc olha pra dentro, vc não pode mais se comparar e se diminuir, porque vê que vc é único. Quando vc olha pra si, vc ve Onde pode e quer crescer. Conhece seus talentos, seus sonhos, desmistifica características que os outros te deram e vc adotou sem querer. Percebe em quantas mentiras vc se apoiou e se desencosta. Sair do ofurô de cocô que é a zona de conforto (aquele que fede, mas é quentinho...). Pq se conhecer da trabalho. Conseguir estar em um relacionamento sério com a gente mesmo leva tempo: flerte, convite pra jantar, demonstrações públicas de afeto. Demora tempo. Mas vale a pena. É o amor mais verdadeiro que vc irá vivênciar. E o melhor: da pra se amar e amar outras pessoas ao mesmo tempo. Mas o contrário... O contrário não dá não. #amnesiando

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Mais ou menos assim


Comecei 2016 mais ou menos assim: morena, cabeluda e cheia de problemas, inseguranças e preocupações. Muitos medos, muitas certezas e muitas lágrimas. Com muita força, mas muita vontade de não ter que ser forte. Muita ânsia, muito vômito, muito jejum intermitente. Muita insônia. O ano foi passando, algumas escolhas foram sendo tomadas e novos rumos sendo traçados. Eu sempre digo que temos que nos comparar apenas com a gente mesmo e ver se estamos evoluindo. Sei que o tempo ruge e a sapucaí é grande, mas esse ano eu cresci bastante. Tirei um tempo pra me conhecer e, me conhecendo um pouquinho mais, pude me entender um pouco e me ajudar a me libertar de alguns medos e a conquistar alguns dos meus sonhos. Consegui dar passos largos na vida e iniciar planos que não imaginava que conseguiria. Descobri um sonho de vida e agora meus encontros e amizades com as outras pessoas são mais verdadeiros, pois não me relaciono mais por necessidade e sim por escolha. Tenho tanto pra aprender ainda é tanto a caminhar, mas nesse momento só posso ser grata. Bendita hora em que resolvi fazer isso por mim. Bendito o momento em que resolvi cuidar de mim, ao invés de cuidar dos outros. As coisas se encaixaram, a vida ganhou um pouco de leveza... E já me sinto alguns passos a frente de onde estava um ano atrás. E por pior que o ano tenha sido pro mundo, pra mim foi um ano de evolução, crescimento pessoal e profissional. Um ano de plantar e colher. De chorar, mas mais de sorrir. No fim das contas... Valeu a pena. #amnesiando

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Créditos da imagem: Oi, Aure

Sim, sei que a gente não se entendeu muito bem no começo. Primeiro, eu tentei ignorar vocês e depois, fingir que vocês não existiam. Depois, tentei a todo custo me livrar de vocês. E tudo o que consegui, a princípio, foi fazê-los se multiplicarem. 

É, vocês sabem como ser irritantes. 

E eu sei bem como não resolver problemas e fingir que to resolvendo. E perder o sono. E a fome. E a capacidade de manter alimentos no estômago. E a calma. E a esperança.

Sim, meus problemas de 2016 foram muito maiores do que eu poderia sonhar. Mas eu sobrevivi a todos eles. 

Acho que me saí bem.

2017, pode vir quente, que eu estou fervendo. E, na dúvida, cola na minha, que cê brilha.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

31 conselhos gratuitos

Na quinta passada, dia 8, pedi aos meus amigos do Facebook que me dessem conselhos sobre o que aprenderam em 2016, que eu retribuiria com meu conselhos. Fizemos, então, um compilado de 31 conselhos gratuitos. Enjoy!

1) Compre tudo à vista.
2) Faça seu dinheiro trabalhar pra você {e veja os vídeos do Me poupe}
3) Não vai de avião D:
4) Julgue seu sucesso pelas coisas que você teve que renunciar pra conseguir.
5) Saiba administrar aquilo que você sente.
6) Vença você mesmo e ganhará milhares de batalhas!
7) Não sofra por antecipação!
8) Seja gentil com o seu processo de aprendizado!
9) Você tem dentro de si a capacidade para realizar coisas extraordinárias.
10) Seja gentil com você como você é com seus amigos mais queridos!
11) Coma proteína no café da manhã.
12) Você nunca vai ter vontade de ir pra academia. Comece de uma vez.
13) Acredite em você mesmo, no fim, TUDO da certo!
14) Prosperidade é ter a confiança de que todas as suas necessidades serão atendidas.
15) Comer sushi em dias de TPM faz bem para o espírito!
16) Pensamento positivo traz coisas boas!
17) Lembre-se sempre que a melhor relação é aquela em que o amor pelo outro supera a necessidade.
18) Lamúria gera lamúria. Gratidão gera gratidão. Agradeça sempre.
19) Cada um dá o que tem no coração e cada um recebe com o coração que tem.
20) Disciplina e persistência te levam mais longe.
21) Nunca se compare com os outros, mas com o melhor que pode ser.
22) O que não te desafia, não te transforma!
23) Quando você olha seu medo nos olhos percebe que ele não eh assim tão assustador.
24) Contrato... Sempre faça contrato, por mais íntegra e idônea que a pessoa pareça.
25) Quando as coisas se repetem, existe uma lição que você ainda não aprendeu.
26) As crianças podem te ensinar a ser um adulto melhor.
27) Você tem que falar sobre o que você ama, para atrair o que você ama para sua vida.
28) Seja feliz, é o mais importante!
29) Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade!
30) Você nunca sabe a força que tem, até que sua única alternativa é ser forte!
31) Deus dá os fardos conforme os ombros. Confie em você!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Vem aí

Declaro oficialmente aberta a temporada de textos da categoria "Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo". Aguentem...


Em 2017 eu quero me livrar de vez do cartão de crédito. 
E usar meu dinheiro pra pagar meu primeiro apartamento.
Quero não depender de freela, mas trabalhar cada vez mais.
Quero folgar aos domingos. E descansar na minha folga.  
Quero voltar a ler meus livros.
E arrumar tempo pra estudar durante a semana.
Quero estabelecer uma rotina pros meus mil empregos. 
E continuar aperfeiçoando minhas técnicas culinárias.

Quero fazer uma viagem nem que seja pequenininha. 
E guardar dinheiro pros móveis planejados da Ju. 
Quero fazer mais as coisas só porque eu quero e menos porque eu tenho que fazer.
Ir ao cinema uma vez por mês e de vez em quando a um show que sonhei.
Sair pra dançar, assim sem vergonha, dois pra lá dois pra cá. 
Comer bolinho de costela, conhecer uma banda nova, ver Lago dos Cisnes no Natal. 

Ser mais gentil comigo mesma e rever aqueles amigos de outrora. 
Não manter amizades por conveniência, não cair na rotina em relacionamento algum.
Dar mais abraços, ler mais Pessoa. Sentar no chão, na grama, ao pôr do Sol. 
Não ter medo de ficar sozinha, ser minha melhor companhia. 
Me alegrar nas segundas: foco, força e café. 

Não deixar de beber, deixar o cabelo crescer.
Sair pra ver o mar. 
Estar sempre aberta pra ouvir, pra aprender.
Enfrentar o que for preciso, pra alcançar o que quiser. 
Ser mais leve, emagrecer a alma e o humor.
Parar de morder a boca pra dançar.

Sustentar a meia ponta, caprichar na postura, soltar o quadril.
E sorrir mais e aproveitar mais esses momentos só meus. 
E não ter vergonha da caminhada, do aprendizado.

Ouvir mais música, aguçar o ouvido e o coração.
Não perder a sensibilidade, exercer empatia, me doar pra alguém. 
Não acumular nem roupas, nem angústias. 
Deixar ir, sem demora, que o tempo ruge e a sapucaí é grande. 
Não ter tempo pra perder, mas não ter pressa de chegar também. 

Não esquecer dessa lista, não deixar que o ano acabe sem ter valido a pena.
Não abrir mão de viver cada coisa.
Não esquecer que um dia a mais é também um dia a menos. 

Não desperdiçar.
Comida, palavras, dinheiro, paz. 
Tempo. 

Não economizar.
Sorrisos, danças, declarações de amor.
Vida.

Um brinde à liberdade poética!


Jaqueline Rosa.






sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

notas sobre ele

Ele é taurino. Nasceu bem na metade do mês de maio de 89, mas nem por isso faz parte daquela galera que fica falando que os anos oitenta foram os melhores (ainda bem!). Ele tem os olhos pequenos, escuros e sérios, focados. Tem valetas acima das orelhas, onde as hastes do óculos de grau o apertaram por anos. Na nuca, o cabelo dele fica mais pro lado direito - e quando andávamos de moto eu tinha a mania de ficar arrumando... 

Nem sempre ele bebe café no café da manhã - o que pra mim não tem lógica alguma. Ele nunca enjoa de frango grelhado e come batata doce numa boa antes do treino. É aquele tipo de pessoa que gosta de ir pra academia - não consigo entender porquê mas acho bonitinho. 

Ele tem mãos firmes. E aquele aperto de mão confiante, que olha no olho e diz a que veio. Ele fica ótimo de gravata. De all star também. Ele pressiona os lábios quando toca bateria exatamente como eu faço quando danço. É pra ajudar na concentração, sabe. 

Ele é especialista em macarrão com carne moída, não dispensa um hambúrguer bem feito e nem uma cerveja gelada, mas topa quando a proposta é vinho e frango crocante com creme de cogumelos. É um homem que sabe valorizar o sabor de uma comida de qualidade mas não vê diferença entre o pão francês mais torrado ou cru. 

Ele é ótimo com crianças e elas - assim como as velhinhas e os bêbados - sempre o adoram. Ele conta histórias e faz graça e sorri pra mim quando vê bebês gorduchos no shopping. Ele tem um coração bom. Trabalha muito e, às vezes, até de graça, se for pra ajudar alguém. Ele diz que não tem paciência pra atendimento ao público, mas sempre o faz com atenção e cuidado.

Ele preza demais a família e veste a camisa mesmo. Ele muda a voz pra falar com os gatos e os pega no colo mesmo sabendo que vai espirrar o dia inteiro, depois disso. Ele prefere UFC a futebol. Gosta de ver jornal. Sempre sabe o que está acontecendo no mundo e tem uma boa memória pra fatos que eu nem sabia que tinham acontecido. Ele sabe de foguetes, de carros, de lugares, de pessoas, de política, de direito, de esporte. Hoje em dia, quase não vê televisão, mas me deixa escolher os programas quanto temos a chance. 

Ele era incrivelmente bonito quando tinha cabelos na altura dos ombros e era um motociclista cabeludo, barbudo e rockeiro - e ficou ainda mais bonito quando os cortou. Ele não come peixe, mas já "experimentou" várias vezes meu sashimi de salmão.

Quando vai ao cinema faz sempre questão da pipoca. Quando faz pipoca, faz sempre questão do catchup (na verdade, ele come qualquer coisa com catchup, só falta por no pudim). Ele gosta de desenhos animados. De música ao vivo. De viajar.

Os olhos dele brilham quando ele fala da Irlanda. Ele é um filho bom e atencioso, mais carinhoso do que eu jamais conseguirei ser. Ele tem ambição e orgulho de si, mas não parece um idiota pretensioso ao fazê-lo. Ele sabe que o mundo tem muito a oferecer e ele sabe que merece. Bom, na verdade ele pode não saber... Mas eu sei.







quinta-feira, 11 de agosto de 2016

#SouGrataPor quem me ensina a dançar

Hoje, estava pensando nas professoras de dança que passaram pela minha (ainda curta) trajetória e no quanto uma me levou a outra e no quando seus trabalhos se complementaram. 


Foi mais ou menos assim, ó:

Comecei minha caminhada de dança em 2009, no Espaço Shiva, em Cabreúva. O Shiva sempre foi meu lugar de calmaria, meu lugar de paz. Amava aquela escola e vestia a camisa. Lá fiz ballet, dança de salão, yoga, me apaixonei pelo meu noivo... 

Quando troquei o ballet clássico pela dança do ventre, em 2013, conheci Flávia Luchesi (fofo 1), que foi minha primeira professora. A Flavinha nos acolheu. Mostrou o mundo mágico da dança árabe, nos apresentou bailarinas incríveis, únicas, que construíram a dança do ventre e ensinaram gerações. Ela, mais do que dar aulas, nos incentivava. Mostrava vídeos, recomendava textos, contextualizava a história. Foi através da Flávia que começamos a ter os primeiros vislumbres da profundidade histórica da dança. De Soheir Zaki a Najla e Elis Pinheiro, muitas foram as inspirações que ela nos deu.

Conheci a Munira (foto 2) em dezembro de 2013 no salão da minha sogra. Nunca, nunca tinha imaginado que ela um dia seria minha professora...


Em 2014, haveria uma troca de professoras no Shiva e fui estudar em Jundiaí, na Amira Dança e Movimento, para continuar fazendo aula com a Flávia. Duas coreografias e muita empolgação! Começamos a acompanhar bailarinas brasileiras, como Munira, Aziza, Ju Marconato, Esmeralda, fizemos workshops, começamos a frequentar de vez em quando a casa de chá Khan el Khalili em São Paulo, onde vimos Ju Marconato, Nur, Mahaila, Tarik. Também em 2014, conhecemos o Mercado Persa, maior festival de dança árabe da América Latina. Lá, encontramos: Soraia, Tony Mouzayek e vimos muita dança de qualidade. No show, a noite, nos apaixonamos ainda mais pela dança. Fomos ao Fala Esme Ao Vivo, ao Festival Shimmie, ao Núcleo Ju Marconato. Encerramos esse ano incrível na casa de chá, celebrando.


2015 começou esquisito. Jundiaí estava ficando pequena pra nós e nossos sonhos e nossa empolgação. Queríamos dançar com todas as pessoas incríveis que víamos no Youtube e na casa de chá. Queríamos saber o que elas sabiam, fazer o que elas faziam. Foi então que decidimos ir estudar em São Paulo. Começamos o ano com workshops incríveis: Ana Claudia, Mahaila, Nur, Priscila Samra e Aziza. Depois foi a vez do Estúdio de Dança Munira Magharib entrar na nossa vida. 

Estar nessa escola, estudando com a Munira, era como ser criança e ser levada à oficina do Papai Noel pra confeccionar seu próprio brinquedo. Estávamos maravilhadas. Não dá pra descrever o tanto que a Munira nos ensina. Munira é exigente. Só elogia quando realmente está bom. Tem olhar clínico, um bom humor envolvente e um profissionalismo tão impecável quanto sua dança. Munira nos fez saltar pra um mundo de possibilidades. O que era apenas 'admirável' passou a ser 'alcançável'. Vimos que o caminho seria longo, que estávamos só começando. 

Meu coração se encheu de alegria. Dancei no sarau da escola e foi um dos momentos de maior emoção do ano! Fomos ao Mosaico, na Shangrilá, referência de dança árabe. Dançamos, muito. Esmeralda, Mahaila. Pela primeira vez, víamos ao nosso lado, como alunas, professoras que tanto admirávamos, como a Nur e a Aziza.

Veio o segundo semestre e com ele o Curso de Aperfeiçoamento Técnico com Elis Pinheiro (foto 3). Dona de braços poéticos, uma dança cheia de possibilidades e uma voz doce, Elis nos abriu os olhos: pra história da dança, pros lugares comuns em que caímos ao improvisar, para realidade do Egito, pra músicas que nunca imaginaríamos dançar... Abriu nossos ouvidos para reconhecer os instrumentos, pra pensar em caminhos e nos deu alvará para sermos únicas dançando. 

No fim do ano, veio a glória: uma apresentação linda na Festa das Alunas do Estúdio da Munira. Que honra, que alegria...!


2016 veio: continuamos firmes nas aulas da Munira, que além de toda a técnica, nos ensina a improvisar, a sentir a música, a sorrir com a dança. Como Munira nunca é demais, comecei um Curso de Aperfeiçoamento Técnico com ela, aos domingos. Dinheiro super bem investido, pois cada aula é uma dádiva, um presente.

O próximo curso de aperfeiçoamento que farei começa amanhã, com a linda bailoca Esmeralda Colabone (foto 4). Já fiz três aulas com ela, já vi mil vídeos seus no Youtube e admito: é uma das bailarinas que mais admiro. Uma dança limpa, classuda, delicada e forte, ao mesmo tempo. Esmeralda é o poder em pessoa. Única. As duas principais características da dança dela, pra mim, são: a calma e a personalidade. Ninguém nunca vai dançar como ela, porque a dança dela é ela própria. Fora que é um amor de pessoa. Uma das mais simpáticas e queridas bailocas. O curso com ela será rápido, quatro meses. Mas sei que chegará a minha hora de fazer aulas regulares com essa professora incrível. 

Essas são minhas quatro professoras "regulares" de dança do ventre. O que quero dizer nesse texto é que a vida sempre dá um jeito de colocar pessoas especiais no nosso caminho. E só tenho a agradecer a cada uma dessas mulheres que - ao lado das minhas parceiras de dança, as mulheres lindas que dividem esse sonho comigo (Ju, Thata, Pri, Soraia, Letícia, Renata, Kaly, Cecília, Estela, todas...!) - me inspiram dia após dia e me ensinam tanto!



A vocês, Flávia, Munira, Elis e Esmeralda, meu amor e minha gratidão!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Oito anos

Eu sei que eu não tenho escrito muito por aqui. 

Houve um tempo em que tudo que era feito ou sentido ou pensado precisava ser escrito. Hoje, sou mais silêncio. Sou menos melancolia.

E por mais que as coisas, vez ou outra, fiquem um show de horrores, eu já não venho aqui mais pra reclamar delas.

Hoje o Amnésia completa oito anos. Oito anos de escritas puramente biográficas. Em 2008, eu estava no colégio. Segundo ano. Tinha quinze anos. Era segura, cheia de amigos, engraçada, colunista, não usava óculos, me chamava de 'mulher'. 

Hoje, aos vinte e três, nesse momento da vida tão decisivo em que morro de vontade de viver minha adolescência não vivida e morro de necessidade de partir logo pra tal vida adulta, não sei mais me definir.

Meu momento agora é de transformação. Dia desses fiquei vários minutos vendo uma lagarta sair do casulo, certa de que a veria ser borboleta e fotografaria suas asas se abrindo pela primeira vez. Infelizmente, o tempo ruge e não fiquei pra ver esse momento. Demorou, demorou, demorou. No outro dia ela estava lá ainda, carregando o casulo, preso à metade dela. Depois, sumiu. Acho que voou. 

Mas a questão é: transformar-se leva tempo, energia, força. Imagino o peso do casulo pr'aquela lagarta presa à parede. Ela andava devagar, arrastando-o consigo a cada passo. Eu via nela o esforço.

Ultimamente, tenho me sentido meio assim. Mas cada passo dado é também uma alegria. Uma pequena chama de luz que se acende dentro de mim. Uma centelha, que brilha e apaga. E depois outra. E no dia seguinte, outra. E em breve pretendo me sentir como a Katy Perry em Fireworks. Explodindo. 

Meu momento é de respirar fundo. De parar e pensar primeiro em mim. De agir conforme as minhas vontades, respeitando meus desejos porque eles fazem parte de quem eu sou de verdade.

A tarefa não é fácil. Mas reza a lenda que aceitar as regras é ainda pior do que escolher o que queremos. 

Tenho me permitido transbordar. E tenho prestado atenção a esses momentos, com um olhar gentil e um sorriso delicado. Tenho chorado de alegria... Nossa, há quanto tempo que eu só chorava de tristeza e decepção...! Que delícia chorar emocionada vendo um vídeo bacana ou assistindo dança... 

Isso, tenho certeza que eu sou. Sou alguém que anda sempre cheia até a borda. Pesada, intensa, prestes a transbordar. E é o que me faz - imagino - ter tantos quereres nessa minha lista imensa... (ou o contrário, vai saber). É o que me faz me excitar com as coisas sendo queridas, planejadas e realizadas...



:)

Feliz aniversário, Amnésia <3 p="">

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Depois dos trinta...

31 – Amo a natureza
32 – Odeio insetos. Principalmente os que voam.
33 – Tenho dó de matar insetos.
(e as três coisas conseguem coexistir na mesma pessoa sim, sem transtornos de personalidade)
34 – Não sou excelente em nada. Mas sou boa em várias coisas.
35 – Sou super protetora.
36 – Antigamente não gostava dos meus pés. Mas desde que me dei conta de que sem eles eu não faria muitas das coisas que eu amo fazer – como dançar – passei a ser grata por eles.
37 – Acho o Brasil um país ótimo.
38 – Conquistei muita autoestima com a dança do ventre.
39 – Tenho apenas uma tatuagem pequena, que fiz escondida dos meus pais (assim como foi com o piercing no umbigo e o cabelo vermelho)...
40 – Vontade pra tatuar o resto do corpo não falta.
41 – Doodle Time, Devaneios com Sigmund e Freud, Mafalda, Calvin e Haroldo,... amo quadrinhos.
42 – No começo tinha vergonha de usar óculos. Hoje, amo e (se reclamar...) até coleciono...
43 – Prefiro beijinho a brigadeiro.
44 – Fiquei um ano sem comer morango por promessa a São José. Meu pedido foi realizado na mesma semana em que prometi, foi ótimo.
45 – Meu primeiro email foi sim jacky_harry@hotmail.com e foda-se
46 - Duas vezes seguidas, na quarta e na quinta séries, eu agitei festas surpresas para as professoras para agradá-las e, óbvio, matar aula. Na segunda, inventamos pra Bia Sioli que a Carol Cintra tinha desmaiado e ela foi desesperada correndo ver a Carol e... SURPRESA (até meus carinhos são meio psicopatas...)
47 - Super acredito no poder medicinal das plantas
48 - desisti de usar sutiãs de bojo/aro há uns dias
49 - desisti de alcançar padrões inalcançáveis de beleza há alguns meses
50 - odeio gente que vê tudo com negatividade
51 - eu não acredito em amor a primeira vista. Pra mim, amor é escolha e construção.
52 - não como goiabada com queijo. nem banana com comida. 
53 - na infância, eu acreditava ser uma espécie de bruxa. Achava que o poder dos quatro elementos estava em mim... Nunca deixei de acreditar nisso totalmente e Ju Marconato apareceu na minha vida pra me mostrar que eu estava certa,
54 - em brincadeiras de mocinho e vilão eu sempre queria ser o vilão porque imaginava que ele podia fazer o que quisesse e o mocinho só tinha que ficar "ó, e agora, quem poderá me ajudar"
55 - A pessoa que eu achava que seria minha melhor amiga pra sempre não fala comigo desde 2013. Assim como foi com todas as amizades "eternas" que nasceram até 2008. No colegial, fiz menos amizades eternas. Uma ainda existe. Na faculdade, já cheguei sabendo que nada era pra sempre. E embora tenha muito carinho pelas pessoas, sei que elas não vão mais fazer parte da minha vida.
56 - já fui colunista de jornal e tenho uma coluna no itu.com.br ❤
57 - não sigo nenhuma religião. Deus, pra mim, esta em todos os lugares e em todas as pessoas. Não necessariamente em um prédio de pedra no domingo de manhã
58 - no entanto, o slogan de um dos meus blogs da vida veio da omilía de um padre: "Quem puder compreender, que compreenda"
59 - meu blog não chama amnésia à toa. Oi, meu nome é Dory!
60 - nesse exato momento, estou atrasada. Coisa que normalmente não sou capaz de fazer porque me preocupo demasiadamente com as coisas. 

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Trinta coisas sobre mim:

1 – Eu durmo muito cedo: por volta das 21h.
2 – Eu anoto coisas: na agenda, no calendário, na palma da mão, em post-its...
3 – Detesto fazer as coisas por obrigação. 
4 – Sou uma ótima fazedora. Gosto de fazer as coisas eu mesma.
5 – Eu me empolgo muito com novos projetos, novas ideias. Fico ansiosa, quero tudo perfeito. Aquele projeto/ideia vira a minha vida até passar. E então, eu preciso de outro projeto/ideia...
6 – Sou viciada em organizar meu guarda roupa – principalmente em dias tristes.
7 – Ainda sonho em ser bailarina – queria saber todas as danças, todas as modalidades. Vejo filmes de dança e sonho por semanas...
8 – Amo viajar. É algo que me completa, me faz sentir viva.
9 – Meu sonho aos 12, 13 anos era trabalhar para alguma revista de viagens e ser paga pra escrever sobre os lugares maravilhosos que eu conheceria de graça. Na verdade ainda é meu sonho (a quem interessar possa).
10 – Eu amo crianças. Vejo elas no shopping e fico comentando como são fofas, bochechudas ou pequenininhas.
11 – Eu permito que outras pessoas sejam grossas ou indelicadas comigo sem revidar. Depois eu choro, mas não consigo responder na hora. Não sei me defender.
12 – Não assisto filmes de terror. Acho babaca.
13 – Dou conselhos amorosos de graça.
14 – Adoro fotografar o céu, flores, crianças e gente que não gosta de ser fotografada.
15 – Odeio cozinhar com gente por perto – principalmente minha mãe.
16 – Sempre fui apaixonada pela França. Sempre.
17 – Não sou fã de destilados. Meu lance é cerveja ou, no máximo, um vinho.
18 – Eu me sinto velha o tempo todo. “Tenho sonhos adolescentes, mas as costas doem”, como diz a Sandy.
19 – Detesto Walking Dead.
20 – Sou viciada em Grey’s Anatomy.
21 – 99% dos filmes que você me perguntar se eu vi a resposta é não.
22 – Comi muita alface durante a infância porque minha mãe dizia que ia deixar meus olhos verdes. Fui enganada.
23 – Amo fazer aniversário. Amo comemorar o meu aniversário. Amo. Amo. Amo.
24 – Já tive uns oito blogues. Um (www.amns2ia.blogspot.com) ainda persiste, desde 8 de julho de 2008.
25 – Sonho em ser doula.
26 – As vezes queria ser outra pessoa. Outro rosto, outra história, outro país.
27 – Eu amo meu nariz.
28 – Eu acredito em extraterrestres, mas não em fantasmas.
29 – Aprecio tudo que me direciona ao auto conhecimento.
30 – Quando a Nova Brasil FM passou a ser Nova FM e começou a tocar músicas internacionais uma parte de mim morreu.
Brinquem também, é um ótimo exercício de auto conhecimento.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Roda da Vida

Aposto que se você for fazer uma lista de cabeça sobre áreas da sua vida vai falar trabalho, lazer, família e, talvez, amor. Sim, temos mesmo o costume de passar batido nas coisas importantes.

Família é com certeza uma área esquecida, se você não for o chefe dela. Afinal, nós, jovens, temos aquele hábito de fugir do nosso habitat natural e nos escorar em outras casas, outras famílias. Relacionamento amoroso, pelo menos para mim, é a área de maior investimento, embora não seja tão simples de garantir satisfação total, pois sempre há o que melhorar. Já a vida social, ela parece completa até que você para pra pensar quantos amigos você já deixou pra lá por pura preguiça de puxar assunto ou marcar jantares. Péééééééé nota zero pra boa vontade.

Em seguida, vem a espiritualidade. Oi? O que? Eu? Duro cuidar da sua espiritualidade quando não se prende a rótulos religiosos. Ultimamente, Ju Marconato tem me inspirado melhores sentimentos  que todos os apóstolos e mártires. Mas afinal, por que deixar nossa paz interior tão de lado? É a área realmente abandonada, cheia de teias de aranha. Depois, a diversão. Ah a diversão. No meu caso, dançar e ver dançar. Ah  e a satisfação que isso traz. Mesmo se fossem menos horas, a satisfação seria a mesma. Tão energizante, relaxante, empolgante, emocionante... 

Em seguida, a plenitude. Você está satisfeito com quem você é? Hum... Próxima!

Contribuição. Ser voluntário, fazer doações, ajudar o outro, ser gentil, ser cordial, respeitar. Lições que eu tento, eu juro, por em prática no dia a dia. Mas é tão difícil se elevar, não é? Não posso me dizer satisfeita com os resultados. 

Financeiro. A área que, nesse momento, está recebendo muitas energias. Para conquistar, para aprender, para poupar e ter. Difícil, mas estamos investindo forças. Já já, os resultados virão.

Depois, o propósito. Onde você quer chegar? Sabe pra onde ir? Como chegar lá? Cof cof...

Então, depois vem a disposição. O auto cuidado: com a saúde, a alimentação, o corpo, a qualidade do sono, etc. Tudo bem, tranquilo e favorável. Dormindo até de mais. Faltam as frutas, as verduras... Mas quem sabe com a horta...

Daí vem o emocional. Abalado a ponto de me fazer vomitar e emagrecer vários quilos, que as pessoas insistem em reparar que perdi. Difícil investir nessa área. Como cuidar do nosso emocional? Tenho tentado evitar as tretas, respirar fundo e cultivar o silêncio, mas é tão difícil, tão difícil... E não tem sido o bastante, pelo visto.

E então, o intelectual. A auto imagem profissional, os cursos, os interesses, as chances de melhorias... Uma área que consome grande parte das nossas horas semanais, mas que nunca é o bastante. Queremos sempre mais que ontem, sempre mais que hoje. 

Uma área está ligada a outra. Sem emocional equilibrado, o intelecto sofre, a espiritualidade vai a míngua, perdemos a diversão, esquecemos o amor, o propósito, não temos forças para contribuir... E por aí vai.

Quando preenchi minha Roda da Vida é que notei como estou em desequilíbrio. Como invisto em uma área, talvez duas ou três e esqueço que as outras existem. É um bom método estratégico de avaliação e definição de objetivos. 

Quem tiver interesse, esse é o link: http://www.mrcoach.com.br/teste-roda-da-vida.php

Pra mim, valeu a pena. Me abriu os olhos. Espero daqui uns tempos, ver melhorias.


terça-feira, 8 de março de 2016

Desconstrução

Oito de março de 2012. Quatro anos atrás: as (as vezes) malditas lembranças do facebook me mostraram o que publiquei nesse fatídico Dia Internacional da Mulher.

Coisas como:


Olhei isso e, francamente, não ri. Na verdade me questionei por que teria publicado uma babaquice dessas. 

Quando vi esse quadrinho hoje, vi meu processo de desconstrução. Vi que "se revoltar com o corpitcho que não é mais o mesmo", "se matar na academia", "sair do sol pra não dar rugas" e "sair com a cabeça doendo do salão" tem a ver com não se encaixar no padrão de beleza imposto pela mídia/sociedade e a não aceitação de quem se é realmente. O que leva mulheres a se odiarem, a desejarem o suicídio, a não serem felizes. A mentirem pra si mesmas. A estarem com pessoas que reforçam esses sentimentos. A odiarem outras mulheres. A fomentarem a competição.

Vi que "trabalhar fora e ainda conseguir cuidar da casa e dos filhos (e do marido e dos pais doentes e do cachorro e das plantas e da decoração do apartamento e de manter o armário abastecido)" é a reafirmação da ideia de que a mulher conquistou o mercado de trabalho, mas que todo o resto continua sendo "coisa de mulher": lavar a louça, a roupa, fazer o almoço, limpar a casa, trocar fralda. Mas as obrigações não param aí, não é mesmo? Tem que estar em dia física, estética e emocionalmente. Ser carinhosa, atenciosa, delicada, sensual. Vi o quanto publicações como essas, inocentes, reforçam conceitos de mulher pra casar. Mulher pra não casar. Coisas de mulher e coisas de homem. 

Sabe essa mocinha toda vermelha gritando de raiva por uma briga no telefone? Pode ser eu, pode ser você - tendo simples acessos de fúria - e pode ser aquela amiga que na verdade está sendo incentivada a acreditar que é maluca. Isso chama *gaslighting* e é um tipo muito sério de assédio, em que a mulher é levada ao descrédito (você é louca, sua neurótica, exagerada).

Sabe se arrumar cuidadosamente pro amado? Então, faço isso sempre. Todas fazem. E devem fazer. Os amados também. Adoro quando o meu se arruma pra sair comigo. Mas façamos isso com algumas coisinhas bem esclarecidas na cabecinha: quem tem que te amar, te achar bonita, sensual e bem arrumada é você. Não outra pessoa. Amor próprio é um processo de construção e desconstrução. O mundo vende muito mais quando a gente se odeia: de cosméticos a antidepressivos. Acha que vão incentivar o amor e a aceitação? É difícil, eu sei. Mas precisamos ter forças e construir esse amor dia após dia pra, um dia, ele ser firme, consistente, real.

Tudo isso pra dizer que, em quatro anos, eu mudei. 
Hoje, eu leio. Eu estudo. Sobre estupro. Sobre direitos humanos. Sobre violência obstétrica. Sobre humanização. Sobre revenge porn. Sobre racismo. Sobre amor próprio. Sobre negras assumirem seus cabelos. Sobre violência doméstica. Leio relatos. Ouço mulheres. Participo de grupos. Hoje, antes de julgar, pondero. Antes de apontar o dedo eu penso "e se fosse comigo?", antes de compartilhar algo ou de rir de alguma coisa eu penso em quem está sendo humilhado. 

Sabe o que quero de dia da mulher? Quero sororidade. Sim. Quero pagar o mesmo que um cara pra entrar na balada (porque hoje eu entendo o que isso significa). Quero partos respeitosos. Quero me sentir segura. Quero que outras mulheres se sintam seguras. Quero que a sexualidade seja respeitada. Quero que a louça seja responsabilidade de quem sujar. Quero que quem ganhe mais pague a conta. E se ganharem igualmente, que dividam. Até a do motel. Quero que parem de dizer que conseguimos um aumento ou promoção por sermos bonitas, mostrarmos os peitos ou dormirmos com os chefes. Quero que parem de nos dizer o que vestir. Quero que as marcas parem de usar nossos corpos para vender. Quero que cervejas, videogames e carros de corrida sejam vendidos pra mim nas propagandas - e fica a dica: eu não compro cerveja por causa dos peitos da Verão tá? Quero ser ouvida na reunião de trabalho. Sem ser interrompida e sem que um homem leve os créditos pelas minhas ideias. Quero poder ser mãe (ou não ser) sem que desmereçam minha escolha. Quero poder ter poder. Sobre meu corpo. Minhas escolhas. Minha vida. Meu tempo. 

Quero que o mundo fique cada vez mais chato. Que cada vez mais coisas importantes virem pauta, ganhem os TT no twitter. Que vejamos mais "Minas na História", "Beyoncé Feminista" e "Empodere Duas Mulheres" e menos "Mais uma mulher morta"*. 

Que mais TEDx chamem mulheres. Que mais veículos façam o que o Youtube está fazendo (dando espaço e voz a mulheres empoderadas para que empoderem ainda mais mulheres). 






Amém.





*não literalmente, porque a página é maravilhosa, mas que ela tenha menos conteúdo pra divulgar, isso sim seria um sonho.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Acúmulos

Aí vem a verdade: o autoconhecimento traz a vergonha.

Não sei direito por onde começar. Sabe aquele programa da tevê por assinatura, em que as pessoas caminham por pilhas de lixo, que estão entulhadas nas casas delas, de tantas coisas que elas acumulam? E você olha e fica pensando "meu deus, como elas deixaram chegar nesse ponto?" Pois é. Antes de achar esquisito, antes de achar nojento, de zoar, de julgar, façamos um exercício.

Exercício:

Vá até seu quarto munido de tempo e paciência, de preferência naquele dia em que as roupas sujas voltam magicamente limpas e passadas para seu quarto. Conte quantas calças você tem. Quantas camisas. Quantos calçados. Quantos livros. Quantos acessórios. Quantos perfumes, cintos, hidratantes, dvds, etc. Agora pense: você sabia que tinha tudo isso? Acha que precisa de tudo isso? Acha que tudo bem você ter tudo isso e continuar comprando/desejando coisas? Você usa todas essas coisas que você tem? 

Fim do exercício.

Se você não é nem Buda, nem Dalai Lama nem Madre Tereza: você provavelmente vai ter vergonha de ser quem você é no fim desse exercício. Porque somos pessoinhas que compartilham coisas bonitas no facebook, somos a geração que mais fala de sustentabilidade e nossos guarda-roupas (o meu, pelo menos) continua abarrotado de coisas.

Se tenho vergonha? Tenho sim senhor. E é sobre a minha vergonha que quero escrever.

Aqui começa o texto "Acúmulos"



Um dia (o lobo mau bateu na porta) resolvi contar quantas calças jeans eu tinha. Eram muitas e há muito tempo não comprava nenhuma. Mas eram muitas, mais de vinte. Calças de dez ou dois anos, calças que nem serviam mais, calças que nunca tinha usado, calças que não gostava e umas cinco que usava sempre. Doei várias e, ainda assim, continuo com mais calças jeans do que sou capaz de usar. 

Com minha mania de limpeza e organização reforçadas por vídeos do Youtube e páginas do Facebook, resolvi fazer o mesmo com a sapateira, na semana passada. Usei dicas de youtubers, coloquei revistas nas botas, para que os canos não amassassem, limpei, comprei desumidificadores e aquele produto que dá brilho nos sapatos, separei seis ou sete pares bons para doação e, por curiosidade, contei os que voltariam para a sapateira: trinta e quatro pares de sapato. Trin-ta-e-qua-tro! Posso usar um sapato por dia durante o mês todo e sobra sapato!!! 

Achei tão absurdo! Estou obcecada por esses números enormes! Tudo eu tenho demais. Não há nada que me falte (a não ser meias, não sei o que acontece, elas simplesmente somem!). O que mostra que: sou extremamente privilegiada por ter tudo que preciso e mais um pouco; que não preciso gastar dinheiro com essas coisas até 2040; que sou acumuladora; que era hipócrita (eu nunca, nunca mais direi que não tenho o que vestir, não importa o que digam as blogueiras de moda); que era extremamente desorganizada.

Porque gente organizada certamente saberia onde estão as outras quinze calças jeans que não usa no dia a dia e ao encará-las todos os dias ou se livraria delas ou não teria coragem de ser hipócrita e dizer que não tem o que vestir quando muita gente realmente não tem. 

Acelerando um pouco a linha de pensamento

Por que nos enchemos de coisas?
Por que comprar coisas se não podemos comprar uma mini horta de temperos sem grotóx pra por no quintal?
Por que compramos coisas se as coisas mais legais não são coisas?
Por que não usamos esse dinheiro pra conhecer o mundo
Por que achamos que as pessoas ligam pro que estamos vestindo?
Por que temos tanto apego?
Por que temos sentimentos por coisas? Não seria melhor te-los por seres (humanos ou animais)? Por lugares? Por cores? Por mares? Por sons? Por cheiros? Por palavras? Por gestos?
Por que, mesmo que inconscientemente, fazemos coisas das quais nos envergonhamos?
Por que olhamos tanto a vida dos outros e não prestamos atenção aos nossos vícios e erros?

Que tal

Adotar aquela postura do menos que é mais?
Guardar dinheiro? Investir e multiplicar?
Fazer uma horta e parar de comer agrotóx?
Cozinhar mais pra mais amigos?
Aproveitar o monte de coisas que você tem de verdade?
Ler os livros antes que eles mofem e precisem ir para o lixo (ou doá-los logo para a biblioteca da cidade)?
Dar uma de Cris Guerra e ser seu próprio estilista e parar de ouvir o que os outros dizem sobre moda?
Que tal cuidar mais da gente por dentro?
Que tal ser um pouquinho mais parecido com as pessoas que você admira?

Hein? Hein? Hein? ;)





PS: desafio do closet é um desafio em que você fica seis meses sem comprar artigos de closet e não pode repetir o look nenhuma vez, apesar de poder repetir as peças.  É uma brincadeira bacana de criatividade e conhecimento. Além de economizar bufunfas.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Pensando, pensei

Experiência própria:

Às vezes, por mais difícil e louco que pareça, você resolve tentar conquistar uma coisa pra sua vida. Algo que quer muito, algo que quer pelo menos tentar, "fazer uma pra Deus ver", como dizem. Aí, você vai e tenta. No caminho entre o querer e o conquistar você invariavelmente irá encontrar: pessoas que te amam, querem seu bem e por isso te ajudam; pessoas que te amam, querem o seu bem mas não te ajudam; pessoas que deixam de ajudar porque simplesmente não podem ou não conseguem ou não sabem como; pessoas que não te ajudam te propósito; pessoas que te atrapalham sem querer e pessoas que te atrapalham de propósito. Cada uma dessas pessoas tem um papel na sua busca. Como você reage a cada uma dessas pessoas, é com você. Minha dica é: enfrente. Em frente, sempre. Cada dificuldade, seja ela promovida por uma pessoa ou por uma circunstância, pode ser usada como incentivo, como trampolim, como degrau. Você pode até desistir e culpar essa ou aquela pessoa pra sempre e, vou dizer, isso nada vai mudar na vida dessa ou daquela pessoa. E nem na sua. Você vai continuar exatamente onde você está, com o acréscimo apenas de mentiras pra si mesmo. Ou, ao invés disso, você pode dizer que 'apesar de você, amanhã há de ser outro dia' e pensar: como posso resolver isso? Como posso dar o próximo passo? Para ir mais longe, qual o melhor caminho nesse momento? E assim, com um pé atrás do outro, devagar, você inicia uma das coisas mais incríveis e necessárias da vida:




o movimento.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

em frente

Há tempos que não choro. Que não escrevo. Que não improviso verdadeiramente uma dança. Não que não haja choro pra chorar, textos pra escrever ou músicas pra dançar. Há, sim. Está tudo acumulando dentro de mim. E por mais que queira, não consigo.

'Estou desenvolvendo um bloqueio', tenho dito à mim. E talvez esteja.

Há tempos que cuidar de mim deixou de ser prioridade. Há tempos que não abro uma cerveja despreocupadamente. Há tempos que não fecho os olhos sem medo de dormir pesado demais. Há tempos que meus medos vêm se acumulando...

Enfrentar. Ir em frente. Parece simples, mas não é. E como eu mesma vivo dizendo: as coisas mais difíceis normalmente são as mais importantes. Pois é. São.

Quando você se arrisca, dá um passo rumo ao desconhecido, a probabilidade de dar errado existe e o medo disso acontecer - as vezes temos até certeza - é enorme. Mas tenho adotado outra máxima na minha vida: resolver problemas é uma delícia.

Claro, que por problemas quero dizer coisas com as quais não queremos lidar. Problemas, questões, brigas, medos, verdades. Coisas difíceis e, como eu já disse, as mais importantes.

Sei que ter problemas é um saco. E será pior, tanto quanto pensarmos neles como tal. Mas resolvê-los... é uma delícia. Ver desafios superados, medos vencidos, compromissos cumpridos com louvor, tarefas realizadas... É tão gratificante que um nos impulsiona para resolver outro e outro e outro. 

E de repente conhecemos a coragem. Que pelo que ouvi dizer a etimologia remete à agir com o coração. Mas não aquela coragem heroica da literatura. Uma coragem amedrontada, temerosa. Externa. Uma coragem completamente racional, por se tratar de uma decisão: preciso enfrentar. 

Confuso né? É que há muito não escrevo, não danço, não choro... Acho que desaprendi. Talvez esteja desenvolvendo um bloqueio. Não sei.

O que quero dizer, por fim, é que as vezes - tenho fé - ir em frente compensa. Insistir dói, cansa, mas nos faz chegar lá. 

Assim como acreditar pode nos encher de desesperança, pode nos fazer voar.