terça-feira, 26 de junho de 2018

palavra escrita é intenção que desabrocha

Tenho fé na força do silêncio, mas também na força das palavras.
Por isso, escrevo.
Por isso, faço terapia.
Por isso, não guardo discussões de relacionamento para depois, nem cozinho verdades em banho maria. 

Falo o que sinto que é preciso ser dito.

Outro dia, li em algum lugar que palavra escrita é intenção que desabrocha. Sempre senti isso dos textos. Quando escrevo, é como se materializasse o pensamento e, assim, ele se condensasse. No meu caso, a palavra escrita tem mais força que a palavra falada porque ela é, em sua essência, muito mais pensada. Então, eu escrevo.

No fim do ano passado e na primeira semana desse ano, tirei umas horas pra pensar o que queria para meu ano em relação a finanças, carreira, saúde - auto cuidado como um todo. Depois de desatar um nó na minha carreira como bailarina, era hora de sonhar e, mais que isso, de fazer planos. Era hora de me colocar em primeiro lugar, fazer por mim o que nunca fiz na vida: me dedicar integralmente.

E, bem, cá entre nós, entre altos a baixos, vou encerrar o primeiro semestre com todos os itens da lista riscados. Os que ainda não se concretizaram pra valer, estão encaminhados, aguardando seu tempo. Quando decidi o que queria, foi fácil aceitar as regras e trabalhar duro foi a única opção - a preguiça diminui consideravelmente quando você está determinado...

E escrevo esse texto para documentar essas vitórias, pelas quais certamente tomarei uma cerveja.

Notei que nunca será fácil a missão de tocar nossas próprias vidas. Dói. Cansa. As vezes, é solitário, caro, parece meio sem sentido. Mas a recompensa vem. Porque dessa vez, o investimento é na minha própria conta. E veio. Em janeiro, ser bailarina era só um sonho. Hoje, é real. E percebo que posso querer cada vez mais.

Hoje, me sinto satisfeita. A sensação de inércia do ano passado não existe mais. Nunca vivi tanto meu propósito, meu sonho, meu destino, minha vida, como agora. E que satisfação incomparável a de ser quem se é e - olha só! - quem se quer ser. Que delícia querer ser quem sou. É uma paz que não pretendo deixar ir nunca mais. 

Existe um orgulho em realizar. E gosto de sentir-me orgulhosa de mim. Coincidentemente é Djavan que canta no meu ouvido agora e essa noite sonhei com Portugal. Mais precisamente, que estava indo para Portugal de balão. Acho que isso é só mais um indício de que posso fazer o que quiser. Que sou poderosa além da medida. Que tenho sabedoria pra me adaptar, jogo de cintura pra lidar com as dificuldades e força pra seguir em frente. E que os sonhos nunca são impossíveis. Se eu posso ir pra Portugal de balão,  por que não poderia reformar meu apartamento e morar nele logo mais? Por que não poderia me apaixonar a primeira vista e comprar o vestido de noiva pela internet? Por que não poderia ir ainda mais longe na carreira nos próximos seis meses? Por que não poderia encontrar um homem digno, que além de tudo apoia a minha dança? Eu posso tudo isso e muito mais...!

Apenas decida o que você quer... 

Sei que encerro esse ciclo satisfeita. Seis meses de evolução. De mais serenidade e aprendizado. De mais paixão e as coisas boas que só o amor traz. De leveza e simplicidade. De desapegos e um pouco mais de calmaria. De alegrias e novidades. Um semestre em que ganhei uma nova família. Um novo abraço pra chamar de lar. 

No próximo semestre - e é aqui que as intenções desabrocham - vêm coisas novas e outras tantas se mantém. Muitas vezes, o sucesso não vem dos grandes feitos, mas da perseverança, da continuidade, da disciplina. Da teimosia. Teimo em continuar a busca pela ascensão profissional. Teimo em amar, em contribuir, em estar junto - só por hoje. Teimo em continuar buscando aquele auto conhecimento que só um bom terapeuta pode nos proporcionar. Teimo em tentar ter serenidade na hora das decisões e na hora dos conflitos. 

Intensificado será, no entanto, o cuidado com as burocracias: as finanças, as tabelas, as economias, as pesquisas de preços. Quero fortalecer as prioridades: cuidar primeiro das primeiras coisas. E entender, de uma vez por todas, que dá tempo. Que posso ter calma e fazer uma coisa de cada vez. Que sonhos não tem prazo de validade. Que alguns planos podem esperar. Quem sabe comer mais frutas e beber mais água... Mas isso é assunto pra um outro texto.

Sei que o texto inaugural de 2019 já tem lugar pra nascer. Pode ser uma bancada da cozinha, o chão carvalho, a varanda pequena, o colchão no chão, o tapete da sala. Pode ser até encostada na máquina de lavar. O objetivo do semestre é esse. Fazer as coisas certas pelo motivo certo. 

E embora tenham muitos sub motivos envolvidos no motivo principal, é ele que vai nortear as ações dos próximos meses. O sonho, sonhado há tempos, que hoje, tem nome, sobrenome, endereço e um número de identidade: treze. O 13 do bloco 5. 



Só vem, setembro.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Primeiro e último

Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte...

Ontem fez quatro meses que te vi pela primeira vez. Que vidrei, sem fôlego, atordoada com a sua beleza, com o brilho dos seus olhos, com a tensão em seus ombros erguidos, envergonhada por estar com as bochechas vermelhas, parada no meio do salão olhando você.

Amanhã, fará quatro meses desde o dia do nosso primeiro encontro, primeiro beijo, primeiro abraço, primeiro apertão na bunda. Primeira vez que rimos juntos, que falamos sobre nós e sobre a vida, primeira vez que bebemos juntos. Primeira vez que te convenci a sair de casa pra estar comigo. Primeira vez que fiquei ansiosa pensando se você vinha mesmo ou não. 

E tantas foram as primeiras vezes desde então. Primeira vez na sua casa. Primeira vez na minha. Primeiro cinema. Primeiro choro. Primeiras fotos. Primeiro texto apaixonado. Primeiro show. Primeiros problemas. Primeira crise existencial, primeira falta de dinheiro... Primeiro bolo de cenoura. Primeiro almoço com panquecas. Primeira noite árabe. Primeira viagem. Primeira parada na estrada porque a moto pifou. Primeira vontade de estar junto todo dia. Primeiro churrasco em família. Primeira conversa sobre casamento, filhos, apartamentos e afins. Primeiro surto com a reforma. Primeira discussão. Primeira vez que dormimos juntos e acordamos as 7h do domingo... Primeira vez que dormimos juntos e conseguimos dormir até as 11h, primeira vez que dormimos a tarde toda. Primeira vez que ficamos 18 horas tentando escolher um filme na Netflix e aí desistimos de ver filme. Primeira vez que conseguimos escolher um filme e ver até o final rs...

E hoje, é nosso primeiro dia dos namorados. Primeira vez que me permito encher sua sala de corações vermelhos e te mimar com uma porção de coisas, com toda a licença poética para ser clichê. Para ser assustadoramente apaixonada.

Hoje, é nosso primeiro dia dos namorados. Mas... Sinto que também é o último. Sei que nessa altura do ano que vem, não seremos mais namorados. Seremos mais. Seremos marido e mulher.

E estou ansiosa pra todas as outras primeiras vezes que vamos viver juntos. E pelas segundas e terceiras e quartas... e quintas e sextas e sábados e domingos.

Você me faz uma pessoa melhor. Seu olhar melhora o meu. Sou feliz ao seu lado. Completa.

E quanto a mim... Eu só estou retribuindo!



Amo você, Gui!

Nunca se esqueça do quanto eu amo você!

Casa comigo, casa?