quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Amanhã é 23



Hoje, eu me deitei para dormir cedo, como tenho feito nós últimos meses: uma fresta da janela aberta, um gato ao pé da cama, meu marido ao meu lado. Dessa vez, ele dormiu profunda e rapidamente com a mão sobre a minha barriga. Bem ali, onde ele tocava, senti nosso bebê chutar de dentro do útero. E eu sorri no escuro com essa cena. 

Pensei nesse ano maluco, nesse ciclo que se encerra em meio a uma pandemia, que tanto faz a gente lembrar dos problemas, das dificuldades, das solidões, dos medos... Mas lembrei, principalmente, que foi nesse ciclo que realizei dois grandes sonhos: me casei (de véu e grinalda, lua de mel, chuva de bolhas de sabão e tudo depois) e engravidei. 

Pensei na lua de mel, na dança, no meu emprego e saúde, nas amizades cada vez mais seletas mas cada vez mais poderosas. Pensei no quanto eu me aproximei da minha família nesse dois mil e vinte. Pensei no prazer e na segurança que esse lar me oferece. Um lar cheio de gatos e móveis e amor. Um lar cheio de sonhos concretizados, cheio de risadas e outros sonhos que ainda vão nascer. E sorri no escuro com cada um desses pensamentos. 

Esse ano, a comemoração está sendo assim: eu, meu marido, meus gatos, meu neném chutador, um delivery ou outro, caixas de Bis, pijamas e os olhos brilhando em direção ao futuro que se anuncia. E acho que nunca estive antes tão feliz, tão em paz, com o meu aniversário, com meu ano, com o fim e o começo de ciclos tão importantes. 

É, 27, você foi demais! Obrigada, Deus, obrigada, Universo. 28: só vem.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

O segundo foi que foi


Difícil essa coisa de contar semanas. Primeiro porque parece que elas não passam nunca. Os meses voam, mas as semanas... se arrastam! Depois porque as inúmeras tabelas que tentam "converter" isso em meses ou - pior - trimestres (!!!) são todas diferentes e contraditórias. Mas, mesmo considerando a mais pessimista e enrolada das tabelas: passamos. O segundo trimestre foi-se.

Hoje, começo a vigésima oitava semana. O que significa que estamos no sétimo mês de gestação e  daqui 9 semanas (quando completar 37), a gestação estará "à termo", ou seja: a partir daí qualquer hora é hora, basta o bebê querer nascer. Eu, ansiosa que sou, nem fico me falando muito isso não. A conta é sempre até as 40 semanas: faltam 12! 

FALTAM DOZE SEMANAS PARA O NATAL, MEU POVO! (Sim!)

No segundo trimestre o medo de abortar foi embora. O medo de enjoar foi embora (embora tenha rolado uma ou outra azia, mil xixis por noite e, de vez em quando, até insônia). A barriga estranha que parecia só sedentarismo foi embora. A coisa foi crescendo e arredondando e um dia eu acordei e me deparei com uma barriga de grávida. Uma inquestionável barriga de grávida. Que delícia. 

Já desisti de fechar as calças... Fico bem irritada quando preciso me vestir e preciso trocar de roupa várias e várias vezes porque as coisas não ficam mais tão bonitas ou confortáveis. É bem chatinho... Mas, vivo basicamente de pijamas, então, vida que segue. Enquanto isso, lavar e dobrar roupinhas de bebê virou uma espécie de hobby. Depois da crise do "ai meu Deus, eu não fiz nada ainda", chegou o berço, a cômoda passou a abrigar roupinhas delicadamente lavadas e dobradas e organizadas e separadas por categoria (#luaemvirgem), o quarto já tem quadros e pelúcias e sabonetinhos de bebê e sapatinhos e um milhão de fraldas de boca e toalhas de banho e toda a sorte de coisas bordadas, personalizadas, com crochê e fita - e, juro, tem mais coisas pra chegar, porque aparentemente essa criança será a mais mimada da face da terra.

Ainda faltam, sim, algumas coisas pra serem providenciadas. Coisas que, as vezes, as contas do mês não permitem que você resolva logo. Mas dá tempo e não estou mais agoniada com o tempo que ruge. 


O segundo também foi de muito mato. Espinafre e abóbora e vitaminas de mamão com iogurte e  frutas no café da manhã e tudo o mais. Nunca antes um pacote de batata palha durou tanto nessa casa, juro. Mas essa semana, confesso, eu tô tão de saco cheio da cozinha, que não consigo mal entrar lá. 

Também teve muito mais choro. De amor, de alegria, de raiva, de solidão. Com comercial de maquiagem, com vídeo sobre educação de crianças, com basicamente qualquer coisa. É um misto de estar grávida com estar em distanciamento social. Mar de Hormônios na Praia de Sozinha o Dia Inteiro. É bem difícil. E tem dia que tá suave. Vai entender...


Teve muito chute. Que estranho e que gostoso é sentir um bebê mexendo dentro da sua barriga. Sabe nos desenhos animados quando as barrigas ondulam, pra demonstrar fome? É exatamente assim, depois de algumas semanas! O bebê encosta em tecidos que a gente não costuma sentir. A história deles sapatearem nas bexigas, é real. E dá pra sentir e  é imediata a vontade de fazer xixi, é divertidíssimo, apesar de ser a milésima vez que vou ao banheiro na última meia hora.... 

Ah e teve um susto também, quando, um dia desses, subi no banquinho pra pegar o liquidificador no armário e aquela coisa virou e me esborrachei de costas no chão. A bunda deu uma amortecida na queda, mas a cabeça também bateu. Fiquei deitada no chão, esperando a adrenalina baixar - meu coração estava disparado - e tentando entender o que tinha, de fato acontecido. Comecei a chorar e respirei fundo pra me acalmar. Esperei e dor nenhuma veio. Alisei a barriga, o neném chutou. Pensei: "tá tudo bem" e levantei devagar. Desisti do suco que ia tomar e fui pro sofá, ver se ia sentir alguma coisa estranha. A bunda doeu um pouco e de resto, ficou tudo bem. Levei uma bronca de um marido bem bravinho - como se eu tivesse outra opção a não ser subir no banco pra pegar coisas no alto - e agora toda vez que faço isso, o faço com atenção e medo redobrados. 

Demorou, mas passou. Foi que foi, que nem vi. Cada dia, a sensação é diferente e estranho estar num momento tão... Libriano rss

Que venham as próximas semanas, de crescimento, de ansiedade, de emoções à flor da pele. Que nem o inferno astral tire o brilho desses dias tão únicos. 

 E que o umbigo demore pra saltar. Amém.