Sobre a Amnesiada

Jaqueline Defendi Rosa nasceu em vinte e três de outubro de mil novecentos e noventa e dois, sob signo de Escorpião e regência do ex-planeta Plutão, na cidade de Cabreúva, interior de São Paulo. É formada em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação e Artes do CEUNSP. Bailarina, escritora, leitora. Até candidata a vereadora já foi. Hoje, é Assessora de Imprensa.
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Impossível descrever qualquer pessoa sem florear poesia. Impossível descrever qualquer pessoa.

Jornalista, hibérbole-eufemismo. Desastrada: algo está errado se não derrubar o celular ao menos uma vez por dia. Escandalosa, faz dilúvio em copo d'água.

Curiosa, tem opinião sobre tudo mas nem sempre sabe o que dizer. Meio Clarice, hipocondríaca, prolixa, complexa. Muito sonhadora, revoltada.

Politizada, quer mudar o mundo. Sem joelhos, quer dançar. Sem dieta, quer caber num collant. Sem olhos, quer ver mais longe e com as mãos pegar as estrelas. Quer ir longe.

Leitora, ouvinte, agora sabe ficar sozinha com os próprios pensamentos. Doida, conversa e discute com seus botões. Masoquista, é responsável por suas próprias torturas psicológicas. Esquisita, tem mil gostos. 

Flexível, se adapta. Macia, convence. Firme, argumenta. Insistente, molda. Teimosa, consegue. E se não consegue chora. Arrependida, chora. Triste... chora! Na frente dos outros, aguenta (mas nem sempre).

Escorpiana supersticiosa, de olho no gatos pretos e ouvido nas conversas dos astros. Criança, brinca, sonha. Adulta, trabalha, estuda, participa. Jovem, se entrega e luta. Boba, toma dores. Amiga, abraça. Filha, discute. Velha, sente saudade.

Bailarina, meia ponta. Capoeira, ponte. Quer fazer revolução. Quer abraçar o mundo, ser dona de tudo, ter mais horas do que tem. Quer fazer história, quer viver histórias, escrever histórias.

E nem mesmo em um milhão de caracteres podia explicar um terço desta que aqui se expõe. E quem não gostar que conte outra, ou vire artista, e faça sua própria vida.

Outro dia perguntaram
o que é que eu faço quando fico feliz

e respondi sem eira nem beira
sem pensar nem hesitar nem errar por um triz

que quando posso ou devo
feliz ou infeliz, não importa,
eu escrevo.

"Acho que não existo sem essa façanha de escrever. A palavra tem vida. Ela se inflama e busca um você qualquer: peregrino, errante... não importa. Acho que não existo sem encomendar invernos e tardes chuvosas só para poder escrever. E faço cartas e jogo dados e saio pelo mundo que eu criei. Ninguém me encontra além deste lugar. Ninguém me conhece se não me lê. Minha palavra quase assusta e se assusta porque ela... sou eu." (C.L.)

"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade... sei lá de quê!" (C.L.)

Sujeita, dia a dia, à alterações.