segunda-feira, 2 de julho de 2018

do primeiro jogo de panelas a gente não esquece

Domingo foi... Bom, domingo. Típico. Como é de se esperar que os domingos dos casais sejam (pelo menos dos casais cheios de trabalho e compromissos no sábado).

Não colocamos despertador. Dormimos até dizer chega e o corpo pedir pra ficar de pé. O sol já esquentava lá fora quando, descabelados, tomamos café. Um pouco de conversa, nossa playlist na tv, um cigarro. E de repente... faxina! Ela começou devagar e foi tomando ritmo e domando a casa: o chão da sala e do quarto, todas as partes do banheiro, a grama que precisava de corte, a área e até o cobertor da cachorra: tudo foi sendo resolvido com uma intenção ímpar. Do sofá, era um olho no peixe e outro no gato. Ou seja: um vendo Greys Anatomy e outro no gato fazendo faxina. Fica aí no sofázinho descansando, ele me disse. Engoli minha intromissão e me pus a admirar. Ele fica realmente sério quando está concentrado e não tem nada mais harmonioso do que aquele homem determinado, com a mão na massa.

A barriga roncou e era hora de ir pra cozinha, missão que assumi com alegria. Cozinhar é e sempre será uma forma de amar. Na comida você coloca sentimentos. Sempre acreditei nisso... Nada de mais: arroz fresquinho, brócolis refogado, uma omelete de queijo e tomate, salada de tomate e pepino. Aquele típico almoço que a gente faz com o que tem porque tá com preguiça de ir ao mercado. 

Em seguida, mais simplicidade. Eu lavei a louça, ele voltou pra arrumação. Depois, banho e Netflix. Nos olhamos e o desejo dos nossos corações foi proclamado: sobremesa! Fomos comprar sorvete e bolacha recheada (engraçado: o ânimo inexistente pra comprar coisas pro almoço renasceu fortificado a hora de ir buscar a sobremesa...). Sem dizer uma palavra, tiramos os carros da garagem e ele me deixou dirigir o carro dele. Fomos. Não há quase nada tão gostoso quando ir ao mercado com ele. Nossas mãos firmes um no outro. A minha na sua cintura, a dele sobre meus ombros, segurando minha outra mão. Não vejo a hora de fazermos nossa primeira compra, ele me disse... Eu também não, meu amor...

Voltamos pro sofá cada qual com um pote de sorvete com Chocolícias quebradas por cima. Me aninhei naquele colo, envolta naqueles braços, recostada no seu peito e lá fiquei. Durante a maratona, sentia seu cheiro, ouvia seu coração... Estava tão em paz, tão... Plena. Dizem que felicidade é um momento que você gostaria que durasse para sempre. Sim, eu poderia ficar pra sempre naquele domingo. Naquele abraço, naquele aconchego... Nos encaixamos tão bem...

E depois desse domingo caseiro, cheio de conversas adultas sobre um breve e lindo futuro que aponta no horizonte, eis que comprei meu primeiro jogo de panelas. Um belo kit que me fez sentir tão animada com todas as perspectivas... E já as imagino sobre nosso fogão, de onde um delicioso strogonoff sairá, pra afagar meu coração faminto e celebrar mais um domingo feliz. 





Você já era meu lugar de paz, muito antes de ser qualquer outra coisa.
Você já estava predestinado a mim, muito antes do seu caminho se cruzar com  meu.
Eu já era sua, muito antes de saber que você existia.

Tudo está certo. Tudo está como deveria estar. As coisas acontecem como tem que acontecer.

E seremos - como já somos - inquestionavelmente felizes.




Neoqueav.

Que venham os próximos domingos.

terça-feira, 26 de junho de 2018

palavra escrita é intenção que desabrocha

Tenho fé na força do silêncio, mas também na força das palavras.
Por isso, escrevo.
Por isso, faço terapia.
Por isso, não guardo discussões de relacionamento para depois, nem cozinho verdades em banho maria. 

Falo o que sinto que é preciso ser dito.

Outro dia, li em algum lugar que palavra escrita é intenção que desabrocha. Sempre senti isso dos textos. Quando escrevo, é como se materializasse o pensamento e, assim, ele se condensasse. No meu caso, a palavra escrita tem mais força que a palavra falada porque ela é, em sua essência, muito mais pensada. Então, eu escrevo.

No fim do ano passado e na primeira semana desse ano, tirei umas horas pra pensar o que queria para meu ano em relação a finanças, carreira, saúde - auto cuidado como um todo. Depois de desatar um nó na minha carreira como bailarina, era hora de sonhar e, mais que isso, de fazer planos. Era hora de me colocar em primeiro lugar, fazer por mim o que nunca fiz na vida: me dedicar integralmente.

E, bem, cá entre nós, entre altos a baixos, vou encerrar o primeiro semestre com todos os itens da lista riscados. Os que ainda não se concretizaram pra valer, estão encaminhados, aguardando seu tempo. Quando decidi o que queria, foi fácil aceitar as regras e trabalhar duro foi a única opção - a preguiça diminui consideravelmente quando você está determinado...

E escrevo esse texto para documentar essas vitórias, pelas quais certamente tomarei uma cerveja.

Notei que nunca será fácil a missão de tocar nossas próprias vidas. Dói. Cansa. As vezes, é solitário, caro, parece meio sem sentido. Mas a recompensa vem. Porque dessa vez, o investimento é na minha própria conta. E veio. Em janeiro, ser bailarina era só um sonho. Hoje, é real. E percebo que posso querer cada vez mais.

Hoje, me sinto satisfeita. A sensação de inércia do ano passado não existe mais. Nunca vivi tanto meu propósito, meu sonho, meu destino, minha vida, como agora. E que satisfação incomparável a de ser quem se é e - olha só! - quem se quer ser. Que delícia querer ser quem sou. É uma paz que não pretendo deixar ir nunca mais. 

Existe um orgulho em realizar. E gosto de sentir-me orgulhosa de mim. Coincidentemente é Djavan que canta no meu ouvido agora e essa noite sonhei com Portugal. Mais precisamente, que estava indo para Portugal de balão. Acho que isso é só mais um indício de que posso fazer o que quiser. Que sou poderosa além da medida. Que tenho sabedoria pra me adaptar, jogo de cintura pra lidar com as dificuldades e força pra seguir em frente. E que os sonhos nunca são impossíveis. Se eu posso ir pra Portugal de balão,  por que não poderia reformar meu apartamento e morar nele logo mais? Por que não poderia me apaixonar a primeira vista e comprar o vestido de noiva pela internet? Por que não poderia ir ainda mais longe na carreira nos próximos seis meses? Por que não poderia encontrar um homem digno, que além de tudo apoia a minha dança? Eu posso tudo isso e muito mais...!

Apenas decida o que você quer... 

Sei que encerro esse ciclo satisfeita. Seis meses de evolução. De mais serenidade e aprendizado. De mais paixão e as coisas boas que só o amor traz. De leveza e simplicidade. De desapegos e um pouco mais de calmaria. De alegrias e novidades. Um semestre em que ganhei uma nova família. Um novo abraço pra chamar de lar. 

No próximo semestre - e é aqui que as intenções desabrocham - vêm coisas novas e outras tantas se mantém. Muitas vezes, o sucesso não vem dos grandes feitos, mas da perseverança, da continuidade, da disciplina. Da teimosia. Teimo em continuar a busca pela ascensão profissional. Teimo em amar, em contribuir, em estar junto - só por hoje. Teimo em continuar buscando aquele auto conhecimento que só um bom terapeuta pode nos proporcionar. Teimo em tentar ter serenidade na hora das decisões e na hora dos conflitos. 

Intensificado será, no entanto, o cuidado com as burocracias: as finanças, as tabelas, as economias, as pesquisas de preços. Quero fortalecer as prioridades: cuidar primeiro das primeiras coisas. E entender, de uma vez por todas, que dá tempo. Que posso ter calma e fazer uma coisa de cada vez. Que sonhos não tem prazo de validade. Que alguns planos podem esperar. Quem sabe comer mais frutas e beber mais água... Mas isso é assunto pra um outro texto.

Sei que o texto inaugural de 2019 já tem lugar pra nascer. Pode ser uma bancada da cozinha, o chão carvalho, a varanda pequena, o colchão no chão, o tapete da sala. Pode ser até encostada na máquina de lavar. O objetivo do semestre é esse. Fazer as coisas certas pelo motivo certo. 

E embora tenham muitos sub motivos envolvidos no motivo principal, é ele que vai nortear as ações dos próximos meses. O sonho, sonhado há tempos, que hoje, tem nome, sobrenome, endereço e um número de identidade: treze. O 13 do bloco 5. 



Só vem, setembro.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Primeiro e último

Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte...

Ontem fez quatro meses que te vi pela primeira vez. Que vidrei, sem fôlego, atordoada com a sua beleza, com o brilho dos seus olhos, com a tensão em seus ombros erguidos, envergonhada por estar com as bochechas vermelhas, parada no meio do salão olhando você.

Amanhã, fará quatro meses desde o dia do nosso primeiro encontro, primeiro beijo, primeiro abraço, primeiro apertão na bunda. Primeira vez que rimos juntos, que falamos sobre nós e sobre a vida, primeira vez que bebemos juntos. Primeira vez que te convenci a sair de casa pra estar comigo. Primeira vez que fiquei ansiosa pensando se você vinha mesmo ou não. 

E tantas foram as primeiras vezes desde então. Primeira vez na sua casa. Primeira vez na minha. Primeiro cinema. Primeiro choro. Primeiras fotos. Primeiro texto apaixonado. Primeiro show. Primeiros problemas. Primeira crise existencial, primeira falta de dinheiro... Primeiro bolo de cenoura. Primeiro almoço com panquecas. Primeira noite árabe. Primeira viagem. Primeira parada na estrada porque a moto pifou. Primeira vontade de estar junto todo dia. Primeiro churrasco em família. Primeira conversa sobre casamento, filhos, apartamentos e afins. Primeiro surto com a reforma. Primeira discussão. Primeira vez que dormimos juntos e acordamos as 7h do domingo... Primeira vez que dormimos juntos e conseguimos dormir até as 11h, primeira vez que dormimos a tarde toda. Primeira vez que ficamos 18 horas tentando escolher um filme na Netflix e aí desistimos de ver filme. Primeira vez que conseguimos escolher um filme e ver até o final rs...

E hoje, é nosso primeiro dia dos namorados. Primeira vez que me permito encher sua sala de corações vermelhos e te mimar com uma porção de coisas, com toda a licença poética para ser clichê. Para ser assustadoramente apaixonada.

Hoje, é nosso primeiro dia dos namorados. Mas... Sinto que também é o último. Sei que nessa altura do ano que vem, não seremos mais namorados. Seremos mais. Seremos marido e mulher.

E estou ansiosa pra todas as outras primeiras vezes que vamos viver juntos. E pelas segundas e terceiras e quartas... e quintas e sextas e sábados e domingos.

Você me faz uma pessoa melhor. Seu olhar melhora o meu. Sou feliz ao seu lado. Completa.

E quanto a mim... Eu só estou retribuindo!



Amo você, Gui!

Nunca se esqueça do quanto eu amo você!

Casa comigo, casa?



sexta-feira, 25 de maio de 2018

a gente não escolhe (ou a gente escolhe) certas perturbações

Eu tenho uma memória. Uma lembrança, que nem sei se é real, de uma garota de cabelos pretos e lisos, cortados chanel com uma grossa franja caindo sobre a testa, sentada no chão, folheando uma revista. Essa garota sou eu e essa revista é mais uma da coleção do meu pai, que construiu, com tijolos, parte do seu patrimônio: uma Arquitetura & Construção.

Lembro das fotos. As casas não eram quadradas, com telhados triangulares, como nos desenhos que fazia na escola, com uma porta retangular, uma janela quadrada com a cortina presa em ambos os lados. Nas melhores casas das ousadias infantis: dois andares, chaminé, janela redonda no sótão. Um misto dos filmes americanos a que assistíamos na Sessão da Tarde com nossa imaginação simplista. Mas na revista elas não eram assim. Elas tinham os mais variados formatos - até redondas. Estavam nos mais variados terrenos - até em penhascos. Tinham madeira, cerâmica, concreto. Tinham tapetes e almofadas e flores e sofás e quadros na parede e taças na cristaleira. Nunca tinham pessoas, mas dava pra imaginar quem seriam... Adultos, bem sucedidos, sorridentes, lendo jornal em alguma das poltronas fofas e olhando aquelas paisagens que apareciam pela janela, fosse uma incrível natureza ou o deck com piscina. Eu, na minha brincadeira solitária e puramente imaginativa - "mal" que acomete todos nós, com alma meio artista - imaginava a mesma dona pra cada uma daquelas casas esplêndidas: uma mulher, uma arquiteta, com uma biblioteca cheia de livros - eu. 

Sim. Aquelas revistas me fizeram desejar ser arquiteta e me fizeram desejar ter uma casa linda, Por que? Afinal, não apenas os arquitetos têm casas lindas. E até mesmo na minha inocência infantil, eu sabia disso. Hoje, quanto lembro disso, faço um chute. Me conheço um pouco, hoje, pra entender minha linha de raciocínio de uma década e meia. A necessidade de ter todas as informações, meu desejo por criar, por a mão na massa, minha satisfação em controlar as coisas, minha curiosidade e ansiedade, meu orgulho em me ver realizar algo, a plenitude de alcançar um objetivo, a dificuldade em pedir ajuda pras pessoas, o perfeccionismo que me tira o sono e me complica a confiança e a obediência... Sei que passei dias e mais dias desenhando plantas baixas de casas, como as que vinham estampadas na revista, e que meu pai precisou falar muito sobre como os arquitetos tinham que saber de matemática até eu me convencer que, talvez, ser arquiteta não fosse bem minha praia. Mas eu ainda poderia ter uma casa linda e essa ideia já me satisfazia.

Não sei quantos anos tinha nessa época, mas imagino que algo em torno de nove ou dez, já que aos onze eu decidi que seria jornalista, como sou de fato, tendo tido apenas uma crise existencial por volta dos 13 anos, que quase me levou a escolher Turismo... Bom, a questão casa-linda ficou meio inerte por um tempo, pois outras questões vieram. Normal. Adolescência, vestibular, faculdade, namoro, trabalho, associação, política,... Essas coisas demandam tempo, energia, atenção. A vida adulta demorou a chegar, de fato. E, pra mim, chegou em outubro de 2015, quando decidi que era hora de procurar uma casa ou um apartamento ou um investimento que me levasse a ter, um dia, um lugar pra chamar de meu. Um ano depois, novembro de 2016, lá estava eu: assinando um contrato. Quer adultice maior? 

Mais um ano se passou e, no final de 2017, tive acesso ao primeiro passo do Projeto Casa-Linda ou Projeto 2020, como chamei: um projeto de design, que materializou - em fotos e plantas e códigos e nomes de produtos - um sonho. E era só meu, era exclusivo, era eu representada numa casa. Tinha eu em todos os cantos, em cada detalhe. Meu eu jornalista, meu eu viajante, meu eu bailarina, meu eu fotógrafa, meu eu mulher, meu eu delicada, eu meu forte, meu eu rústico, meu eu moderno. Meu eu poeta. Meu eu leitora...! Meu eu cozinheira que quer temperos naturais fresquinhos. Eu: com todas as minhas facetas. 

Um projeto que já completa, no meu coração, duas décadas e cuja execução começou a ser planejada há dois anos e meio. E que, agora, me apavora.

Apavora porque ele está quase pronto. Porque não estou pronta. Me apavora porque sinto que sou incapaz de fazê-lo acontecer. Me apavora porque, as vezes, acredito que tudo isso é uma loucura e que ter um teto é mais importante que ter uma casa linda. Me apavora porque, as vezes, acredito que não vou dar conta. As vezes, acredito que não vai dar certo. As vezes, desconfio. De mim, do universo, desse sonho idiota de criança.

Felizmente, tenho quem me dê a mão, me faça voltar do Fantástico-Mundo-de-Bob-O-Pessimista e coloque calma no meu coração. "Primeiro as primeiras coisas"... Depois, ouço o Capitão Jack Sparrow falando num meio sorriso de deboche: repita até se convencer! 

Primeiro as primeiras coisas. 
Primeiro as primeiras coisas. 
Primeiro as primeiras coisas. 
Primeiro as primeiras coisas. 
Primeiro as primeiras coisas. 
Primeiro as primeiras coisas. 
Primeiro as primeiras coisas. 

E, ainda, ouço Belchior: medo, medo, medo, medo, é hora do almoço!

quinta-feira, 24 de maio de 2018

eu só sei que eu quero você


Ele é raiz. Eu sou nutella. Ele, azul. Eu, uma cor meio amarela. Ele, sorriso. Eu, mal humor.

Ele pula da cama cedo no domingo e eu só falto sair arrastada. 



Ele, só por hoje. Eu, toda focada no amanhã. Ele é presença e eu sou toda ansiedade. 



Eu sou dança cheia de strass no palco, ele dança de pijama na sala. Ele, café doce. Eu, forte e amargo. Ele, acampamento. Eu, hotel. Ele, carinho. Eu, assertividade. Ele, mato. Eu, cidade.

Ele, música. Eu, movimento. Ele, voz. Eu, texto. Ele, bolo de cenoura. Eu, panqueca com bacon. Ele, experiência. Eu, imaginação. Ele, prática. Eu, teoria. 



Somos muito parecidos. Gostamos do mesmo chocolate, das mesmas músicas, do mesmo bolo de aniversário... mas nossas diferenças também são importantes. É com elas que aprendemos, que somos empáticos, que nos superamos, que vamos além. Amo você não "apesar", mas "porque" você é como é. Te amo. Te admiro. Te quero pertinho de mim.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

levar as malas pro fusca lá fora



De tanto a luz dos olhos teus e a luz dos olhos meus resolverem se encontrar, meu olhar se iluminou e clareou...  E o marrom empoeirado de antes deu lugar a um brilho verde, que dedura a esperança que nasceu em mim desde que você chegou. 

Estúpidos olhos: me entregam, me denunciam, me expõe. Só de verem você já se assanham, dilatados e brilhantes. Não escondem de ninguém a alegria de ter você e esse brilho azul, que os completa, preenche,  alimenta, inspira... 

E quando não te veem, disfarçam menos ainda. Marejam, molham. Choram, deixam escorrer a saudade e se tornam ainda mais verdes com a esperança de te olhar todos os dias. Sempre. Pra sempre.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Assustadoramente

É, talvez eu tivesse vários motivos pra não querer tentar. São diversas as bagagens que poderiam tornar essa relação complicada - passado, presente e um futuro que já está se formando. É, nada disso estava nos meus planos. No entanto, não houve um só dia dos últimos dois meses eim que eu questionei a minha escolha de arriscar, porque a lista de bons motivos pra estar exatamente aqui, olhando pra você, é bem mais extensa. E mesmo em dias pouco iluminados, de cansaço ou insegurança, eu tenho consciência do que me faz ficar.

São olhos que me enxergam. Me veem como eu sou, sem máscaras ou filtros. E braços que acolhem as minhas dores e as minhas delícias. E aquele sorriso, sempre aberto pras minhas conquistas ou pra curar  minha tristeza. São as mãos que acariciam meus cabelos e afagam minhas dúvidas, meus medos, meus sonhos. São os ouvidos sempre atentos a me conhecer um pouco mais. A boca que, entre os beijos, canta pra mim...

Mas não só isso. É o conforto que você sente na minha casa e que me faz sentir na sua. É o respeito inquestionável que vc tem por quem eu sou e, principalmente, por quem eu quero ser. É o carinho constante. O cuidado com meu bem estar. A alegria ao me encontrar... e tudo mais que só me faz querer retribuir todo esse amor e agradecer a deus pela generosidade.

O jeito que eu me sinto ao seu lado, e só de saber que nos encontramos, torna impossível não correr o risco.

Dizem que só está disposto a ser assustadoramente feliz quem esta disposto a sofrer assustadoramente. Isso significa que só pode voar o pássaro que, confiante, salta do galho e abre as asas. O bom e velho "quem não arrisca, não petisca". Eu arrisco. Eu tento. Eu aposto.

E, dada a felicidade dos últimos sessenta dias, eu jamais me arrependerei.





Neoqueav.