terça-feira, 12 de junho de 2018

Primeiro e último

Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte...

Ontem fez quatro meses que te vi pela primeira vez. Que vidrei, sem fôlego, atordoada com a sua beleza, com o brilho dos seus olhos, com a tensão em seus ombros erguidos, envergonhada por estar com as bochechas vermelhas, parada no meio do salão olhando você.

Amanhã, fará quatro meses desde o dia do nosso primeiro encontro, primeiro beijo, primeiro abraço, primeiro apertão na bunda. Primeira vez que rimos juntos, que falamos sobre nós e sobre a vida, primeira vez que bebemos juntos. Primeira vez que te convenci a sair de casa pra estar comigo. Primeira vez que fiquei ansiosa pensando se você vinha mesmo ou não. 

E tantas foram as primeiras vezes desde então. Primeira vez na sua casa. Primeira vez na minha. Primeiro cinema. Primeiro choro. Primeiras fotos. Primeiro texto apaixonado. Primeiro show. Primeiros problemas. Primeira crise existencial, primeira falta de dinheiro... Primeiro bolo de cenoura. Primeiro almoço com panquecas. Primeira noite árabe. Primeira viagem. Primeira parada na estrada porque a moto pifou. Primeira vontade de estar junto todo dia. Primeiro churrasco em família. Primeira conversa sobre casamento, filhos, apartamentos e afins. Primeiro surto com a reforma. Primeira discussão. Primeira vez que dormimos juntos e acordamos as 7h do domingo... Primeira vez que dormimos juntos e conseguimos dormir até as 11h, primeira vez que dormimos a tarde toda. Primeira vez que ficamos 18 horas tentando escolher um filme na Netflix e aí desistimos de ver filme. Primeira vez que conseguimos escolher um filme e ver até o final rs...

E hoje, é nosso primeiro dia dos namorados. Primeira vez que me permito encher sua sala de corações vermelhos e te mimar com uma porção de coisas, com toda a licença poética para ser clichê. Para ser assustadoramente apaixonada.

Hoje, é nosso primeiro dia dos namorados. Mas... Sinto que também é o último. Sei que nessa altura do ano que vem, não seremos mais namorados. Seremos mais. Seremos marido e mulher.

E estou ansiosa pra todas as outras primeiras vezes que vamos viver juntos. E pelas segundas e terceiras e quartas... e quintas e sextas e sábados e domingos.

Você me faz uma pessoa melhor. Seu olhar melhora o meu. Sou feliz ao seu lado. Completa.

E quanto a mim... Eu só estou retribuindo!



Amo você, Gui!

Nunca se esqueça do quanto eu amo você!

Casa comigo, casa?



sexta-feira, 25 de maio de 2018

a gente não escolhe (ou a gente escolhe) certas perturbações

Eu tenho uma memória. Uma lembrança, que nem sei se é real, de uma garota de cabelos pretos e lisos, cortados chanel com uma grossa franja caindo sobre a testa, sentada no chão, folheando uma revista. Essa garota sou eu e essa revista é mais uma da coleção do meu pai, que construiu, com tijolos, parte do seu patrimônio: uma Arquitetura & Construção.

Lembro das fotos. As casas não eram quadradas, com telhados triangulares, como nos desenhos que fazia na escola, com uma porta retangular, uma janela quadrada com a cortina presa em ambos os lados. Nas melhores casas das ousadias infantis: dois andares, chaminé, janela redonda no sótão. Um misto dos filmes americanos a que assistíamos na Sessão da Tarde com nossa imaginação simplista. Mas na revista elas não eram assim. Elas tinham os mais variados formatos - até redondas. Estavam nos mais variados terrenos - até em penhascos. Tinham madeira, cerâmica, concreto. Tinham tapetes e almofadas e flores e sofás e quadros na parede e taças na cristaleira. Nunca tinham pessoas, mas dava pra imaginar quem seriam... Adultos, bem sucedidos, sorridentes, lendo jornal em alguma das poltronas fofas e olhando aquelas paisagens que apareciam pela janela, fosse uma incrível natureza ou o deck com piscina. Eu, na minha brincadeira solitária e puramente imaginativa - "mal" que acomete todos nós, com alma meio artista - imaginava a mesma dona pra cada uma daquelas casas esplêndidas: uma mulher, uma arquiteta, com uma biblioteca cheia de livros - eu. 

Sim. Aquelas revistas me fizeram desejar ser arquiteta e me fizeram desejar ter uma casa linda, Por que? Afinal, não apenas os arquitetos têm casas lindas. E até mesmo na minha inocência infantil, eu sabia disso. Hoje, quanto lembro disso, faço um chute. Me conheço um pouco, hoje, pra entender minha linha de raciocínio de uma década e meia. A necessidade de ter todas as informações, meu desejo por criar, por a mão na massa, minha satisfação em controlar as coisas, minha curiosidade e ansiedade, meu orgulho em me ver realizar algo, a plenitude de alcançar um objetivo, a dificuldade em pedir ajuda pras pessoas, o perfeccionismo que me tira o sono e me complica a confiança e a obediência... Sei que passei dias e mais dias desenhando plantas baixas de casas, como as que vinham estampadas na revista, e que meu pai precisou falar muito sobre como os arquitetos tinham que saber de matemática até eu me convencer que, talvez, ser arquiteta não fosse bem minha praia. Mas eu ainda poderia ter uma casa linda e essa ideia já me satisfazia.

Não sei quantos anos tinha nessa época, mas imagino que algo em torno de nove ou dez, já que aos onze eu decidi que seria jornalista, como sou de fato, tendo tido apenas uma crise existencial por volta dos 13 anos, que quase me levou a escolher Turismo... Bom, a questão casa-linda ficou meio inerte por um tempo, pois outras questões vieram. Normal. Adolescência, vestibular, faculdade, namoro, trabalho, associação, política,... Essas coisas demandam tempo, energia, atenção. A vida adulta demorou a chegar, de fato. E, pra mim, chegou em outubro de 2015, quando decidi que era hora de procurar uma casa ou um apartamento ou um investimento que me levasse a ter, um dia, um lugar pra chamar de meu. Um ano depois, novembro de 2016, lá estava eu: assinando um contrato. Quer adultice maior? 

Mais um ano se passou e, no final de 2017, tive acesso ao primeiro passo do Projeto Casa-Linda ou Projeto 2020, como chamei: um projeto de design, que materializou - em fotos e plantas e códigos e nomes de produtos - um sonho. E era só meu, era exclusivo, era eu representada numa casa. Tinha eu em todos os cantos, em cada detalhe. Meu eu jornalista, meu eu viajante, meu eu bailarina, meu eu fotógrafa, meu eu mulher, meu eu delicada, eu meu forte, meu eu rústico, meu eu moderno. Meu eu poeta. Meu eu leitora...! Meu eu cozinheira que quer temperos naturais fresquinhos. Eu: com todas as minhas facetas. 

Um projeto que já completa, no meu coração, duas décadas e cuja execução começou a ser planejada há dois anos e meio. E que, agora, me apavora.

Apavora porque ele está quase pronto. Porque não estou pronta. Me apavora porque sinto que sou incapaz de fazê-lo acontecer. Me apavora porque, as vezes, acredito que tudo isso é uma loucura e que ter um teto é mais importante que ter uma casa linda. Me apavora porque, as vezes, acredito que não vou dar conta. As vezes, acredito que não vai dar certo. As vezes, desconfio. De mim, do universo, desse sonho idiota de criança.

Felizmente, tenho quem me dê a mão, me faça voltar do Fantástico-Mundo-de-Bob-O-Pessimista e coloque calma no meu coração. "Primeiro as primeiras coisas"... Depois, ouço o Capitão Jack Sparrow falando num meio sorriso de deboche: repita até se convencer! 

Primeiro as primeiras coisas. 
Primeiro as primeiras coisas. 
Primeiro as primeiras coisas. 
Primeiro as primeiras coisas. 
Primeiro as primeiras coisas. 
Primeiro as primeiras coisas. 
Primeiro as primeiras coisas. 

E, ainda, ouço Belchior: medo, medo, medo, medo, é hora do almoço!

quinta-feira, 24 de maio de 2018

eu só sei que eu quero você


Ele é raiz. Eu sou nutella. Ele, azul. Eu, uma cor meio amarela. Ele, sorriso. Eu, mal humor.

Ele pula da cama cedo no domingo e eu só falto sair arrastada. 



Ele, só por hoje. Eu, toda focada no amanhã. Ele é presença e eu sou toda ansiedade. 



Eu sou dança cheia de strass no palco, ele dança de pijama na sala. Ele, café doce. Eu, forte e amargo. Ele, acampamento. Eu, hotel. Ele, carinho. Eu, assertividade. Ele, mato. Eu, cidade.

Ele, música. Eu, movimento. Ele, voz. Eu, texto. Ele, bolo de cenoura. Eu, panqueca com bacon. Ele, experiência. Eu, imaginação. Ele, prática. Eu, teoria. 



Somos muito parecidos. Gostamos do mesmo chocolate, das mesmas músicas, do mesmo bolo de aniversário... mas nossas diferenças também são importantes. É com elas que aprendemos, que somos empáticos, que nos superamos, que vamos além. Amo você não "apesar", mas "porque" você é como é. Te amo. Te admiro. Te quero pertinho de mim.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

levar as malas pro fusca lá fora



De tanto a luz dos olhos teus e a luz dos olhos meus resolverem se encontrar, meu olhar se iluminou e clareou...  E o marrom empoeirado de antes deu lugar a um brilho verde, que dedura a esperança que nasceu em mim desde que você chegou. 

Estúpidos olhos: me entregam, me denunciam, me expõe. Só de verem você já se assanham, dilatados e brilhantes. Não escondem de ninguém a alegria de ter você e esse brilho azul, que os completa, preenche,  alimenta, inspira... 

E quando não te veem, disfarçam menos ainda. Marejam, molham. Choram, deixam escorrer a saudade e se tornam ainda mais verdes com a esperança de te olhar todos os dias. Sempre. Pra sempre.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Assustadoramente

É, talvez eu tivesse vários motivos pra não querer tentar. São diversas as bagagens que poderiam tornar essa relação complicada - passado, presente e um futuro que já está se formando. É, nada disso estava nos meus planos. No entanto, não houve um só dia dos últimos dois meses eim que eu questionei a minha escolha de arriscar, porque a lista de bons motivos pra estar exatamente aqui, olhando pra você, é bem mais extensa. E mesmo em dias pouco iluminados, de cansaço ou insegurança, eu tenho consciência do que me faz ficar.

São olhos que me enxergam. Me veem como eu sou, sem máscaras ou filtros. E braços que acolhem as minhas dores e as minhas delícias. E aquele sorriso, sempre aberto pras minhas conquistas ou pra curar  minha tristeza. São as mãos que acariciam meus cabelos e afagam minhas dúvidas, meus medos, meus sonhos. São os ouvidos sempre atentos a me conhecer um pouco mais. A boca que, entre os beijos, canta pra mim...

Mas não só isso. É o conforto que você sente na minha casa e que me faz sentir na sua. É o respeito inquestionável que vc tem por quem eu sou e, principalmente, por quem eu quero ser. É o carinho constante. O cuidado com meu bem estar. A alegria ao me encontrar... e tudo mais que só me faz querer retribuir todo esse amor e agradecer a deus pela generosidade.

O jeito que eu me sinto ao seu lado, e só de saber que nos encontramos, torna impossível não correr o risco.

Dizem que só está disposto a ser assustadoramente feliz quem esta disposto a sofrer assustadoramente. Isso significa que só pode voar o pássaro que, confiante, salta do galho e abre as asas. O bom e velho "quem não arrisca, não petisca". Eu arrisco. Eu tento. Eu aposto.

E, dada a felicidade dos últimos sessenta dias, eu jamais me arrependerei.





Neoqueav.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

textão de amor na segunda feira cinza

Senta que lá vem (o primeiro) textão sobre o Mercado Persa 2018, que na verdade também é um texto de amor e gratidão. 😍😱 

Cinco anos atrás, eu andava dois quarteirões e fazia uma hora de aula de dança. Simples, ligeiro. Com o passar dos anos, o investimento de tempo, dinheiro e energia só aumentou. Fui estudar em Jundiaí, depois São Paulo, depois vieram os cursos extras, os workshops, os shows que ia assistir, o Mercado Persa, o Festival Shimmie, os ensaios pro espetáculo de fim de ano, banca avaliadora, saraus, os shows em restaurantes... 💃💃💃 

Atualmente, eu dedico uma grande parte da minha vida à minha dança. E isso me faz muito feliz. 

Hoje, no entanto, quero e preciso, agradecer ao meu namorado Guilherme por esse fim de semana. Desde o café que ele fez pra mim na sexta-feira pra que eu não dirigisse com sono, a torcida no sábado enquanto participava da competição, o carinho e compreensão com meu cansaço depois dos ensaios, até a companhia durante todo o evento de domingo. 

Foram mais de 12 horas comigo, no meu mundo todo árabe. Dirigindo, carregando minhas malas, filmando minha dança mesmo sem eu pedir, fotografando, dando apoio, forças, me esperando, torcendo, abraçando minha ansiedade, massageando meus ombros dolorodíssimos, dançando comigo na plateia, fazendo graça, sorrindo, feliz por estar ali. Encantado com tudo aquilo que me é tão importante. Vibrando por aquilo que faz o meu coração vibrar. Me senti tão amada, tão querida, tão especial. Me senti acolhida, compreendida... Estou TÃO FELIZ!! ❤️❤️❤️

Deus foi muito generoso comigo ao te colocar no meu caminho! Espero poder retribuir ao longo dos dias todo o amor que vc me dedica, Gui. Espero poder ter a honra de ser tão boa pra vc quanto vc é pra mim! Nunca se esqueça do quanto eu amo você! Obrigada, obrigada, obrigada por ser exatamente como vc é! Você é um homem incrível, com um coração enorme! Te admiro, te amo e me orgulho de você. Que honra poder viver isso e muito mais ao seu lado. Te amo! 😍❤️💃

terça-feira, 27 de março de 2018

Que sorte a nossa, hein

Algumas pessoas vão te odiar pelo que você é. 
Outras, te amar pelo mesmo motivo...

Pessoas diferentes já me falaram, em momentos diferentes, que existem pessoas que despertam o nosso pior. Pessoas que podem até ser boas pessoas, mas que quando se aproximam entram em colisão. Faíscam. Fervem. Explodem. Fogo e gasolina no pior sentido da expressão.

Assim sendo, existem também pessoas que despertam o nosso melhor. Eu sempre achei que o máximo que alguém poderia fazer em nós fosse despertar a vontade de ser melhor. Mas não. Há um grau além. Existem as pessoas que despertam algo em nós, tão poderoso, que simplesmente fomenta nossa versão mais aprimorada. Que nos faz mais calmos. Mais gentis. Mais atenciosos, pacientes, altruístas. Pessoas que, sem nem saber, nos inspiram a sorrir mais, falar mais baixo, rir mais alto, dançar no meio da sala. Pessoas que despertam em nós a serenidade para lidar com os problemas. Pessoas que nos põe sal - e apuram o sabor bom que já temos. Gente que nos adoça - e nos faz mais carinhosos, mais serenos, mais alegres.

Tem gente que nos faz querer ser abrigo. Ser porto. Ser casa. Que nos mostra sem dizer que os lugares de paz não precisam, necessariamente, ser lugares. Que seu lugar de paz pode ser um par de olhos. Um par de braços ao seu redor. Gente que te inspira a fazer coisas que você nunca pensou em fazer. Que te faz querer sr uma especialista (mesmo que seja em simples panquecas...).

Algumas pessoas te amam pelo que você é. De cara lavada, barriga flácida, mau humor matinal. Amam seu jeito de falar da vida, o que você escreve, como ganha dinheiro, como atende o telefone. Tem gente que ama a gente pelo nosso ovo frito redondinho, com a gema no ponto. Ama nossos pés gelados, nossa preferência por banho quente, nosso gosto musical. Tem gente que ama a gente pelo nosso jeito de cantar, nosso silêncio ao ouvir, nossa vontade de comer doce, nossa atenção ao escolher o chocolate certo.

Tem gente que ama nosso jeito de encarar, como se pudéssemos despir a alma do outro só com os olhos. Gente que ama nosso ronco estranho, nossa impaciência, nosso café forte. Tem gente que nos ama até mesmo pelas coisas que a gente não percebe que faz. E que quando a gente pergunta a pessoa diz "só continua"...

Tem gente que nos ama, porque a gente fica. Porque a gente entende, mesmo quando ninguém mais poderia. E ama a gente porque a gente ama de volta. E leva o outro com a gente - no show, no cinema, em casa, pro nosso mundo. Nos ama, porque a gente aceita. Porque a gente pergunta. Tem gente que nos ama porque a gente responde - com paciência e carinho com a dúvida  do outro.

Gente que ama nosso carinho. Nosso azedume. Nosso charminho. A cor do nosso olho, o formato da boca, nossas tatuagens.

Gente que ama até mesmo nossa família. Nossa história, as coisas que aprendemos. Gente que ama nossa série favorita, nosso bolo favorito, os estalos dos nossos dedos.

Tem gente que nos ama pelo que somos e ama do jeito mais puro e simples possível. E, as vezes, acaba acontecendo da gente poder amar de volta essa pessoa, pelo mesmo motivo. 



Que sorte a nossa, hein.