quarta-feira, 19 de março de 2014

Esmeralda - uma carta pra ela, sobre ela

Não há quem duvide que eu sou apaixonada pela Esme.
Mas a verdade é que não foi amor à primeira vista.

Quando a vi pela primeira vez (foi nesse vídeo aqui)... Bom, eu já conhecia um pouco da Kahina e da Aziza. E tinha uma ideia bem amadora da dança do ventre. Eu, que por um ano e pouco havia me dedicado ao ballet clássico e que achava que todas as coisas deveriam ter regras indiscutíveis, vi Esmeralda pela primeira vez e fiquei pasma. 

Não sabia quem era "essa tal de Esmeralda". Mas assisti com atenção a sua dança - essa, do vídeo acima.

Eu (que nem tinha me aventurado pela dança do ventre além de ver os espetáculos da minha irmã e talvez umas poucas aulas) vi aquela que eu viria a chamar só de Esme - no nosso grupo de dança, Esme ficou conhecida como "best friend da Jaque"! ALOCA!

Então, quando a vi pela primeira vez, em seu traje todo vermelho, cabelos cacheados, pensei: "Quem. É. Essa. Doida?" Gente, ela dá um grito! Um grito! No meio da coreografia! Pode isso, produção? Não pode. Aposto que não pode! Onde já se viu... Ela para, pede palma. Pede mais agilidade com o derbake... E eu ali, de boca aberta. Achando tudo um absurdo. E, aí, no fim, quando eu achava que nada mais podia acontecer, a 'doida daquela tal de Esmeralda' se joga no chão - no que eu viria a descobrir, mais tarde, uma linda queda turca.

Enfim. Vamos às explicações. Nas minhas poucas apresentações de ballet - e nem posso dizer que é uma regra, mas eu achava que era - não interagíamos com o público. Não havia palmas, nem gritos, nem caras e bocas. Era sempre a 'cara de apaixonada' e tudo no lugar. Braços, pernas, joelhos, pés. Queixo erguido, costas eretas, bumbum na caixinha. Pra mim, era óbvio que não podíamos ter essa liberdade.

Foi aí que eu me interessei pela dança do ventre pra valer.

Pensei: será que a Esmeralda é assim em toda coreografia? Fui pesquisar. Encostei no balcão do YouTube e pedi pro barman: dá tudo o que você tem de Esmeralda pra mim, com gelo e açúcar! E assisti. Um vídeo atrás do outro. Mais um, mais um, mais um...

Pra mim, que nos últimos dias de ballet saía das aulas triste por não ter conseguido fazer o que precisava, por não ter sido perfeita - nossa, como aquilo me doía - achei o máximo existir uma dança onde, além da técnica, alongamento, expressão, etc... podíamos por alegria, paixão, diversão e... personalidade. 

Isso que vi nas danças da Esme: personalidade. Não sei se é a personalidade da menina Colabone ou da bailarina internacional Esmeralda. Ou se das duas. Mas era personalidade. 

Me apaixonei pela Esme, assim como sou declaradamente apaixonada pela Nur, por vários motivos: sua dança sensacional; seu quadril ligado num motorzinho, seus braços delicados e sempre cheios de intenção, seu sorriso... Mas, principalmente, a alegria de dançar (não sei vocês, mas eu vejo isso claramente nos olhos dessas duas bailocas). 

Eu sinto, quando vejo elas dançando nas telas do computador,  a alegria delas por estarem ali, o amor pela dança, o frio na barriga que elas sentiram antes de subir ao palco. E eu, que sou uma bailoquinha bebê ainda, que tem muuuuito o que aprender, me vejo compreendida, refletida. Vejo você, Esme, como um ser humano. Sinto você como alguém de carne e osso. E eu sou de carne e osso. E tendo alguém de carne e osso em quem me espelhar, eu me sinto mais próxima de conseguir atingir os meus objetivos. Parece que, assim, você prova que é possível.

Eu sei que depois de muitos Fala Esme, de muitos vídeos, muitos posts no seu facebook - onde você nos trata como amigas, mesmo não nos conhecendo pessoalmente - posso dizer que você continua sendo aquela doida do primeiro vídeo em que eu te vi. Mas, agora, eu entendo sua loucura. E admiro o seu estilo. A sua personalidade. O seu jeito de dançar. Hoje, você é pra mim um exemplo. Minha professora à distância. A bailoca que me motiva na segunda-feira a aguentar a semana com um sorriso (e um batom) nos lábios e a fazer com que todos os meus dias seja produtivos, dançantes e com muito amor.

Um beijo, Esme!

Bailoca Jaqueline Rosa.

Um comentário:

Juliana Camargo disse...

Jaque vc tem um belo dom com as palavras!!
Amei seu texto,talvez mais ainda dessa vez por compartilhar com vc a admiração pela Esme e a paixão pela Dança do Ventre, sentimentos que vc consegue transformar em frases lindamente.