segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Se der, ame-me



Você é touro. Eu, escorpião. Você tem a frieza que eu tinha cinco anos atrás. Eu, o calor que recebi. Você teme o futuro e eu desespero. Eu anseio cada momento e você os vive um de cada vez. Você acha que as coisas vão acabar mal, mas eu sei que tudo está bem quando acaba bem e se não está bem é porque não acabou. Eu acredito. Você desconfia. Eu choro as pitangas, os morangos, as melancias. Você não gosta das minhas lágrimas, mas aprendeu a não ter dó delas. Você diz as coisas sem pensar e eu, de tanto refletir, acabo por não dizer. Eu remoo suas palavras como se fossem mantras, negativos, frios, dolorosos que me arrastam para baixo. Você esquece o que disse no minuto seguinte e não entende porque eu fico tão alterada.

Coisas que eu sei
Eu adivinho sem ninguém ter me contado

Eu escrevo, eu choro, eu gaguejo. Eu quero ir embora e quero ficar, ao mesmo tempo. Quando você me diz aquelas coisas que me magoam eu sinto vontade de ser a rude que você teme que eu seja, mas te amo tanto que não consigo. Você me confunde e me assusta. Onde queres revólver, sou coqueiro, onde queres dinheiro, sou paixão, onde queres descanso sou desejo e onde sou só desejo queres não.

Eu tinha medo de me machucar. Você ainda tem. Eu morro de medo de machucar você. Você não me quer longe, mas se mantem distante. Aos poucos, venho engatinhando pra mais perto. Eu ainda penso em mim como alguém que colou os pedacinhos do seu coração. Ainda penso em você como quem me ensinou o que é a entrega de um amor. 

Você troca nossos travesseiros quando estou brava com você porque sabe que eu gosto mais do seu. Você dorme no cantinho da cama porque sabe que eu sou espaçosa e coloca os cobertores do jeito que sabe que não vou passar frio. Você sorri quando acorda (mesmo quando sou eu quem te acorda) e me vê. Você diz que me ama muito. E meu coração vira piruetas...

São coisas que antes eu somente não sabia
Agora eu sei

Não leve a mal se eu fico meio tonta... meio boba, meio eu. Meio insegura, meio nervosa. Não sei não ser eu, não ser assim, mas não é por mal. Eu lembro de você quando escuto músicas felizes, tristes, apaixonadas, animadas. Eu lembro de você quando compro revistas, quando leio coisas na internet. Eu faço cafuné quando você deita no meu colo e fico te olhando dormir. Eu te mando mensagens e te ligo e te escrevo e te marco no Facebook e te dou cartas de amor e te compro presentes porque quero que o mundo inteiro saiba que eu te amo e que sou sua e que você é meu. Eu falo descontroladamente e sem vírgulas pra ver se você entende o quão desesperado é o que eu sinto por você. O quão urgente é essa saudade, esse querer. Eu choro quando acho que você vai embora. Odeio ver você indo.

E de novo estou aqui. Pensando em você, em nós dois. Escrevendo asneiras apaixonadas que livros como "Por que os homens amam as mulheres poderosas" reprovariam. Porque nos meus textos eu me entrego, me derramo. E deixo claro pra quem quiser saber o quão sua eu sou. O poder que você tem sobre mim, minha felicidade e meu humor. O quanto dependo de você. E venho aqui, numa prece urgente e silenciosa, implorar o mesmo. Apaixone-se por mim. Deixe-me amá-lo com tudo que eu posso. Entregue seu coração pra mim... Deixe que, de tanto amor, ele transborde e derrame. 

Derrame. Se der, ame. (Me) Ame!

Porque eu te amo!
Eu te espero, vem...
Diga que você me quer
Porque eu te quero também!

Beijos, Jaqueline.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

don't speak: dance!

Cada dia mais apaixonada pela dança, que me inspira, me liberta e me faz esquecer: a rotina, o real, o problema, o vizinho, a dr, os carros passando na rua, o frio, o não, a dor, o medo, quem eu era e quem eu sou. A dança tem esse poder; nos faz sentir que tudo vai ficar bem. 

"- Sabe do que a gente precisa?
- O que?
- 32 segundos de dança."

Grey's Anatomy


A gente chega na aula tensa, chateada, as vezes até de coração partido ou depois de ter levado um tapa na cara da vida. Aí o som faz o seu trabalho. Eu poderia morrer dançando. O gran finale... 

Sempre achei que o Espaço Shiva fosse meu lugar. Um lugar de calmaria, um lugar de paz. Mas na verdade, quem me faz sentir assim é a dança. Seja o ballet, a dança de salão, o jazz ou a dança do ventre. Não importa, afinal. Pra quem nunca foi boa em dizer coisas, pra quem não consegue dizer um 'eu te amo' pra família, pra quem expressa o que sente escrevendo porque não consegue vocalizar (o que me lembra o exercício do Yoga, o RÁ, em que a gente inspira e expira num grito alto de RÁ, expelindo todas as coisas ruins do nosso corpo e alma - que eu nunca consegui fazer).

(( tem como não sorrir ouvindo um tabla solo??))

É estranho. Uma jornalista, metida a política que não sabe se expressar. Aliás, sei: sobre coisas alheias. Falar de mim é que é difícil. Explicar meus temores, meus sonhos, meus quereres. Aí sim: ferrou. E quando a gente dança, não pode falar nada. Boca fechada ou num sorriso estreito, e os sentimentos são obrigados a sair pelos pés, mãos, braços, pescoço, ombros, dedos, olhos, cabelos, barriga, ventre, joelhos, costas. 

Someone call the doctor Algúem chame o médico
Got a case of a love bi-polar Temos um caso de amor bipolar
Stuck on a roller coaster Estou presa em uma montanha russa
Can't get off this ride E não consigo descer

Só de ouvir música, eu já fico mais feliz e por mais idiota ou preocupante que seja a situação, eu só quero dançar. Acho que o que eu preciso mesmo é ir pra boate, casa noturna, esquina ou palco: e dançar. Como se minha vida dependesse disso.

Porque, no fim das contas, depende mesmo. 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

beija-flor

Num momento você está entediado, olhando pro computador, no outro, salvando um filhotinho de beija-flor que bateu na parede e está preso na janela. E você fica ali, meio perdido, meio bobo, falando com o beija-flor como que esperando que ele lhe diga algo de volta. Sua cabeça lateja e você queria estar em outro lugar, num outro planeta. John Mayer sussurra enquanto aquele violão dele, que mais parece trilha sonora de filme romântico na hora que a mocinha vai embora, te faz viajar. Há tanto pra falar, tanto pra fazer... E você ali, falando com o beija-flor.

As vezes, deixamos o tempo correr, como que acreditando que as coisas vão se resolver sozinhas... "Então eu acho que você poderia dizer que eu estive esperando por uma pausa nas nuvens cinzas", ele canta, como quem sente que tudo vai ficar bem. Ele põe um sorriso no rosto pra cantar suas músicas tristes porque sabe que não é o fim do mundo?  

Talvez aquele beija-flor tenha infartado mil vezes nos olhando, ali, tão perto, olhando pra ele. Um beija-flor tão pequeno e indefeso que suas perninhas mal alcançavam a madeira por onde abrimos e fechamos a janela. Deve ter pensado que ia morrer. Que lhe faríamos mal, que o pegaríamos, que teria um triste fim em mãos grandes de humanos... Que nunca mais seria capaz... Que não haveria outro jeito... Nem solução, nem remédio... Eis seu fado...


E apesar de toda a conspiração negativa, de todos os pensamentos absurdos e do medo... Ele voou. Assustando aos que o observavam encantados com sua pequenez e sua liberdade (tão grande para asinhas tão pequenas). Assustando a si, que não acreditava que pudesse, por um segundo, ter a coragem insana... de se jogar.

sábado, 27 de julho de 2013

Um dueto fora do tom

Que vida cretina. Eu aqui com tanta coisa pra contar, pra escrever, desesperada que estava por esse quadro branco que tanto me aflige... ansiosa por preenchê-lo com boas lembranças, lembranças da ultima semana, de dias alegres e distantes... e aí a vida, essa cretina, vem e me dá um belo dum tapa na cara, daqueles tão fortes que me jogaram no chão. 

E o que me resta fazer? Levantar-me, respirar fundo sem sequer esfregar a face avermelhada. Limpar as lágrimas do rosto borrado de maquiagem, como se nada tivesse acontecido, e ser forte, pra estar ali quando de mim precisarem.

domingo, 21 de julho de 2013

Minas

Devo ter algo em torno dos vinte minutos pra compor alguma coisa que faça sentido nesse blog. Finalmente, o tal dia de ir pra Minas e conhecer as tão desejadas cidades históricas chegou. Isso me faz lembrar o Almeida, o De Francisco, a Lucimar, a Aninha... Enfim. Hoje tivemos um dos fatídicos churrascos de família e, umas cervejas depois, estava com uma dor de cabeça dos infernos. Namorado se despediu no fim da tarde, foi embora, e eu deitei, me cobri com um daqueles cobertores gigantes e dormi. A dorzinha ainda lateja nas minhas têmporas. Ansiedade? Cansaço? Não sei não... 

O taxista chegou. Quatro minutos?? Ai ai ai... Desculpem a pressa. Quinta eu volto. Vou tentar mante-los atualizados dos meus passeios.

Um beijo, São Paulo! Um beijo, Cabreúva!

Aquele abraço pra quem fica. Fui.

#PARTIU #MINASGERAIS

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Branco

Eu fico olhando pra esse quadro branco. Tem tanta coisa aqui na minha cabeça... Mas os dedos não se mexem. Não acompanham o ritmo frenético dos meus pensamentos. E tudo continua assim: vazio.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Contato

"Existem 400 bilhões de estrelas só na nossa galáxia, se apenas uma em um milhão tiver planetas, e se apenas uma em um milhão dessas tiver vida, e se apenas uma em um milhão dessas tiver vida inteligente, deve haver literalmente milhões de civilizações no universo."

"Se não houvesse vida fora da Terra, o Universo seria um tremendo desperdício de espaço."

Sou dessas que não sabe direito em que acredita. Se acredito em Deus? Sim, claro. Se acredito na teoria evolucionista de Darwin? Sim, é bem lógica essa linha de raciocínio. Se acho que Adão e Eva discutiram a relação no paraíso? Não, não, aí já é demais...

Mas afinal, por que não posso achar que, apesar de termos evoluído pouco a pouco até sermos os sapiens sapiens, há um Deus lá em cima, olhando a gente brincar de livre arbítrio?

Uma vez, li num dos meus livros de história do ensino fundamental a teoria do Deus relojoeiro. Um cara gordo e barbudo com longas vestes estilo Dumbledore, que com suas mini chavinhas de fenda constrói um belo e dourado relógio. Ele o fez e é seu dono. Quando termina e o mundo-relógio está pronto, ele simplesmente o pendura na parede ou no pulso e o deixa funcionar sozinho. Não há interferência do Criador para que nada aconteça. As vezes, ele dá corda, troca a pilha, conversa com o relógio... Mas nunca vai fazer com que o relógio frite ovos. Relógios marcam as horas.

Da mesma forma, acredito num Deus que sussurre amor e inspiração a nós, as engrenagens de seu relógio, para que tudo funcione bem, mas não num Deus que, de hora pra outra, vá desmontar o relógio e mudar suas funções. Não acredito tanto em milagres operados unica e divinamente por Ele. Nós somos seus milagres. Suas engrenagens que fazem os ponteiros trabalhar. E milagres acontecem quando nós, pecinhas tão miúdas nesse Universo de engrenagenzinhas, sorrimos, ajudamos o próximo, gastamos tempo sendo gentis, abrindo a porta do banco pra velhinha ou esperando o pedestre atravessar a rua. São dessas pequenas atitudes que nascem os milagres.

Pra mim, Deus não está nas igrejas. Deus está naquela nuvem brilhante que eu vejo num dia triste. Eu olho pra luz e penso: "obrigada por me fazer companhia, é bom não estar sozinha com a tristeza". Deus está naquela criança que, sem saber o que está acontecendo, abraça carinhosamente a mãe que chora. Ele está naquelas risadas gostosas, naquele dia difícil em que, no fim, ainda conseguimos pensar positivo. Deus está no amanhecer e no anoitecer. Está naquele pôr do Sol que vejo da minha janela. Está nos bichos e nas plantas e nas cores e nas crianças e nas amizades e nos livros e na leveza, na alegria, na dúvida e até mesmo na introspecção. Acho que Deus nenhum vai exigir de nós nem perfeição nem alegria o tempo todo. Deus deve entender nossas dores, nossas dúvidas, nossas lágrimas. Mesmo que não concorde com elas, ele entende.

O filme Contato, indicação/presente do querido Carlos Santiago, é realmente lindo. As cores, os céus... E a teimosia. Ser firme nos seus propósitos, nas suas convicções, mesmo quando tudo está de ponta cabeça. A gente sabe que remar contra a maré dói mais o braço. Mas pra sermos iguais a todos... Poxa, pra que estar nesse mundo, né?

Eu também acredito que Deus nos dê missões. Não aquelas tipo War, que você passa o jogo todo tentando cumprir. Mas algumas dicas de caminhos, de talentos... Tenho um amigo que é meio como um anjo. Todos que conversam com ele veem ali um alguém em quem se pode confiar. E dez minutos depois, estão compartilhando suas vidas. Ele tem o dom de trazer alegria. Eu queria ter esse dom, mas não tenho. Talvez meu dom, meu talento, seja essa coisa de querer sempre ajudar o próximo e essa capacidade de ver o melhor em cada pessoa. Sei lá... É nessa parte, pelo menos, que eu costumo prestar atenção. Eu confio em todos, num primeiro momento. E que se dane quantas vezes isso já me magoou. Vou continuar confiando. Mais e outra vez.

Isso é um dom? haha Deus deve gostar de gente que se esforça pra encontrar qualidades e motivos pra gostar das pessoas. Né?

Só Deus sabe das nossas conversas, que alguns chamam de orações. E mesmo que minha mãe chore quando eu não vou na missa, Deus sabe que eu gosto muito dele e que o tenho sempre bem perto de mim, como eu faço com os bons amigos.

Então, Deus deve entender que eu sou imperfeita e doidinha. Mas ele sabe também que esse é o meu jeitinho escorpiano de conversar com ele, de estar presente, de demonstrar que eu o quero pertinho de mim. E acho que ele me respeita e ama, desse jeito.

Recomendo o filme a todos, assim como o livro A Cabana.

Beijinhos, bom dia.

Jaqueline Rosa, de óculos vermelho.