"Os dois riram. Era um encontro informal. Durante seis anos tinham se amado muito. Não podiam viver um sem o outro. Os amigos diziam: esses dois, se um morrer o outro se suicida. Os amigos não sabiam que havia sempre uma ameaça de malentendido com eles. Eles se amavam, mas não se entendiam. Era como se o amor fosse mais forte porque substituía o entendimento, tinha função acumulada. Ela interpretava o que ele dizia, ele não queria dizer nada." (Veríssimo)
segunda-feira, 26 de maio de 2014
Aprendendo a sobreviver
"Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar"
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar"
No primeiro dia aprendi que ser sincero requer coragem. No segundo, que a verdade abre portas nos nosso corações - mesmo que só a gente saiba a verdade. No terceiro, que água quente nos faz ficar mais aptos a uma conversa amigável e depois aprendi que dizer adeus dói. No quarto dia, aprendi a sorrir e não contar a cada transeunte o que estava de fato sentindo. No quinto dia, aprendi que ninguém quer a nossa felicidade - o que as pessoas querem é ter mais um assunto para fofocar. No sexto dia, aprendi que angústia é uma coisa que dói no peito e faz faltar o ar. No sétimo dia, aprendi que as pessoas com as quais mais você se preocupava são as que primeiro te substituem. No oitavo dia, aprendi alguma coisa, mas não lembro o que é. No nono dia, que é preciso retomar as amizades. Mas no décimo dia, a lição foi mais profunda e mais dolorida. Como um curativo num machucado grande, que arde, mas depois cura.
Aprendi que minha teoria estava certo. Estamos sozinhos. Como eu mesma escrevi em outro momento: "Precisamos parar de ter medo de encarar os fatos: somos nós e a estrada. Ninguém pra nos dar a mão. Apenas nossos pés cansados e os ombros doloridos. E o horizonte." De fato. Aos poucos estou vendo como eu estava certa. E, nesse caso, gostaria de estar errada. Sempre preferi ser feliz a ter razão. Às favas com a razão! Mas aprendi que, as vezes, a gente acerta.
Aprendi que estou mesmo sozinha. Mas houve uma lição um pouco mais doce: eu não morri.
E aqui começa outro texto.
Beijos, Jaqueline.
sexta-feira, 23 de maio de 2014
fisicamente
Lá estava eu. Ouvindo Moska, Clarice, Ana, Filipe e tantas outras vozes tristes e intensas. E lendo que "sutilezas têm um poder devastador." enquanto a chuva cai e o céu fica ainda mais cinza.
Já notaram como a angústia faz faltar o ar? Aperta o peito, tira o ritmo e faz seu diafragma esquecer pra que ele serve? Assim como a ansiedade faz arder no estômago a mais profunda gastrite, que esburaca suas entranhas, te fazendo sentir pior ainda.
Vai ver eu pense com o estômago. Sinta com o fígado. Sonhe com os ossos. Pense com os músculos.
Sei lá.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Vamos nos permitir
Vamos viver tudo o que há pra viver!
Vamos nos permitir o erro. Nos permitir
enfrentar o medo, o novo, aquilo que ninguém mais entende. Vamos nos permitir
dizer não quando todos nos esperam concordar pacificamente. Vamos nos permitir
a franqueza, a fraqueza, a dor. Mas também permitir a descoberta, a busca, a
procura, a vontade.
Não há tempo que volte, amor. Vamos viver
tudo o que há pra viver. Vamos nos permitir o descontentamento. Não precisamos
estar sempre felizes com o que temos. Vamos nos permitir querer mais. Permitir
a ousadia, a rebeldia. A raiva. As lágrimas. Vamos nos permitir a sinceridade,
mesmo que ninguém acredite. Vamos nos permitir o sorriso largo, cheio de
dentes, numa mesa de bar. Vamos nos permitir escolher. Nem que seja a próxima
musica para o DJ. Vamos nos permitir, ao invés de dançar conforme a musica,
dançar a musica que quiser.
Vamos nos permitir esquecer as feridas,
cheias de mertiolate. Esquecer os jogos que perdemos. Esquecer até mesmo as
regras. Os senões. Os 'porquês'. Os 'mas'. Esquecer
os erros. Vamos nos permitir o recomeço.
Vamos nos permitir não dever nada pra
ninguém. Nos permitir a liberdade. Nos permitir não prometer nada.
Vamos nos permitir deixar pra lá, deixar
que digam, que pensem que falem. Nos permitir não dar ouvidos pra ninguém.
Vamos nos permitir ouvir nosso coração.
Vamos nos permitir a amizade. O amor
próprio. Nos permitir correr atrás dos nossos sonhos. Vamos nos permitir
sonhar, sem ter medo de ser feliz.
Vamos nos permitir a solidão. Permitir que
sejamos nossa melhor companhia. Permitir
que cuidemos da gente como cuidamos dos outros.
Vamos nos permitir o atraso, a desculpa, a
piada, o mau humor. Desde que seja tudo verdadeiro. Vamos nos permitir o auto
conhecimento. Nos permitir dizer o que nunca foi dito. Fazer o que nunca foi
feito. Tentar o impossível.
Vamos nos permitir. Dar a volta, pular o
muro, mergulhar no escuro. Ir onde quiser, ver o que quiser. Vamos nos permitir
novas histórias novas experiências, novas músicas de trilha sonora. Vamos nos
permitir o eterno e o passageiro. O hoje e o amanhã.
Vamos nos permitir o ócio. Nos permitir
palavras… E a Amnésia.
quarta-feira, 14 de maio de 2014
o que você vê em mim, quando fecha os olhos?
Hoje estava pensando, enquanto respondia uma enquete boba, que eu sou uma pessoa brega. Sim, brega. Igual ao que a gente diz dos outros. Meu estilo não é casual. Meu estilo, no caso do inverno, é roupa quente. Meu estilo é conforto, que a gente pode chamar de "o que tiver no guarda roupa".
Ontem, por exemplo, eu estava de blusa listrada de branco e azul e uma jaqueta com aquela estampa de exército. E um lenço azul com caveiras beges. E uma bolsa preta com caveiras brancas. E óculos vermelhos. E sem maquiagem nenhuma. Ninguém consegue ser chic assim, nem aquelas meninas que ficam bonitas até vestindo saco de batatas.
Hoje, estou com minhas jeans com rasgo no joelho.
![]() |
| no facebook todo mundo é bonito |
Eu até queria ser uma daquelas sempre lindas, maquiadas, com anéis e brincos e salto alto. Ou ser meio rocker pin up, com corpetes e saias rodadas e topetes e olhar sedutor. Ou entrar as dez no trabalho, pra ter tempo de me arrumar.
Mas hoje,... Hoje me disseram que sou linda porque, "olha as coisas que você fala!" haha e fico pensando que tanto faz de azul não combina com marrom ou se estou de scarpin ou coturno. Se vocês veem minhas espinhas ou não.
Acho que estou começando a entender. Entender o que é importante. Um bom papo, uma boa cerveja. Uma boa risada. Uma bela poesia. Importa o que sou. E eu não sou o frizz no meu cabelo ou minhas olheiras. Também não sou a barriguinha ou o pé feio. Eu sou mais. Sou maior.
E hoje, me toquei, que a receita pra ser linda assim é simples: ser mais do que um pote. O importante é ter alma dentro. Vamos ter alma, caráter, ideias... Fazer o que a gente quer. Fazer o que a gente gosta. Ter atitude e ir além.
E só.
Beijos, Jaque.
ps: vou comprar aquele suspensório. E um chapéu.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Incorrespondências sumiu
Eu não sei que merda eu fiz, mas meu projeto Incorrespondências está em branco. Sumiu tudo. Cada linha, cada palavra sentida ou inventada. Eu fiz textos novos, salvei e estava tudo lá. E agora não está mais. Isso é o destino dizendo que essas cartas nunca serão mesmo entregues? É um sinal de burrice pura ou de que é melhor deixar pra lá essa história de escrever livros?... Ahhhhh!
segunda-feira, 28 de abril de 2014
decisões
Decidi comprar um carro, em mil parcelas, pra sempre. Decidi comprar um carro porque quero instalar nele um rádio e sair com meus óculos escuros, ouvindo deliciosas músicas brasileiras, rumo à qualquer lugar. Decidi comprar um carro pra poder de vez em quando sair de casa e dirigir no ritmo da música, com os olhos na estrada e nas árvores que correm ao meu redor sem saber pra onde ir ou ter hora pra voltar. Quero abrir os vidros e sentir o vento no meu rosto e conversar comigo mesma. E ao chegar ao meu destino, sentar em um café e ler Platão, Pessoa ou Leminski e ver o dia acabar com uma promessa gostosa. Quero ser minha melhor companhia. Quero me divertir comigo mesma. Me chamar pra sair e passar horas ouvindo o que tenho pra falar. Quero me apaixonar... por mim.
Também resolvi que quero estudar. Quero ler, aprender e tentar, ao menos tentar, fazer o que não tive coragem aos meus dezessete: ir. Ir e estudar o que eu quiser, onde eu quiser. Trabalhar, ralar, acordar cedo e lavar louça da semana pra poder ter onde beber água. Quero ter que lavar minhas próprias meias e suspirar de preguiça ao ter que fazer o almoço. Quero ter orgulho daquela coisa besta que chamam por aí de currículo e eu chamo de história. Que mania que a gente tem de ir tocando em frente, empurrando com a barriga, como se não tivéssemos controle sobre quem somos. Gente, bora ler Sartre, bora? Nós estamos condenados a liberdade. Somos os únicos responsáveis pelo nosso destino, pela nossa felicidade. Precisamos parar de ter medo de encarar os fatos: somos nós e a estrada. Ninguém pra nos dar a mão. Apenas nossos pés cansados e os ombros doloridos. E o horizonte.
Quero ver o MAM, a Galeria do Rock, a Liberdade. Quero ver Belém, Brasília e o por do sol na praia. Quero me rasgar inteira e sair. Me desprender, abrir as asas, voar. O mundo é grande, menina. O mundo é bom, Sebastião. E eu sou grande demais pra essa gaiola.
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