quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

longanimidade

substantivo feminino
  1. 1.
    virtude de se suportar com firmeza contrariedades em benefício de outrem; magnanimidade, generosidade.
  2. 2.
    POR EXTENSÃO
    paciência, resignação com que se suportam contrariedades, malogros, dificuldades etc.



Não sei se são os hormônios ou se é só decorrência da espera.
A cada minuto, mais se esgota a minha boa vontade.
Não tenho mais paciência nem quero ter.
Entrei na fase de ouvir Leoni, tamanha desilusão.

Coincidentemente, dei de cara com essa palavra esquisita cujo significado desconhecia: longanimidade, que parece ter a ver com a capacidade de aguentar firme. Ontem foi mais um dia assim. Com a cabeça pesada, o coração aflito, os pulmões espremidos numa caixa torácica muito apertada, sem conseguir o ar necessário pras células todas.

Platão deve estar rindo da minha cara agora mesmo. Balançando a cabeça pra cá e pra lá com um sorriso de pena, ciente de que esse meu sofrimento todo não resolve nada e nem acelera os processos. 

Certo também de que, quando em posse das chaves, elas não parecerão mais tão urgentes assim. 





segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

E é o fim daquele medo bobo

Todo dia tenho um pouco de medo de te perder. Um receio que da um apertão no peito e me faz pensar por uns momentos que talvez você me deixe outra vez. Acontece quando fico sem notícias ou sozinha por muito tempo. Talvez por isso mal te deixe dormir e queira te ver todos os dias.

Acho que ainda me surpreendo com a verdade. Acho que ainda duvido um pouquinho que eu mereça tanto...! No fundo, sei que sim, porque esse amor é recíproco. Mas meu lado apavorado e pessimista fica pensando por quanto tempo você amará a bailarina ansiosa com zumbido no ouvido.

Eu, no entanto, conhecedora das minhas próprias neuroses, tenho umas táticas infalíveis pra esquecer tudo isso. Me enfio no meu canto preferido: dentro do seu abraço. Chego de surpresa e olho sua expressão se transformar de felicidade ao me notar. Ouço você cantando pra mim, dizendo que está apaixonado ou com saudade. Resgato as declarações de amor e me derreto.

E vinte minutos com você tem o poder de salvar meu dia...! E de repente, já estou pensando em presentes de natal, móveis planejados e jantares a dois, três (ou, no futuro, quatro...).

Penso dia e noite em dividir a vida com você e torço pra que isso aconteça! São pensamentos como esse (tão simples como imaginar a compra do mês...) que tiram de mim o medo bobo. Pois quando estou com você sei que estou no lugar certo, na hora certa, com a pessoa certa.

E é como eu digo: quando seu lugar de paz não for um lugar (mas alguém) fique. Aproveite. Desfrute. E ame de volta com todas as suas forças.

"Cada dia tenho mais convicção sobre você..." e tenho mais convicção sobre nós!

Porque seus olhos brilham enquanto você caminha pra mim, no fim da dança.  
Porque você diz que vai pegar orçamento do box do banheiro e pega! 
Porque você me olha nos olhos e não tem pressa de ver outra coisa.
Porque você se preocupa comigo e meus zumbidos e ansiedades.
Porque você me faz rir, me faz acreditar, me faz mais serena. 

Você me ensinou que 'primeiro as primeiras coisas' e até agora não acredito que aprendi!! haha
Você me faz ser mais proativa, mais divertida, mais tranquila, mais grata...! 
Você deixa mais leve o peso do meu coração...



Neoqueav.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

quando seu lugar de paz não for um lugar... fique

Você tem flores na cabeça e pétalas no coração, tem raízes nos olhos, excitação, acalanta o meu coração... 

Disse ontem que até dormindo você me ama. Acorda com um olho só pra ver se estou bem acomodada no travesseiro improvisado. Me abraça entre um ronco e outro e balbucia que seus braços doem do trabalho até mais tarde e que é por isso que você não me abraça mais forte... Quando acorda abre os braços bem abertos e depois os fecha em volta de mim, como quem nunca mais vai me deixar escapar dali. Seus olhos sorriem pra mim e até no escuro posso ver... 

E é assim. A gente funciona. Você faz espaguete enquanto me arrumo pra um show. Eu faço café pra você conseguir acordar pro vestibular. Monto lanches enquanto você se arruma pro trabalho. E você verifica se estraguei mesmo minha espada de dança com minha falta de cuidado. Você mede meu apartamento e me faz sentir segura com coisas que eu não faço ideia de como lidar e eu penduro suas tolhas no sol... 

Seu queixo se encaixa no meu ombro e minha lombar se encaixa na sua barriga e esse é o meu lugar de paz, com as suas mãos em volta da minha cintura e meus olhos fechados e o sorriso aberto.

Eu olho pra você e agradeço... Pois quando meu ouvido zumbe você me aninha nos seus braços e me faz cafuné, até que eu durma. E você não tem frescura e me liberta com seu chinelo e meia. Me autoriza a ser simples, a ser menos nutelinha, me faz ter vontade de acampar...

Eu olho pra você e agradeço... A cada passo dado que me trouxe até aqui. A cada passo seu que te fez ser quem você é (qualquer outra pessoa teria brigado com quem queimou o guardanapo e estragou de vez o aspirador de pó). A vida é leve e simples ao seu lado. Gostosa, agradável e cheia de risadas...





E eu só penso em cuidar de você e deixar você cuidar de mim...
Que sorte a nossa...!

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Xiu

Não grite felicidade
Pois a inveja tem sono leve
E te vigia quando acorda

Não gargalhe felicidade
Pois o ódio é a bibliotecária
Meio cega
Que lê em silêncio

Não aumente o volume
Nem da felicidade nem do amor
Que só você tem que saber
Do que se passa em você

Não grite empolgação
Que logo vem
O balde de água fria

Não compartilhe ansiedades.
Foque.
Olhe pra sua mão
Pro celular
Pra dentro.
É lá que tem que estar a informação.
A certeza tem que estar em você.

Só você viveu.
Só você sentiu.
Só você soube...

Quem antes não se importou em saber
em entender
em estar perto
que se dane!

Seja dona das suas verdades.
E sustente suas decisões
Sem esperar pela validação.

Tape os ouvidos e os olhos pro que não te leva pra mais perto de onde você quer estar.
Tape os ouvidos e os olhos pro que não te deixa em paz.

E morda a língua antes de gritar felicidade.
Não grite felicidade.
Ainda.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

forte sou, mas não tem jeito

estou só e não resisto: muito tenho pra falar

Acabei de ver uma daquelas campanhas sensacionais da Dove, sobre fortalecimento de auto estima, e apareceu escrito "nem sempre o que elas falam é tudo o que sentem". História da minha vida.


'Pra namorar com você o cara tem que ter três bolas', me disseram.
Eu ri, porque é bem verdade que eu não sou uma pessoa fácil. Daí senti que precisava escrever sobre o assunto...

Depois, fiquei sabendo que era um elogio, mas aí o texto já estava escrito e não se pode voltar atrás com a palavra dita...

Bom, eu poderia simplesmente dizer que sou escorpião com ascendente em capricórnio e lua em virgem e encerrar esse texto. Mas vamos lá falar um pouco sobre mim.

Eu não sou exatamente uma pessoa fácil e, por isso, tenho uma tendência desgastante (pra mim) de querer facilitar a vida da outra pessoa, como se isso fosse tornar a minha presença mais agradável (o que é uma bobagem sem tamanho, visto que eu sou uma pessoa agradável). Isso significa que, do café ao currículo, da faxina ao muro das lamentações, de levantar sua bola pra você ser mais positivo (mesmo eu sendo uma pessoa pessimista e mal tendo otimismo pra mim) a reorganizar a minha agenda louca pra estar com você, de divulgar o seu negócio pra sua vida financeira melhorar a pensar nos seus boletos que vencem hoje e você provavelmente esqueceu: eu faço tudo. E faço não porque você pediu, ao contrário: faço tão de coração que vou fazendo, vou ajudando, e quando vejo estou fazendo tudo pelo outro. 

Até aí você deve estar pensando como isso deve ser delícia. Como deve ser perfeito ter alguém ao lado tão disposta a fazer tudo por você. Tenha calma, jovem. Não estou falando do seu lado da história.

Acontece que o pulo pro outro lado da fronteira é muito fácil de dar.

O primeiro pé, é bem rápido: eu faço tanto pela outra pessoa que espero ser retribuída na mesma moeda. E é aí que nasce a frustração - o segundo pé. 

Sobre o primeiro: ser eficiente me faz ser insuportavelmente exigente. Por dentro eu fagulho, querendo mais. Mais olhar, mais atenção, mais tempo na sua agenda, mais organização, mais memória sobre as coisas importantes, mais demonstrações, mais abraços inesperados, mais animação, mais palavras escritas, mais. Mais você na minha casa, mais você nos meus shows, mais você nos meus planos. Por fora, um eu-blasé que jamais falará uma palavra enquanto suportar segurar, porque - lembram? - eu quero ser uma pessoa fácil de lidar. E sigo fazendo tudo. Cálculos, planos, balizas, contatos profissionais. Eu acordo mais cedo, durmo mais tarde, fico dias fora de casa com uma sacola de roupas, volto de viagem e vou correndo pra você. E não exijo nada. Não cobro nada. Fico em silêncio, pra não incomodar, não pesar, não doer, não afastar. Mas por dentro eu estou gritando...! 

E eu não quero mais pouco

Eu forço a barra. Eu sou uma pessoa presente demais. Eu sou tudo ou tudo. Não sei deixar a pessoa quieta no canto dela e não sei ficar quieta no meu. E eu sou escorpiana né. Eu simplesmente sei quando você diz que está tudo bem, mas não está. E o simples fato de você não querer me falar, não ter me falado sem eu perguntar e insistir em não dividir o que está acontecendo quando perguntado acende luzes vermelhas e me faz desejar essa informação até o inferno. Afinal, tá escondendo o que? Hein? O que tá pegando que você não quer me falar? Então você não confia em mim pra te ajudar com os seus problemas? Então você tá me escanteando? Então eu só sirvo pra beijinhos e carinhos sem ter fim e na hora do vamo ver você fica aí carregando o mundo nas costas? Se eu não pergunto você não me fala né?  Hein? É isso que é namorar pra você?!?!

(risos nervosos)

Quando você me conhece, me ouve reclamar da minha rotina, dos meus quatro empregos e do meu cansaço. De como tudo o que eu queria era dormir até meio dia ou passar o domingo de pijama. O que é verdade - até o capítulo dois. Me deixar por meses de pijama pode te custar caro. Chega uma hora que nem pentear o cabelo eu penteio mais. Não uso mais salto alto e viro parte dos móveis, igual aquela propaganda da OLX. Até que chega o momento em que eu simplesmente não aguento mais. E preciso sair. E de novo: pode deixar que eu dirijo e pago a conta. Não se preocupa não. Só vai comigo e fica feliz de estar comigo ouvindo uma música boa. Já tá ótimo pra mim!

E eu vou morrendo por dentro conforme a lista de coisas que eu faço com você e seus amigos vai ficando maior do que as coisas que você faz comigo e meus amigos - e essa diferença sempre cresce tão rápido e, quando eu vejo, só tenho os seus.

Sim, já aconteceu.

Eu sou prolixa. Falo demais, penso demais, sinto demais, pergunto demais. Sou um mar de perguntas desnecessárias, fui criada na filosofia. Sou medusa, petrifico com o olhar, ergo as sobrancelhas, julgo a roupa que você escolher pra sair comigo. Sou metódica, quero combinar tudo nos mínimos detalhes e tenho uma incapacidade enorme de trocar o planejamento pelo imprevisto. "Chegando lá a gente vê" é pedir por infarto.

Quero amar falando até a madrugada, conhecer todos os seus fantasmas, te reconhecer de longe, do avesso. E, mesmo assim, não sou tão simples assim de me deixar conhecer. Não vou te contar de cara qual foi a pior coisa que já fiz na vida e nem de qual mais me arrependo. Meus segredos você precisa conquistar... Mas quero os seus no primeiro encontro.

Coitado de quem se interessa pouco

Outra coisa é que, comigo, não é muito inteligente o esforço dos primeiros encontros - aquela coisa da arte da conquista sedutora - porque eu vou querer que você mantenha o nível. Eu sou da estabilidade. Gosto do que é conhecido, por isso sempre me meto em relacionamentos duráveis. Se você foi romântico, surpreendente, gentil e atencioso no primeiro encontro vou querer que assim seja até o fim. Não vem com essa de 'acabou a novidade' ou de 'já conquistei'. Eu sou mulher de ser conquistada todos os dias. Isso significa que é preferível que você me conquiste sendo mediano constantemente do que sendo incrível por duas semanas. Ao menos se você estiver preocupado com o meu sofrimento... Só seja você mesmo. Não faça joguinhos de sedução. Não me dê flores se você não for o tipo de cara que dá flores, porque quando você esquecer nosso aniversário de namoro ou qualquer coisa do tipo, eu vou sofrer em dobro, porque você me deu artifícios para criar expectativas. Altas.

Aqui caímos em um terreno minado. Jesus, que talento pra criar essa tal de expectativa. Pra fazer planos. Pra pensar em tudo com um tom de eternamente...

Enfim. Voltando...

Sei que estou tentando reconfigurar a minha programação mental pra aprender a dar um pouco menos das minhas vísceras e deixar que o dito cujo que se dispuser a estar comigo tome um pouco as rédeas da coisa - e conseguir relaxar, confiante de que ele sabe o que está fazendo.

Quero aprender a deixar que o outro cuide de mim também, mesmo que esse seja um aprendizado complicado pra mim. Aprender a confiar que o outro também pode resolver as coisas, que o outro pode ser responsável pelos nossos planos ou escolher o que vamos almoçar no domingo. Deixar que  a pessoa no banco do passageiro coloque o halls na minha boca enquanto eu dirijo, pra não ter que soltar o volante ou tirar os olhos da estrada.

Tô tentando me desconstruir e abrir mão: do controle, das certezas, da ansiedade. Tô tentando não atropelar as coisas e nem fazer planos de pra sempre tão rápido (tô tentando há duas décadas e meia e falhando miseravelmente...). Tentando ficar sozinha no meu pra-sempre, pelo menos até ser inevitável ter companhia lá.

Tô tentando agir naturalmente. Tô tentando aprender com meus erros anteriores e deixar minha vida bem estruturada e o mais fortalecida e independente possível. Tô tentando não ter medo de ser insuficiente. Não ter medo de ser pouco...

Tentando não me cobrar tanto.
E - na boa - tentando cobrar mais de vocês.








Vai ter que rebolar muito pra por uma aliança no meu dedo, meu amigo.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

3 de setembro

Fecho os olhos e te vejo nessa cena...
Tá foda pra mim e é pior te ver assim. Aguenta. Resiste.
Deus ajuda quem cedo madruga e há semanas não dormimos...
Nossa hora deve chegar.

'Todo dia é una nostalgia das besteiras que fizemos ontem', você disse... Sem falar do peso das coisas que nem fizemos. Todo dia eh una promessa de novidade, mas a gente carrega a lembrança do que foi e a saudade do que não aconteceu...

Não é fácil. Toda segunda é 03 de setembro. O Museu queimado, o dia tão cinza quanto meu coração... Os olhos cada vez mais marrons, empoeirados de desesperança, escurecidos longe daquele brilho azul que os esverdeava de esperança e alegria...

Ninguém consegue tampar o buraco, além de ti ninguém aqui cabe. Buraco específico do caralho. Ninguém se encaixa. Todos são menores, tudo falta. E mesmo as pessoas incríveis são vistas desbotadas por esses olhos opacos e ranzinzas.

Sobra tanta falta... Sobra tanta coisa pra dizer que me desespero...
Sobra tanto espaço dentro do abraço... Sei la...

Eu vou fingindo.
Fingindo que me engano, fingindo que acredito.
Fingindo que me interessam outras mãos na minha cintura.
Fingindo que não te procuro - com olhos que agora enxergam - na plateia.
Fingindo que não é por te amar que ainda repito suas onomatopeias e frases feitas.

Fingindo que não parece ter areia dentro desses olhos vermelhos de chorar no almoço...

Hoje eu não fingi e sinto que deu tudo errado. Deu?

Amanhã, vou fingir. Fingirei bem fingido que está mais fácil, mais leve, mais claro.
Que entendi, que aceitei. Que faz sentido. Que vou deixar você ir...
Fingir que o dia está bom e feliz e que há algo que eu queira celebrar.
Fingir que é dia de festa.

Fingir que não é pra você o bolo que faço. De prestígio. Aquele que tanto falamos durante o ano...

Vou fingir que me interesso pras perguntas que me fazem naquele aplicativo.
Fingir que ligo se são engenheiros ou advogados, pra que time torcem ou de que música gostam.
Todos tem seu nome e nenhum tem seus olhos.

Vou fingir que não sinto falta até mesmo do cheiro da sua casa.
Até mesmo dos seus cigarros que você nem mesmo fuma mais.
Fingir que não queria estar aspirando o pó do seu quarto, só pra podermos deitar no colchão no chão e nos amar, tranquilos.

Vou fingir.

Um poeta é um fingidor, já dizia Pessoa.
Eu nunca fui poeta, mas vou fingir que sou e vou fingir.
Fingir que não fui longe demais.
Nem que aguentei mais que podia. E fingir, principalmente, que não colocaria os rins a venda pra poder comprar a oportunidade de estar com você de novo.

Fingir que não desejo todos os dias que você apareça, simplesmente, e diga que não sabe como vai fazer, mas que não dá mais pra ficar sem mim.
Vou fingir amanhã, que não rezo todas as noites - quando isso obviamente não acontece - pra ter amnésia, pra me apaixonar pelo rapaz bonzinho que gosta de mim, pra não secar, pra que qualquer coisa aconteça...
Eu vou fingir que não vejo dia sim dia não passagens só de ida. Pra Portugal, pro Egito, pra Marte...!
E vou fingir que tem algo a mais que me impede de ir, além de esperar você.

Vou fingir que cresci, que amadureci.
Fingir que desejo que você seja feliz com outra pessoa.
Fingir que quero que você me esqueça.
Vou fingir que te esqueci.

E beber e rir e falar alto.
E depois me enfiar naquele travesseiro que morava na sua casa e finalmente parar de fingir...

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

aceite ser rio



Meu Deus. Se prepara pra um texto muito louco com várias histórias aparentemente desconectadas que a gente só entende no final o que uma tem a ver com a outra. Pelo menos a ideia é essa... Não me julguem se não der certo haha



Uns anos atrás, minha irmã tinha muitas espinhas no queixo. Internas, doloridas, eternas. Chegou um momento em que aprendemos que, na medicina chinesa, inflamações nesse local estavam relacionadas a problemas no aparelho reprodutor. Quando ela foi ver, tinha um enorme cisto em um dos ovários, o que desregulou seus hormônios e afins. Tratamento, cura. Mais espinhas. Mais cistos. Cirurgia. 

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Há semanas, venho tentando aprender a lidar com as minhas raivas na terapia e na vida. Nessa mesma fase, tenho tido no ouvido direito um zumbido irritante, sem nenhuma causa clínica. Segui negando veementemente a necessidade de lidar com raiva (afinal, que raiva?), mas, por confiança no meu terapeuta, também tentando trilhar esse caminho. Até que um dia, uma amiga que - parece-me - enxerga a aura das pessoas, me disse que eu precisava comer rúcula. E acelga. E coisas verdes e amargas, porque eu precisava cuidar do meu fígado. Ahn. Ergui uma sobrancelha. Fiquei de cara, olhando pra ela sem entender nada. Dei um Google e descobri que as tretas com o fígado são reflexo justamente... da raiva. Quando ela me falou isso sem saber de nada do que eu estava lidando, entendi que tinha mesmo que lidar com as danadinhas (e comer matos verde-escuro amargos e afins). Dei uns gritos, combinei de transformar a raiva em uma coisa artística, desabafei. Enfim. Estou no processo...

Eis que há uns dias, noto minha orelha direita inflamada. Infeccionada do brinco - apesar da pomada que resolveu o problema da esquerda - espinhas por dentro e por fora. Hoje, decidi pesquisar o que a Medicina Chinesa (a mesma que diagnosticou o problema silencioso dos ovários da minha irmã) tinha a dizer sobre espinhas na orelha: problemas nos rins. 

Pensei das minhas idas e vindas à Santa Casa no fim de 2012 e depois no começo de 2013, com cólicas insuportáveis nos rins e nenhuma pedra... Meses complicados para mim... 

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Sábado passado, um ensaio de dança me levou de volta à rotina com as amigas. Carro, almoço, dança, carro. Papos aleatórios. Falávamos sobre signos. Eu, escorpiana. Elas: duas librianas e uma geminiana. Comentei que o elemento do meu signo era a Água. Uma delas se assustou, comentou que achava que era Fogo. E aí no papo vai papo vem de amigas, abrimos um site sobre os elementos e os signos. 

Água - os signos de Água geralmente têm uma predileção pelo mar, pelo contato com a água, adoram natação, hidroginástica e reencontram a serenidade e o bem-estar quando estão junto do seu Elemento. 

Lembrei das minhas tardes à beira mar em Cascais... Poderia ir pra qualquer lugar de Portugal e até mesmo dar um pulo na Espanha, mas deitei naquela areia e ali fiquei. Eu esqueço disso com uma frequência maluca, mas meus dias de maior paz e serenidade são aqueles na beira d'água. Ali, em frente ao mar ou à piscina ou ouvindo o barulho da chuva, eu consigo silenciar minha mente e meu coração. E não fosse a professora me tratar como se eu tivesse oito anos, estaria até hoje nas aulas de natação, tamanho o bem-estar. 

Estes signos são volúveis, fluem como a água e não gostam que os prendam, mas levam sempre consigo as suas memórias, o passado que fez deles quem hoje são, a sua intensa densidade emocional. Como o mar, que é tão profundo que não conhecemos aquilo que se esconde nas suas extensas profundezas, também os nativos destes signos são pessoas muito profundas, cujos sentimentos e pensamentos são difíceis de conhecer, muitas vezes até para eles próprios. A Água está ligada às emoções, e estes signos são os mais sensíveis e mais sentimentais do Zodíaco. Tudo os marca, e provoca neles uma marca que dificilmente esquecem.

Eu sempre digo: só me conhece quem me lê. E quem me conhece sabe como eu não descarto a importância das coisas que me aconteceram, mesmo as que me magoaram. Como eu acho que tudo acontece como tem que acontecer e como, pra mim, tudo é aprendizado: benção ou lição. Da intensidade ninguém duvida né. E de como eu raciocino com as emoções, também não.

Próxima parte do texto falava sobre a influência dos elementos na nossa saúde. 

Os signos de Água estão ligados aos processos mais profundos e a sua saúde pode sofrer com problemas digestivos, no aparelho reprodutor, com os órgãos internos e o metabolismo. A vida emocional é de tal modo importante para eles que são, também, sugestionáveis, sendo mais sensíveis a depressões e doenças psicossomáticas. 
Acreditem ou não: se não falo uma coisa que gostaria de dizer e essa for uma coisa que me angustia, imediatamente minha garganta dói. Somatizo com uma velocidade incrível... A ansiedade e a tristeza me doem o estômago, me enjoam, me fazem vomitar - como se quisesse com isso por pra fora toda a angústia que me habita.
Indiscutível...

.Ju Marconato fala muito sobre os quatro elementos e lembro bem dela falando que a água - na dança e na vida - está ligada ao improviso, à capacidade de adaptação, à fluência, à alegria. Ontem mesmo falei ao meu terapeuta sobre como, pra mim, a dança está ligada à essa entrega. Só vai e faz. Sem planejar, sem pensar. Em como meus momentos de improviso são mais ricos do que as minhas coreografias. 
Também comentei com ele - e outro texto virá disso - sobre minha incapacidade - já aceita - de escrever versos. Disse pra ele: eu abro o blog e lá eu me derramo. Não sei fazer isso em linhas pequenas, palavras contadas, rimas e regras. Não consigo fazer isso me contendo... Preciso de espaço pra me desabar. Como uma avalanche, uma enxurrada...

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Sei que resolvi pesquisar as causas emocionais de problemas nos rins, já que as espinhas estariam relacionadas a isso. Eis que a emoção que desequilibra os rins é o medo. Os ouvidos - aqueles que zumbem - são o canal de abertura dos rins, seja lá o que isso signifique. Raiva e medo. Água, que tem a ver com as emoções, é totalmente filtrada pelos rins, que escolhem o que fica e o que sai. Se as emoções ruins não são excretadas, ficam pelo corpo. As mágoas ficam pelos pulmões. As raivas, no fígado. Os medos, os desapontamentos, as críticas e os fracassos, nos rins (e, aparentemente, nas porras das espinhas nas orelhas). 

Segundo a pesquisa, pessoas com problemas nos rins são pessoas que tem uma necessidade se se sentirem apoiadas e tratadas com consideração e afeto. São também pessoas que costumam, inconscientemente, se mostrar como auto-suficientes.
E, por fim,  (eu juro que está escrito isso) o excesso de trabalho enfraquece os rins. (risos nervosos)
Última pesquisa da medicina tradicional chinesa hoje: doenças do lado direito (lembra que é só o ouvido e orelha direitos que estão zuados?) estão ligados a autocobrança excessiva, inflexibilidade consigo mesma, culpa consciente ou inconsciente. 

(risos nervosíssimos)
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Li outro dia na internê: "você pode comer brócolis, tomar água alcalina, fazer yoga, mas se você não lidar com as porcarias que estão acontecendo no seu coração e na sua cabeça, você continua doente." 
Somos carne, matéria. Coisa pegável, tangível, vista e sentida através da pele, do calor, do movimento, do cheiro, do olhar, do suor, do peso.
Mas também somos pensamento e emoção. Mente e alma, como diriam. Tudo invisível. Se abrem a nossa cabeça, acham o cérebro, mas não os pensamentos. Se nos rasgam o peito, encontram carne e sangue e veias e músculos que antes palpitavam. Mas não acham as emoções e sentimentos que conduzem nossas escolhas. 
A questão é que as coisas invisíveis estão conectadas nas visíveis. Quer a gente aceite ou não. Espíritos inflexíveis normalmente habitam corpos inflexíveis...

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Para Osho, o amor é o oposto do medo. O amor (e a gente sabe que o Osho não tá falando de amor romântico, né? Pro Osho, amor é um estado de ser e não um relacionamento) dá coragem, afasta o medo.  E onde o medo habita, habita também o ódio, a raiva.

"Tudo o que lhe der paz, tudo o que o deixar em estado de graça, tudo o que lhe der serenidade, tudo o que o aproximar da existência e de sua imensa harmonia, é amor e será bom."

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Lá (naquela primeira pesquisa sobre as causas emocionais dos problemas nos rins) qualquer coisa sobre a dificuldade em deixar fluir, relacionada aos encerramentos de ciclos. Deixar ir. Deixar escorrer, se desfazer do que não faz mais sentido. Chover, evaporar, secar, pra então chover de novo. Ciclos. De água, de emoções, de acontecimentos. 
Exatamente nesse momento, estou no inferno astral - o último mês do ciclo. Meu dezembro, na contagem regressiva pro meu ano novo, que é 23 de outubro. Ou seja, vivendo toda a energia dos encerramentos, dos desenlaces, das mudanças e transformações. Toda a energia do deixar ir, do desprender, do deixar pra lá, do cicatrizar, do entender.
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A arte - seja a dança, seja a fotografia ou os meus textos - sempre me trazem analogias sensacionais em relação "à vida". Se na arte eu sou essa pessoa fluida, alegre, sem fronteiras, desprendida das regras, intensa, flexível, livre... Como que na vida não seria? Mas as vezes não sou. Daí, o corpo estranha e adoece. Faz sentido?

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A conclusão, se é que há, é que preciso me reconectar com a minha essência de água. De fluir, seguir em frente, sempre em frente.

"Dizem que antes de um rio entrar no mar, ele treme de medo. Olha pra trás, para toda a jornada que percorreu, para os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso que trilhou através de florestas e povoados e vê a sua frente um oceano tão vasto, que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre..." - Osho.


E deixar pra trás as coisas que ficaram para trás. Mesmo que tenham me transformado e permitido ser quem sou. Entender que, pra que coisas novas venham, eu preciso filtrar o que não mais me serve e deixar ir... Dá medo, frustra, da raiva. Recomeçar, mais uma vez, cansa. Mas também empolga.

"Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano, é que o medo desaparece, porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas de tornar-se oceano." - Osho.

E, principalmente, entender que posso deixar meu lado direito - o lado feminino - em paz. E deixar de sentir dores por auto cobranças, por uma perfeição de versos que não me refletem. Eu sou prosa. Eu sou grito. Eu sou olhares marcantes e silêncios profundos. Eu sou prolixa nas palavras escritas. Sou água derramada, chuva pesada e entregue. Rio que corre sem olhar pra trás, sou quem absorve coisas e sou transformada e transformo - sim - onde eu passo.

Arrisco a dizer que todo meu sofrimento têm vindo dessa querência de querer ser rocha. Ser eterna. Fixa. Firme. Concreta. Segura. Indiscutível. Indestrutível. Está na hora de aceitar. Eu não sou. Eu estou sendo.

Chega de tentar ser rocha.

Eu sou rio.

Só rio.




(E com esse pensamento: sorrio)