segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Acúmulos

Aí vem a verdade: o autoconhecimento traz a vergonha.

Não sei direito por onde começar. Sabe aquele programa da tevê por assinatura, em que as pessoas caminham por pilhas de lixo, que estão entulhadas nas casas delas, de tantas coisas que elas acumulam? E você olha e fica pensando "meu deus, como elas deixaram chegar nesse ponto?" Pois é. Antes de achar esquisito, antes de achar nojento, de zoar, de julgar, façamos um exercício.

Exercício:

Vá até seu quarto munido de tempo e paciência, de preferência naquele dia em que as roupas sujas voltam magicamente limpas e passadas para seu quarto. Conte quantas calças você tem. Quantas camisas. Quantos calçados. Quantos livros. Quantos acessórios. Quantos perfumes, cintos, hidratantes, dvds, etc. Agora pense: você sabia que tinha tudo isso? Acha que precisa de tudo isso? Acha que tudo bem você ter tudo isso e continuar comprando/desejando coisas? Você usa todas essas coisas que você tem? 

Fim do exercício.

Se você não é nem Buda, nem Dalai Lama nem Madre Tereza: você provavelmente vai ter vergonha de ser quem você é no fim desse exercício. Porque somos pessoinhas que compartilham coisas bonitas no facebook, somos a geração que mais fala de sustentabilidade e nossos guarda-roupas (o meu, pelo menos) continua abarrotado de coisas.

Se tenho vergonha? Tenho sim senhor. E é sobre a minha vergonha que quero escrever.

Aqui começa o texto "Acúmulos"



Um dia (o lobo mau bateu na porta) resolvi contar quantas calças jeans eu tinha. Eram muitas e há muito tempo não comprava nenhuma. Mas eram muitas, mais de vinte. Calças de dez ou dois anos, calças que nem serviam mais, calças que nunca tinha usado, calças que não gostava e umas cinco que usava sempre. Doei várias e, ainda assim, continuo com mais calças jeans do que sou capaz de usar. 

Com minha mania de limpeza e organização reforçadas por vídeos do Youtube e páginas do Facebook, resolvi fazer o mesmo com a sapateira, na semana passada. Usei dicas de youtubers, coloquei revistas nas botas, para que os canos não amassassem, limpei, comprei desumidificadores e aquele produto que dá brilho nos sapatos, separei seis ou sete pares bons para doação e, por curiosidade, contei os que voltariam para a sapateira: trinta e quatro pares de sapato. Trin-ta-e-qua-tro! Posso usar um sapato por dia durante o mês todo e sobra sapato!!! 

Achei tão absurdo! Estou obcecada por esses números enormes! Tudo eu tenho demais. Não há nada que me falte (a não ser meias, não sei o que acontece, elas simplesmente somem!). O que mostra que: sou extremamente privilegiada por ter tudo que preciso e mais um pouco; que não preciso gastar dinheiro com essas coisas até 2040; que sou acumuladora; que era hipócrita (eu nunca, nunca mais direi que não tenho o que vestir, não importa o que digam as blogueiras de moda); que era extremamente desorganizada.

Porque gente organizada certamente saberia onde estão as outras quinze calças jeans que não usa no dia a dia e ao encará-las todos os dias ou se livraria delas ou não teria coragem de ser hipócrita e dizer que não tem o que vestir quando muita gente realmente não tem. 

Acelerando um pouco a linha de pensamento

Por que nos enchemos de coisas?
Por que comprar coisas se não podemos comprar uma mini horta de temperos sem grotóx pra por no quintal?
Por que compramos coisas se as coisas mais legais não são coisas?
Por que não usamos esse dinheiro pra conhecer o mundo
Por que achamos que as pessoas ligam pro que estamos vestindo?
Por que temos tanto apego?
Por que temos sentimentos por coisas? Não seria melhor te-los por seres (humanos ou animais)? Por lugares? Por cores? Por mares? Por sons? Por cheiros? Por palavras? Por gestos?
Por que, mesmo que inconscientemente, fazemos coisas das quais nos envergonhamos?
Por que olhamos tanto a vida dos outros e não prestamos atenção aos nossos vícios e erros?

Que tal

Adotar aquela postura do menos que é mais?
Guardar dinheiro? Investir e multiplicar?
Fazer uma horta e parar de comer agrotóx?
Cozinhar mais pra mais amigos?
Aproveitar o monte de coisas que você tem de verdade?
Ler os livros antes que eles mofem e precisem ir para o lixo (ou doá-los logo para a biblioteca da cidade)?
Dar uma de Cris Guerra e ser seu próprio estilista e parar de ouvir o que os outros dizem sobre moda?
Que tal cuidar mais da gente por dentro?
Que tal ser um pouquinho mais parecido com as pessoas que você admira?

Hein? Hein? Hein? ;)





PS: desafio do closet é um desafio em que você fica seis meses sem comprar artigos de closet e não pode repetir o look nenhuma vez, apesar de poder repetir as peças.  É uma brincadeira bacana de criatividade e conhecimento. Além de economizar bufunfas.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Pensando, pensei

Experiência própria:

Às vezes, por mais difícil e louco que pareça, você resolve tentar conquistar uma coisa pra sua vida. Algo que quer muito, algo que quer pelo menos tentar, "fazer uma pra Deus ver", como dizem. Aí, você vai e tenta. No caminho entre o querer e o conquistar você invariavelmente irá encontrar: pessoas que te amam, querem seu bem e por isso te ajudam; pessoas que te amam, querem o seu bem mas não te ajudam; pessoas que deixam de ajudar porque simplesmente não podem ou não conseguem ou não sabem como; pessoas que não te ajudam te propósito; pessoas que te atrapalham sem querer e pessoas que te atrapalham de propósito. Cada uma dessas pessoas tem um papel na sua busca. Como você reage a cada uma dessas pessoas, é com você. Minha dica é: enfrente. Em frente, sempre. Cada dificuldade, seja ela promovida por uma pessoa ou por uma circunstância, pode ser usada como incentivo, como trampolim, como degrau. Você pode até desistir e culpar essa ou aquela pessoa pra sempre e, vou dizer, isso nada vai mudar na vida dessa ou daquela pessoa. E nem na sua. Você vai continuar exatamente onde você está, com o acréscimo apenas de mentiras pra si mesmo. Ou, ao invés disso, você pode dizer que 'apesar de você, amanhã há de ser outro dia' e pensar: como posso resolver isso? Como posso dar o próximo passo? Para ir mais longe, qual o melhor caminho nesse momento? E assim, com um pé atrás do outro, devagar, você inicia uma das coisas mais incríveis e necessárias da vida:




o movimento.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

em frente

Há tempos que não choro. Que não escrevo. Que não improviso verdadeiramente uma dança. Não que não haja choro pra chorar, textos pra escrever ou músicas pra dançar. Há, sim. Está tudo acumulando dentro de mim. E por mais que queira, não consigo.

'Estou desenvolvendo um bloqueio', tenho dito à mim. E talvez esteja.

Há tempos que cuidar de mim deixou de ser prioridade. Há tempos que não abro uma cerveja despreocupadamente. Há tempos que não fecho os olhos sem medo de dormir pesado demais. Há tempos que meus medos vêm se acumulando...

Enfrentar. Ir em frente. Parece simples, mas não é. E como eu mesma vivo dizendo: as coisas mais difíceis normalmente são as mais importantes. Pois é. São.

Quando você se arrisca, dá um passo rumo ao desconhecido, a probabilidade de dar errado existe e o medo disso acontecer - as vezes temos até certeza - é enorme. Mas tenho adotado outra máxima na minha vida: resolver problemas é uma delícia.

Claro, que por problemas quero dizer coisas com as quais não queremos lidar. Problemas, questões, brigas, medos, verdades. Coisas difíceis e, como eu já disse, as mais importantes.

Sei que ter problemas é um saco. E será pior, tanto quanto pensarmos neles como tal. Mas resolvê-los... é uma delícia. Ver desafios superados, medos vencidos, compromissos cumpridos com louvor, tarefas realizadas... É tão gratificante que um nos impulsiona para resolver outro e outro e outro. 

E de repente conhecemos a coragem. Que pelo que ouvi dizer a etimologia remete à agir com o coração. Mas não aquela coragem heroica da literatura. Uma coragem amedrontada, temerosa. Externa. Uma coragem completamente racional, por se tratar de uma decisão: preciso enfrentar. 

Confuso né? É que há muito não escrevo, não danço, não choro... Acho que desaprendi. Talvez esteja desenvolvendo um bloqueio. Não sei.

O que quero dizer, por fim, é que as vezes - tenho fé - ir em frente compensa. Insistir dói, cansa, mas nos faz chegar lá. 

Assim como acreditar pode nos encher de desesperança, pode nos fazer voar.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Jout Jout



Eu com 472 coisas pra fazer - e nem consegui almoçar pensando nisso.
Essa é a Jout Jout (pronunciem o t por favor). Esse foi o primeiro vídeo dela que eu vi e já fui lá curtir todos os canais dela. 

Jout Jout fez a parte dela fazendo esse vídeo. A pergunta que fica é: você vai  fazer a sua vendo até o fim?

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

flores de coragem


"O mais importante para um escritor é publicar? Não. É escrever"

(Cora Coralina)


Quando o cursor pisca numa página em branco, eu sempre penso: 'não tenho o que escrever, vou embora'. E muitas vezes eu vou mesmo. Acontece que o mais difícil nessa vida é começar. Um texto, uma dança, uma história, uma conversa, um relacionamento, uma amizade, uma poesia, um hábito, um jantar. 

Antes de começar, a coisa tem um quê de impossível que nos faz titubear. Prevemos erros, imaginamos diálogos, achamos que vai chover, que não daremos conta, que nem será tão bom assim. E nos convencemos de que aquilo não era importante, não era uma boa ideia, não era pra ser, 'nem queria mesmo' e tal.

Tudo nessa vida, ao meu ver, depende de coisas como a coragem de tentar e a prática. Ou seja. Tem que começar para, depois, treinar muito e ficar bom naquilo. Seja falar e público, fazer maquiagem pra carnaval, dançar taksin de violino, tocar guitarra, aprender bolero, decorar uma canção, aprender uma língua, fazer macarons, pedir desculpas, falar com estranhos, pintar as unhas, programar uma máquina, pilotar um avião.

Se você nunca se propor a fazer algo, você nunca vai fazer. 

Simples assim. Claro que você vai errar. Claro que talvez a primeira vez seja uma droga e você até desanime um pouco. Talvez no fim da receita você descubra que precisava de forminhas porque a massa é mole e tenha que improvisar. E talvez você se surpreenda. Com seu potencial, seu jogo de cintura, seu talento, sua dedicação, com o sabor, com a música, com aquele passo que você nem sabe como inventou e que deu um charme a sua dança. Talvez você se divirta tanto que nem ligue se a performance está boa. Talvez você aprenda coisas que nunca imaginou. Talvez...

Na dúvida, que tal deixar florescer a tentativa. 

Se o erro brotar, a gente poda, aduba, rega e espera a próxima primavera pra ser flor de novo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Encare

Nem tudo é como você quer
Nem tudo pode ser perfeito

De fato. E a vida é assim. A gente faz planos, pensa, quer, deseja, às vezes até começa a por em prática e, de repente, tudo dá errado. Foi assim quando sonhei ser bailarina - e meu pai não quis pagar minhas aulas. Foi assim quando quis fazer faculdade pública - mas nem vestibular prestei. Foi assim quando escolhi uma faculdade - e ela fechou o curso de Jornalismo. Foi assim quando consegui me inscrever no ballet - e tive que parar por causa da faculdade. Foi assim quando me dediquei à uma associação - e não consegui alcançar as metas propostas. Foi assim quando me candidatei - e o coeficiente não deu. Foi assim quando quis ser jornalista - e fui ser inspetora de alunos. 

Pode ser fácil se você
Ver o mundo de outro jeito

Dizem os otimistas (malditos otimistas! rs) que se não deu certo é porque não chegou ao final. Também dizem que Deus escreve certo por linhas tortas (o que talvez queira dizer que mesmo quando parece que tá dando tudo errado, na verdade tá dando certo e a gente é que não sabe porque não tem todas as informações que Deus tem).

O que acontece é que, anos depois, eu consigo ver que essas linhas tortas que me fizeram me afastar dos meus planos e ir dançando conforme a música, na verdade, me colocaram no lugar certo e na hora certa.

Se o que é errado ficou certo
As coisas são como elas são

A faculdade em que me formei, meu primeiro emprego, meu pouco dinheiro (ganhava menos de seissentos reais), a falta de tempo, ter perdido todas as festas de aniversário das minhas amigas de Itu durante sete anos em que estudei lá, nunca ter feito ballet quando pequena: cada uma dessas coisas "erradas" na verdade foram as certas. 

Na minha faculdade conheci pessoas e coisas incríveis. Professores, colegas, trabalhos - que me ensinaram e inspiraram. Desde pequena aprendi que dinheiro não é nada mais nada menos do que recompensa. Ele não cai do céu. É preciso trabalho e dedicação. E aprendi isso e muito mais com meu primeiro emprego. 

Um emprego que eu amei e odiei a cada dia. Onde fui querida e odiada. De onde saí com um sorriso que engolia as orelhas e pra onde eu não quero nunca mais voltar. Mas sei admitir: onde aprendi muitas coisas sobre pessoas, empregos, chefes, líderes, trabalho em equipe, maturidade, responsabilidade, dedicação, carinho, entrega, aprendi sobre honestidade. Onde sofri bullying, preconceito, onde fui humilhada, fui ofendida, onde fiz trabalhos que não eram meus, simplesmente porque ninguém fazia. Onde degustei o veneno dos fofoqueiros e a maldade dos desocupados. Sim. Tudo isso. Mas hoje, se estou num emprego que eu adoro, que me ensina diversas outras coisas, é porque estive lá primeiro. Comer a cebola pra poder sentir o sabor do mel. Ou algo assim.

Se a inteligência ficou cega
De tanta informação

Penso que somos tão forçados ao sucesso, tão cobrados da fama, da riqueza, da perfeição, que não nos deixam mais entender que é no erro (no ruim, na pobreza, na dureza, na dificuldade, no azedume, no ônibus cinco horas da manhã) que se aprende. E as vezes, cheios de medo de errar, não fazemos. Eu quase recusei o primeiro trabalho fotográfico que hoje, me rende vários freelas e vários ricos dinheirinhos. Quase. E se eu tivesse recusado? Hoje estaria menos feliz e realizada. Talvez nem tivesse uma câmera. Não tivesse visto do que eu sou capaz. Não tivesse aprendido a me virar. A fazer. A produzir. E não teria o reconhecimento, um cartão fofo, clientes felizes me dizendo que amaram meu trabalho.

Se não faz sentido
Discorde comigo
Não é nada demais

Claro que essa sou eu e essa é a minha história. Eu sou sim uma otimista irremediável. Sou dessas insuportáveis que acreditam, embora tenha passado alguns tempos desacreditando. E Ju Marconato, Flávia Vascon, Osho e companhia limitada me ensinam: seja grato. Gratidão move montanhas. Desobstrui caminhos. Acho que se não vemos o lado bom de alguma coisa, é porque não estamos olhando direito. Claro que não é fácil e claro que eu não sou a Madre Tereza de Calcutá. Eu mando a merda. Eu choro. Eu morro de desesperança as vezes. Mas quando a água bate na bunda, pode ter certeza: eu me ponho a nadar. Não importa se meu sonho é nadar crown. Na hora do vamos ver eu nado. Ponto. Não importa se não sei nadar. Se acho que não estou pronta. Se estou com medo. Depois chegando em casa eu choro. Mas eu nado. 

Insistir, se preocupar demais
Cada escolha é um dilema

Improviso na aula da Munira. Abrir uma empresa de fotografia. Dar entrada numa casa. Abrir uma poupança. Gastar fortunas em remédio. Emagrecer dez quilos. Começar uma aula completamente maluca. Entrevista de emprego. Primeiro encontro. Discussão de relacionamento. Apoiar a amiga. Viajar sozinha. Planejar. Falar em público. Criar uma marca. Tirar as próprias cutículas. Fazer a própria sobrancelha. Mudar de vida. Gerir crises alheias. Incentivar pessoas. Horta orgânica. Controlar o humor... 

Não to falando que é fácil. Mas o que a vida propor eu faço.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Com emoção ou sem emoção?

Ontem e hoje foram dias emocionantes. Mas não exatamente no meu sentido preferido da palavra. Sabe quando a pessoa espera você sentar no banco do passageiro pra perguntar "e aí, com emoção ou sem emoção?" e aí ela mesma responde engraçadinha "com emoção né", como se fosse garantia se um por do sol lindo na estrada ou uma música linda de doer na rádio.

Não. Ela quer dizer: quer calma ou sair daqui não querendo ter entrado?

E alguns dias são assim.

A gente entra no dia, põe o cinto, algumas vezes faz até o sinal da cruz e torce pra chegar no destino - o fim do dia - em segurança. E as vezes, você de fato chega ao fim do dia, mas pensando porquê você começou ele, pra início de conversa. 

Tem dias - a gente pensa - que era melhor nem ter saído da cama. Que era melhor ter ficado sem bateria. Sem gasolina. Sem despertador. Que era melhor perder o ônibus, pegar uma gripe. Era melhor ter acabado a energia. Que era melhor não tero dito nada, mesmo que na hora você tivesse pensado que queria muito dizer. Tem dias que é melhor não ver ninguém.

Tem dias que nem nós nos compreendemos e que ninguém mais o faz. Tem dias que só amanhã. 

Dias assim nos pedem o silêncio, querendo falar. A isenção, querendo opinar. A força, querendo chorar. A humildade, querendo provar suas teorias. A solidão, querendo abraçar. 

Dias assim, cheios da tal emoção, nos obrigam a ir contra a nossa própria vontade, que nem tempo e nem espaço conseguem efetivar no momento. São dias que interrompem nossa caminhada e nos fazem cambalear um instante. 

Onde estou?, nos perguntamos. Caraca, aconteceu alguma coisa aqui e eu não sei o que foi. Passou um furacão por aqui? Jesus, tá tudo bagunçado. 

É, está. 

Só que você nem sabe o que aconteceu. Você só queria falar, ser ouvido. Chorar e ser consolado. Abraçar e ser abraçado de volta. "E o que eu fiz de errado, afinal?"

Acontece que, tem dias, que não somos os únicos a ter emoções negativas. Não somos os únicos a não entender a bagunça,  a se sentir sozinho, perdido, desconfortável. Não. Tem dias que o outro - aquele de quem você queria atenção, compreensão, braços e ouvidos - está perdido em sua própria bagunça. Querendo, talvez, as mesmas coisas. Mas também sem saber propor. Sem saber pedir. 

E em dias assim, só resta esperar acabar. Esperar os astros mudarem de posição. O tumor cerebral desinchar. O tempo correr, a vida andar.

Resta dormir e aguardar. 

Não adianta pedir desculpas. Não adianta tentar prever. Não adianta nem mesmo escrever coisas que ninguém vai ler. 

Dias assim parecem não ter fim. 

Mas têm.