segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Amnesiar

Bom, aí eu olhei pra tela tão conhecida do Facebook, meu companheiro de todos os dias, de todos os trampos, de todos os B.O.'s e não tinha nada que eu quisesse nem ver e nem mostrar. Botei Clarice pra cantar e pensei: "acho que vou amnesiar." Esse verbo esquisito, que quer dizer que vou conversar com as minhas lembranças e escrever... Há quanto tempo, não?

Acho que ano que vem vou ter mais tempo... Quem sabe esse blog, que já me viu crescer e mudar tanto, não volte a ser minha companhia ano que vem. Ainda não parei pra fazer um balanço desse ano, mas pensando agora, assim, de repente, acho que foi um ano bom.

Terminei a faculdade. Isso com certeza foi ótimo. Arrumei um emprego na área. Melhor ainda... Pude estar com amigos e viver momentos incríveis com o meu namorado. Comprei um guarda roupa, finalmente convenci meu pai a arrumar o forro do quarto. Fui pra Blumenau, que cidade linda! Fui pra Minas, meu amor, meu sonho desde a sétima série. Apaixonante...!  Hum... Ah, é tão difícil lembrar de tudo. Impossível, na verdade, dada a amnésia. Mas sei que esse ano teve mais coisas boas que ruins.
Sim, eu me stressei no trabalho. Sim, eu briguei com quem eu amo. Sim, eu quis me matar só pra não ir na faculdade. Mas essas coisas, francamente, fazem parte. O que fica são as coisas boas. Os sorrisos. As amizades... As alegrias, as cervejas (na memória e na cintura né). Que em 2014 possamos aproveitar ainda mais as coisas boas e deixar pra lá as coisas bobas que nos fazem perder a alegria. 

Um beijo.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Da série "por que eu gosto de casamentos?"

Quando digo que gosto de casamentos, as pessoas dizem que é porque eu quero casar. Antes fosse assim tão simples. Não que eu não queira, mas também não sei se quero (hahaha isso é tão eu). O que sei é que adoro casamentos. Eles, na teoria, representam o amor no seu auge, no seu mais puro contexto. Representam o sonho, a esperança de dias felizes, as futuras lembranças das crianças quando pequenas, a visão dos dois velhinhos sentados na varanda, resmungando de mãos dadas.

Gosto de quando toca a música e todos se levantam para ver a noiva entrar. Gosto de olhar o noivo, com aquele sorriso, vendo-a vir até ele. E ainda mais do momento em que ele a toma das mãos do pai, lhe beija a testa com carinho e se aproxima para sussurrar em seu ouvido que ela está linda e que ele a ama. E aí, a noiva olha pra baixo e sorri, como se aquele fosse o primeiro elogio vindo dele, seu amor. O homem com quem vai viver os dias mais felizes da sua vida - sim, e os mais tristes também, a gente sabe, mas qualquer dor é pequena, tendo um abraço quente onde se esconder pra tomar forças.

Meus olhos se encheram de lágrimas quando, ao contrário de todos os casamentos dos quais eu já tinha participado, os noivos fizeram seus votos sem o microfone. Ali, baixinho, olhando nos olhos um do outro. "Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias de nossas vidas." Afinal, eles não tem que prometer isso aos convidados, nem aos pais, nem ao padre, nem a Deus. Mas sim um ao outro.

As músicas, as cores, as surpresas. A valsa do casal... Tive que me segurar para não chorar. Fiquei imaginando como se sentiam. Como nos filmes, quando o mundo some e a gente só enxerga o nosso par. É como eu me sinto quando danço com o meu amor, mas ele não gosta muito de dançar...

Casamentos são a prova de que não há realidade dura, difícil o suficiente para aqueles que acreditam num mundo melhor, em dias melhores. São a expressão da mais poderosa esperança. Do amor mais forte do que tudo. Não tem como não achar lindo. Mas eu - romântica incurável - não posso deixar de comentar aqui, que a coisa mais fofa, mais corajosa, mais linda de todas (e olha que tá difícil de desempatar) foi o noivo cantando pra noiva. Uma homenagem, uma declaração de amor. "Inspiração dos meus sonhos, não quero acordar, quero ficar só contigo... Pra que parar pra refletir se meu reflexo é você? Aprendendo uma só vida, compartilhando prazer. Pensa em mim, que eu to pensando em você e me diz o que eu quero te dizer, vem pra cá, pra ver que juntos estamos e te falar mais uma vez que te amo..."

Felicidades aos noivos e um brinde aos que ainda acreditam no amor.

Jaqueline Rosa.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Bellybeijos

Dançar e ver dançar são coisas que me causam um sentimento inexplicável de felicidade. Eu notei, durante o XIX Deusas que Dançam, que eu não sei olhar o todo simplesmente como plateia. Eu olho a coreografia como se estivesse lá no palco. Como se fosse a iniciante que não sorri de vergonha ou a gordinha que arrasa ou aqueles meninos se divertindo. Que coisa mais linda aquela mão ondulando, esticada a frente da barriga. Aquelas espadas vistas de ponta cabeça do cambré. Que lindos os sorrisos, os olhares, a história. Os dums e os taks. Que gostoso... Olhar aqueles pés em meia ponta. Parece que ouvia, dali da terceira fileira, o coração batendo forte das bailarinas. E sentia como elas o sangue correndo nas veias, pulsando no ritmo da música.

Eu fico tão sorridente e tão feliz olhando o dançar alheio que pareço louca ou idiota.



Fico com aquela cara de boba, sorrindo e batendo o pé no chão, marcando o compasso. Tempo, contra-tempo. Tempo, contra-tempo. Dum tak dum dum tak. Dum tak dum dum tak. 


O que eram aqueles quadris da Selena? O que foi aquela amizade de banheiro com a Lune? Como assim a gente invadiu o camarim da Lulu?

Somos loucas sim. Eu sou. Vai ver ainda to no clima de viver as oportunidades... Aquela coisa de quando a gente fica velha e acha que está perdendo tempo. Eu fiquei tão, mas tão feliz de ver a Lulu, falar com ela, abraçar e fotografar e sorrir e ver dançar... que não fiquei vários minutos sem palavras. Falar era pouco para explicar. Não queria parecer tiete. Fã ensandecida. Nem nada do tipo. Não sabia verbalizar a Lulu. E ainda não sei. Estou aqui falando, falando, falando e não dizendo nada.

Como definir alguém que é tão mágico que parece que nem existe? Pensar que a Lulu dos vídeos e das histórias é de carne e osso... que ela torce o pé, usa aplique, sente dor nas costas, cansa, chora... Imagina!

Também foi muito divertido sair com as meninas da dança. Ju, Thata, Pri e Soraia. Demais! Mas o agradecimento da noite vai pro Zé, sem o qual não teríamos nem saído da rodoviária. hahaha E pra Ju que pediu pro Zé levar a gente. E pra Soraia que quis ir no banheiro no fim do show. E pra mim que perguntei da Lune. E pra Thata que falou com a Lune e pra Lune que levou a gente até a Lulu. 

E pra Lulu e Evania e todas as bellydivas que arrasaram. Que venha 8 de dezembro, que eu to louca pra usar meu aplique. HAHAHAHA

BEIJOS, :*



Jaqueline Rosa.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Exatamente aquilo que a gente é

Em mensagens de aniversário as pessoas costumam nos dizer o que representamos para elas. E fiquei pensando como nos mostramos das mais diferentes formas. Cada um nos vê de uma maneira. Talvez tenham o olhar alterado pelas suas próprias experiencias e personalidade ou a gente é que se molde de acordo com quem esteja com a gente.

Sei que fiquei pensando em quantas sou. Pro Eliel, eu sou a bailarina. A que quer calçar sapatilhas e dançar até morrer. Pra Thaís, sou a caçula bagunceira e folgada, determinada e bellydance. Pra Shirley, sou a nora. Pro Celso, a princesa, a namorada. Pro chefe, sou a foca. No trabalho, sou jornalista. No Vale Verde, a presidente. Na rua, sou fotógrafa. A filha da Hilda. A filha do Carlos. A filha do Rosinha. Pra Vanessa sou a Jaque Rosa que ia virar Roxa se não esticasse a ponta nas aulas de ballet. Pra Sheila, sou a psicopata. Pra Luciana, a bebê.

Acho que pras crianças, ainda sou a tia. Pros alunos mais velhos, vou ser sempre a dona. Pro meu pai, sou a Chiquinha, a Jaquinha, a menininha teimosa que gosta de política. Pro Izak sou amiga. Pra Eline, 'miga'. Pro Renato, madrinha. Pra Flávia, sou afilhada. E tem a outra Flávia, pra quem sou aluna. 

Sou sobrinha, irmã, prima. Sou aquela que não lembra os nomes das pessoas nem dos livros. Sou aquela que lê. Pra Beth, a bibliotecária, sou a que nunca devolve o livro na data. Pro vendedor da Nobel, a moça que olha, olha, cheira os livros e vai embora sem comprar nada. 

Pra Ju, sou uma das bellydivas seduzentes do Shiva, kkkkk  é cada coisa...! Alguns acham que eu sou a salvadora da pátria - menos o dono da caminhonete em que eu bati. Sou tantas,... 

Posso ser a tigresa de unhas negras e íris cor de mel. Posso ser Beatriz - que não sabem se é moça, se é triste, se é o contrário. Só não posso ser a garota de Ipanema, hahaha. Posso ser a musa e a bruxa. A diva e aquela que só fica na coxia observando. Posso ser o amor de alguém. Posso ser aquela que preferiam não conhecer... 

Talvez eu seja daquelas que a gente não esquece. Ou seja um rabisco de lápis ou um papel de banco que borracha e o tempo apagam facilmente. Vai saber né.

"Isso de querer ser 
exatamente aquilo 
que a gente é 
ainda vai 
nos levar além"

Paulo Leminski

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Ano novo

"Já não tenho a mesma idade
Envelheço na cidade 
Nessa vida é jogo rápido
para mim ou pra você
Mais um ano que se passa
Eu não sei o que fazer (...)
Feliz aniversário
Envelheço na cidade"

Quem me conhece sabe. Eu amo fazer aniversário. Não é pelos presentes (talvez pelos cartões e telefonemas - inclusive de gente que a vida levou pra longe), talvez seja pelo bolo prestígio da minha tia ou pelo fim do inferno astral. Não sei. Mas é um dia em que eu me sinto bem. Me sinto feliz por estar viva, por ser quem eu sou. É um dia pra se ter orgulho do ano que passou. Um dia pra relaxar e pensar: passou. Foi difícil, foi tenso, mas passou. Acabou, vamos começar outra história. O aniversário é o nosso Ano Novo. Poxa, não é querer ficar velha antes do tempo, mas pare e pense: vinte e um anos. É muita coisa. São milhares de dias repletos de horas pra gente viver. Vários minutos gastos com coisas ruins: gente, pensa no desperdício! Nos meus aniversários eu sempre acabo refletindo sobre como estou gastando meu tempo de vida. Se o estou aproveitando bem, para algo bom - seja para mim ou para ajudar os outros.  Mas hoje é quarta-feira né. Vamos ver se sobra tempo... rs

terça-feira, 1 de outubro de 2013

De barriga cheia...

"Na vida a coisa mais feia
é gente que vive chorando de barriga cheia..."

Estou sentada na cozinha. Sem óculos. Com os pés na cadeira, com aquela calça horrorosa laranja, olhando pra minha caneca de leite com chocolate vazia e ouvindo Have You Ever Seen The Rain. Hum. E daí, né?  Estou aqui pensando... Como eu reclamo da vida. Como eu desperdiço minha criatividade tendo medo de dar sugestões idiotas ou de não dar certo. Estou aqui pensando como eu sou mesquinha. Sempre tão preocupada em inventar desculpas pros meus erros, torcendo para que as pessoas gostem mais de mim sabendo que foi sem querer. Hunf. Sou só uma garota cheia de espinhas, preguiçosa e gulosa, que não acha tempo pra si. Que não acha espaço nem no guarda roupas. Que se lamenta por não ir a lançamentos de livros em SP. Sou uma pessoa mais rasa do que me mostro. Não sou artista, não sou filosofa, não sou fotografa, nem escritora de verdade, nem dançarina de verdade. Sou um eterno desejo. Um insaciável querer: ser, ter, fazer, provar.

No fim, que importa? Quais cursos você foi, quais palestras você assistiu... Aquelas fotos escondidas na nuvem... Aqueles textos enfiados na caixa embaixo da cama, aquelas fotos fora do porta retrato? Os livros que você comprou e não leu, de que servem? Os que você leu e trancou no guarda roupas? Que diferença fazem estando aí? E aquele sapato amarelo que você comprou pela Internet, sem nem pensar na greve dos Correios? Hum? Talvez quando chegar o salto quadrado já tenha saído de moda...

Queria ser bonita e ter pele boa pra por fotos gatas no facebook. Ter cabelos longos pra me elogiarem na dança. Queria ser alta, ter pés bonitos, um guarda roupas grande,... Aí, um minuto depois, quero mais é viver de tênis e camisetas e que-se-danem-os-saltos-altos e viajar. Ou não. Melhor ler, escrever, publicar... O que?

Nesse segundo, nao ligo a mínima pro TCC, pro trabalho,... estou feliz com as pessoas que tenho. Com as coisas que posso conquistar, com o presente que comprei pra você de Natal. Com a ansiedade gostosa pré-viagem, com a diversão que tem sido dirigir. Com o vento batendo no rosto quando andamos de moto. Com a vontade de comer morango. Me contento em te fazer cócegas. Em esfregar o nariz no seu cabelo enquanto você dorme deitado no meu peito. Me satisfaço com pizzas requentadas, com vinho barato bebido na cama, em copos de requeijão. Me contento com shows da Nova Brasil, ouvidos do rádio em cima do criado mudo. Sorrio com promessas de fins de semana leves. De, quem sabe, um cineminha domingo a tarde. De te fazer ouvir minhas histórias por telefone.

Me contento com meu sono largado com meu travesseiro fofo, contando as horas pro fim de semana. Em salivar vendo foto de comida japonesa. Em surtar com o combo Gabrilli+Lacombe.

 Nós já temos tanto... Já somos tanto... Pra que querer ser a musa do verão? Fazer um show de poderosas? Pra que querer ter razão? Se o que importa é ser o que você ja é: você mesmo. Simples assim. Fácil assim. Com suas qualidades, seus defeitos, suas falhas, suas nobrezas...

"Cada um sabe

a dor e a delícia

de ser o que é"


J.

Memória de papel


“Aquele que não tem memória arranja uma de papel.” 

Gabriel García Marquez


Ah que vontade de largar essa faculdade nos 45 do segundo tempo. Cair, me contundir, entrar num coma por três meses e ops, não deu pra entregar o TCC! Poxa...! #xatiada Se é preguiça? Também. Falta de disciplina, de regras... Falta de motivação. Me sinto perdida, sem tempo livre pra nada. E nos meus poucos minutos livres não quero escrever, não quero ler, não quero fazer reuniões, não quero nem fotografar. E quando começo a pensar na monografia, sinto como se faltasse liga, cimento, açúcar, ou algo que deixe a coisa boa o suficiente.

Inferno astral também não tá ajudando. To forçando o cérebro... Tentando me obrigar a fazer a monografia. Mas tá tão difícil... queria desistir. Não fosse a pressão social que cai sobre os que abandonam qualquer coisa faltando pouco pela linha de chegada, já o teria feito. Aff.

Só queria ir no lançamento do livro da Lacombe sobre a Mara e depois pegar um avião pra Blumenau. Eu devia era terminar o Incorrespondências. Juntar as coisas do Amnésia e fazer livros e sair por aí vendendo. Dançando na calçada, servindo cerveja em butecos, lendo de madrugada, fugindo com a mochila quando enjoasse. Sei lá...

As coisas ainda estão muito difíceis.

Muito lentas.

J.